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Agro alerta Bolsonaro sobre crise com a China

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O corpo diplomático do Itamaraty avaliou com perplexidade e preocupação a condução pelo ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da crise diplomática entre Brasil e China provocada por postagens feitas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) numa rede social.

Na manhã desta sexta-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro colocou panos quentes na crise diplomática. Disse que não há problema nenhum do Brasil com a China, que não tem que pedir desculpas por não ter feito qualquer crítica ao país, isolando o episódio do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro.

A declaração de Jair Bolsonaro foi dada após o governo receber alertas do agronegócio dos possíveis impactos da crise diplomática nas exportações. O próprio presidente disse na manhã desta sexta que conversou sobre o assunto com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

O tom da posição de Araújo em resposta ao embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, causou surpresa entre diplomatas.

Nas palavras de um embaixador, incentivar essa crise pode ter um reflexo forte no comércio exterior, já que a China é o nosso maior parceiro comercial, sendo o grande importador da soja brasileira, do petróleo, de minério de ferro, entre outros produtos.

A avaliação majoritária no Itamaraty é que é um erro o Brasil fazer um alinhamento automático à política externa do governo do Estados Unidos e que isso pode trazer prejuízos ao país.

Exportação

Segundo dados do Ministério da Economia, no ano passado, 79% das exportações de soja do Brasil foram para a China. O principal destino das exportações de “óleos brutos de petróleo” também é a China, que compra 64% destes produtos, seguida por Estados Unidos, que compra 13%.

Outro embaixador da ativa ouvido pelo blog foi ainda mais crítico em relação a posição de Ernesto Araújo e lembrou que essa não é a tradição da diplomacia brasileira. “Está destruindo a relação com a China. O estrago está sendo imenso. Lamentável, para dizer o mínimo”, lamentou esse embaixador.

A crise

A crise diplomática teve início na noite de quarta-feira (18), quando o deputado Eduardo Bolsonaro escreveu numa rede social:

“Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. […] +1 vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. […] A culpa é da China e liberdade seria a solução”.

Em seguida, Eduardo Bolsonaro compartilhou postagens acusações ao governo chinês pela pandemia de coronavírus.

A resposta chinesa foi imediata e em rede social. O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, afirmou que: “A parte chinesa repudia veementemente as palavras do deputado, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês”. O embaixador também compartilhou com seguidores mensagens de outras pessoas que criticavam a família Bolsonaro.

Na defesa

Só no início da tarde desta quinta-feira (19), o ministro Ernesto Araújo assumiu a defesa do presidente Jair Bolsonaro por causa das mensagens críticas à família Bolsonaro, e repreendeu o embaixador chinês, dizendo que a reação dele foi desproporcional e que feriu a boa prática.

“É inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores. As críticas do deputado Eduardo Bolsonaro à China, feitas em postagens ontem à noite, não refletem a posição do governo brasileiro. Temos expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva ao chefe de Estado”, escreveu Araújo em nota.

O ministro Ernesto Araújo disse ainda que iria conversar com Eduardo Bolsonaro e com o embaixador da China para promover o entendimento.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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