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El Niño 2026 pode impulsionar soja, milho e trigo no Sul, mas aumenta riscos para o Centro-Norte do Brasil
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A confirmação de um novo episódio do El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima entre os principais fatores de atenção do mercado agrícola mundial. De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os impactos sobre as safras de soja, milho e trigo devem ser significativos na América do Sul, favorecendo parte das regiões produtoras, mas elevando os riscos para importantes polos agrícolas brasileiros.
O fenômeno ocorre justamente durante um período estratégico para o agronegócio sul-americano, coincidindo com o plantio, desenvolvimento e colheita das principais culturas de verão. Historicamente, eventos de El Niño de intensidade moderada ou forte provocam alterações importantes no regime de chuvas, influenciando diretamente o potencial produtivo das lavouras.
Sul da América do Sul deve registrar condições mais favoráveis
Segundo a Hedgepoint, o comportamento típico do El Niño favorece o aumento das chuvas durante a primavera e o verão na metade sul do continente. Esse cenário tende a beneficiar as lavouras de soja e milho no Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
Em temporadas anteriores, como na safra 2018/19, esse padrão climático contribuiu para elevados índices de produtividade, especialmente nas regiões produtoras do Sul brasileiro e da Argentina.
No Brasil, estados como Paraná e Rio Grande do Sul possuem papel estratégico na produção nacional de soja e costumam figurar entre os maiores produtores do país em anos de clima favorável. Além disso, o Rio Grande do Sul ocupa posição de destaque como principal produtor brasileiro de milho de verão.
Centro-Norte brasileiro concentra os maiores desafios
Enquanto o Sul pode ser beneficiado, o cenário é menos favorável para a metade norte da América do Sul. O El Niño normalmente reduz o volume de chuvas durante a primavera e o verão nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste brasileiro.
Esse comportamento aumenta o risco para importantes estados produtores de soja, como Mato Grosso, Goiás e Bahia, onde a menor disponibilidade de umidade pode comprometer o desenvolvimento das lavouras.
A temporada 2023/24 serve como exemplo recente desse impacto. Naquele ciclo, a irregularidade das chuvas provocou perdas expressivas de produtividade, principalmente em Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil.
Apesar dos efeitos positivos esperados no Sul, o peso da produção agrícola do Centro-Norte brasileiro pode ser determinante para o resultado final da safra nacional, especialmente no caso da soja e do milho.
Segunda safra de milho também entra no radar
Os reflexos do El Niño podem ir além da safra de verão. Caso a falta de chuvas provoque atraso no plantio da soja, o calendário da segunda safra de milho poderá ser postergado.
Esse atraso aumenta o risco de que o desenvolvimento do milho ocorra em um período com menor disponibilidade hídrica durante o outono e o início do inverno, reduzindo o potencial produtivo da chamada safrinha.
Trigo argentino pode ganhar competitividade
Entre as culturas beneficiadas pelo fenômeno também está o trigo argentino.
Historicamente, a Argentina apresenta melhora significativa nas condições de cultivo durante episódios de El Niño, graças ao aumento da frequência e da regularidade das chuvas ao longo do ciclo da cultura.
Esse ambiente favorece o estabelecimento das lavouras, melhora o enchimento dos grãos e amplia o potencial de produtividade.
Após anos marcados por estiagens associadas à neutralidade climática ou ao La Niña, o retorno do El Niño costuma permitir recuperação da produção argentina e aumento do excedente exportável, fortalecendo a presença do país nos mercados internacionais, especialmente na América do Sul e no Norte da África.
Mercado internacional acompanha Brasil e Argentina
No Hemisfério Norte, os impactos do El Niño sobre as produções de soja e milho tendem a ser limitados, sem histórico consistente de alterações significativas nas condições climáticas dos principais países produtores.
Por esse motivo, durante anos de El Niño, o mercado global concentra sua atenção nas safras do Hemisfério Sul, principalmente em Brasil e Argentina, responsáveis por parcela expressiva da oferta mundial de grãos.
