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BRF encerra atividades em Campo Verde (MT)

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A notícia de que a BRF iria encerrar a produção de frangos, ovos e ração nas unidades de Campo Verde, em Mato Grosso, pegou a cadeia produtiva de surpresa. Com a decisão, cerca de 50 produtores que vivem exclusivamente da avicultura na cidade e são integrados à companhia estão preocupados com o futuro da atividades, já que a maioria se endividou para investir no aumento da produção.

Emocionado, o avicultor Adalir Mores falou com o Canal Rural sobre a preocupação com a sua fonte de renda. “Ainda parece que não caiu a ficha. Para quem ainda não alojou, vai ficar ruim e acaba até emocionando”, disse antes de ir às lágrimas.

A fala de Adalir revela a paixão pela atividade, já que a avicultura garante o sustento da família há duas décadas. “É difícil fazer outra coisa para trabalhar, pois fizemos isso a vida inteira. Terei que parar para ver o que vamos conseguir no futuro, o que vamos inventar. Mas já estou com a idade avançada”, disse o produtor, novamente chorando.

Adalir é integrado da BRF há 22 anos. Por causa da parceria, na pequena área de oito hectares, construiu quatro barracões com capacidade para alojar 60 mil frangos. Dois deles foram financiados e só vão ser quitados em 2025, com uma parcela anual de R$ 4 mil.

O avicultor também investiu outros R$ 15 mil na compra de um gerador, para garantir aquecimento e refrigeração às aves. Há duas semanas, ele recebeu o pagamento pela entrega de uma engorda e achou que tudo estava dentro da normalidade.

“Fui pego de surpresa, pois não esperava por essa decisão. Vamos ver agora se a BRF vai pagar as dívidas que tem que pagar, pois dizem que vão acertar mais um lote além do atual e acertar o que tem de dívida dos últimos seis meses”, completou.

Futuro incerto

Lúcio Oliveira Nunes é o único funcionário da granja, na qual trabalha há mais de dois anos. Quando o último lote de animais for entregue, no entanto, restará ao funcionário procurar outra atividade para sustentar a família que conta com a esposa e dois filhos. “Não posso parar de trabalhar, mas vai ser difícil achar outro emprego rapidamente. Essa é a única renda da minha família, que depende do meu trabalho”, lamentou.

A situação do avicultor Luiz Carlos Bol é ainda mais complicada, já que ele recebeu a notícia depois da entrega do último lote. Agora, ele está sem saber o que fazer com os três barracões com capacidade para alojar 60 mil frangos. “Foi um choque para todos nós, pois estamos com a estrutura toda montada para criar frangos e não temos outra coisa para fazer aqui. Acabou, infelizmente acabou”, disse.

Segundo a Associação Campoverdense de Avicultura (Acav), cerca de 280 granjas devem fechar as portas em campo verde por causa da suspensão das atividades da unidade da BRF. Juntos, os aviários produziam diariamente mais de 100 mil aves.

“Essa decisão da BRF ameaça toda a economia da cidade. O desemprego ameaça trabalhadores dos 280 aviários que atendem a empresa. Entre empregados diretos e indiretos, são mais de 500 pessoas que ficaram com o futuro incerto”, disse o presidente da Acav, Clodoaldo Lima.

Outro lado

Por meio de nota enviada à imprensa, a BRF salienta que vai manter no município apenas as operações de recebimento, beneficiamento, armazenagem e expedição de grãos. Já a produção de ração e a incubação de ovos serão deslocadas para uma região mais próxima às unidades de abate da empresa.

Quanto às aves que estão alojadas nos aviários instalados em Campo Verde, a informação é de que serão destinadas às unidades de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. Em Campo Verde, a BRF emprega diretamente 130 funcionários, que – segundo a empresa – poderão ser realocados para as demais unidades do grupo no estado.

A BRF informa ainda que os termos contratuais vigentes serão honrados junto aos atuais integrados e que irá acionar todos os produtores da localidade nas próximas semanas para comunicar a decisão.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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