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Acrimat e IDH anunciam Programa de Produção Sustentável de Bezerros no Pantanal mato-grossense

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Produtores de bezerros localizados no bioma Pantanal, em Mato Grosso, poderão contar com um programa especial de assistência técnica, buscando a sustentabilidade, a inclusão de pequenos criadores e a conservação dos recursos naturais. A proposta está sendo desenhada entre a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), que já são parcerias em uma iniciativa semelhante desenvolvida na região do Araguaia: o Programa de Produção Sustentável de Bezerros.

O ponto de partida foi a assinatura de uma Carta de Intenções entre Acrimat e IDH, estabelecendo o interesse em trabalhar conjuntamente para o desenho da expansão do Programa de Bezerros para o Pantanal.

Nos próximos meses, as instituições vão trabalhar para planejar os detalhes do Programa pantaneiro, que começará em Cáceres e será levado para outros municípios no decorrer da implementação. Para isso, a IDH já viabilizou os recursos financeiros necessários a serem utilizados como contrapartida do setor privado na implementação do Programa.

O objetivo é transformar pequenas propriedades produtoras de bezerros de baixa tecnologia em propriedades de alta performance. O economista e consultor da Acrimat, Amado de Oliveira Filho, considera a expansão do Programa uma importante decisão da diretoria da Associação. “Apoiar a implementação deste Programa no bioma Pantanal, especialmente neste momento em que testemunhamos os graves problemas que passam os pecuaristas, em função dos incêndios que assolaram propriedades e mataram animais e geraram danos financeiros incalculáveis, é imprescindível”, adicionou.

Através do Programa, os criadores terão acesso a assistência técnica para regularização fundiária e ambiental, intensificação da produção, restauração de áreas florestais, além de apoio para o acesso a investimentos e conexão com o mercado. Tudo isso, visando o aumento de renda e a melhoria da qualidade de vida do produtor.

“Nós sabemos que a situação no Pantanal demanda muita atenção e esperamos poder contribuir na construção de soluções, com investimentos e tecnologia para apoiar os produtores de bezerros no bioma”, disse Daniela Mariuzzo, diretora executiva da IDH no Brasil e do Programa de Paisagens Sustentáveis na América Latina.

O Pantanal

É uma das maiores planícies inundáveis do planeta, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como patrimônio natural da humanidade. No Brasil, está presente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, se estendendo até a Bolívia e o Paraguai. O Pantanal corresponde a cerca de 7% (60.900 km²) do território mato-grossense, que possui mais de 903 mil km² de extensão.

A pecuária é uma atividade econômica desenvolvida há décadas, cuja adoção de tecnologias aplicadas aos sistemas produtivos ficou defasada, aumentando a pressão sobre os recursos naturais e tornando a melhoria de vida dos pequenos produtores num grande desafio.

Em 2020, o bioma sofreu com a grande incidência de queimadas, o que vai demandar ainda mais apoio para o processo de recuperação e retomada do desenvolvimento com suporte especial aos produtores locais.

O Programa Produção Sustentável de Bezerros

Tem o objetivo de mudar a dinâmica de produção e comercialização da cadeia da pecuária para torná-la cada vez mais inclusiva e financeiramente sólida. É coordenado pela IDH, com investimentos do Grupo Carrefour e Fundação Carrefour, e tem como parceiros implementadores a Acrimat, no Vale do Araguaia, e a empresa NatCap, no Vale do Juruena. Atualmente, 251 fazendas integram o Programa e a previsão é chegar a 457 até o final de 2021. Os investimentos previstos para a execução das atividades são de 3,5 milhões de euros.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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