No caso do trigo, o equilíbrio entre possíveis perdas de produção na Austrália e os ganhos esperados na Argentina será um dos fatores que poderá influenciar a dinâmica do mercado internacional.
Segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, os principais efeitos climáticos devem permanecer concentrados na América do Sul.
“Os impactos esperados do El Niño nas safras de soja e milho concentram-se principalmente no Hemisfério Sul. A tendência de chuvas acima da média durante a primavera e o verão na metade sul da América do Sul favorece as lavouras no Sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, a redução das chuvas na metade norte do continente pode comprometer o plantio, o desenvolvimento das lavouras e até mesmo a segunda safra de milho no Centro-Norte brasileiro”, afirma o especialista.
Clima volta a ser fator decisivo para o agronegócio
Com a consolidação do El Niño prevista para os próximos meses, o comportamento climático passa a ser um dos principais elementos de monitoramento para produtores, tradings e investidores.
Enquanto parte da América do Sul poderá colher os benefícios de um regime de chuvas mais favorável, importantes regiões agrícolas brasileiras enfrentarão maior risco de déficit hídrico, tornando o acompanhamento das condições climáticas fundamental para as projeções de produção e para o comportamento dos mercados de soja, milho e trigo ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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El Niño volta ao radar do mercado de café e pode influenciar oferta global nas próximas safras
A confirmação de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu a atenção do mercado internacional de café. Embora a produção brasileira da safra 2026/27 não deva sofrer impactos relevantes, especialistas avaliam que as alterações climáticas poderão afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo e influenciar as perspectivas de oferta nos próximos ciclos.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a cafeicultura dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do momento em que ocorre dentro do calendário agrícola de cada país. Por isso, os impactos tendem a variar entre as diferentes origens produtoras.
Safra brasileira 2026/27 segue com perspectiva positiva
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não registre perdas significativas em decorrência do fenômeno climático.
Segundo a Hedgepoint, o estágio atual das lavouras reduz os riscos imediatos para a produção nacional. Ainda assim, um outono e inverno com maior volume de chuvas podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade do mercado ao longo dos próximos meses.
Mesmo sem expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade da safra atual, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño durante o segundo semestre.
Florada da safra 2027/28 entra no foco do mercado
Se a produção da temporada atual inspira maior tranquilidade, a mesma situação não se aplica ao próximo ciclo produtivo.
A Hedgepoint alerta que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas durante o período de florada poderão influenciar o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.
A fase de floração é considerada uma das mais importantes para a definição da produtividade dos cafezais. Qualquer irregularidade climática nesse período pode comprometer a formação dos frutos e alterar as estimativas futuras de produção.
América Central e Sudeste Asiático concentram maiores riscos
Enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos limitados no curto prazo, outras importantes regiões produtoras apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do El Niño.
Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, países da América Central e do Sudeste Asiático podem sofrer alterações climáticas capazes de prejudicar tanto a safra 2026/27 quanto a temporada 2027/28.
Essas regiões desempenham papel estratégico no abastecimento global de café, especialmente na produção de grãos arábica e robusta, o que faz com que qualquer redução na oferta seja acompanhada com atenção pelos mercados internacionais.
Clima seguirá como principal variável para os preços
Com a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, operadores, exportadores e produtores deverão manter atenção redobrada à evolução das condições climáticas nas principais origens produtoras.
Embora o cenário atual não indique prejuízos relevantes para a produção brasileira desta temporada, o mercado continua precificando riscos relacionados às próximas safras, uma vez que o equilíbrio entre oferta e demanda mundial depende diretamente das condições meteorológicas.
Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do fenômeno varia conforme a região e o período do ano em que atua.
A especialista explica que, no Brasil, a safra 2026/27 deve ser preservada, mas o andamento da colheita e, principalmente, a florada da safra 2027/28 exigirão acompanhamento constante. Já em países da América Central e do Sudeste Asiático, os efeitos do El Niño poderão ser mais intensos, afetando a produção nas duas próximas temporadas.
Diante desse cenário, o clima permanece como um dos principais fatores de formação das expectativas para o mercado global de café, influenciando decisões de comercialização, investimentos e projeções para a oferta mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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