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EMPAER ensina agricultores a fabricar defensivos agrícolas

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Foram apresentadas aos agricultores maneiras naturais de eliminar da lavoura pragas e fungos que comprometem a qualidade dos legumes, verduras e outros alimentos

Dezoito produtores rurais participaram de uma demonstração prática de como fazer defensivos agrícolas naturais como, por exemplo, calda bordalesa e biofertilizante orgânico. A demonstração foi feita na Comunidade Novo Caminho, no município de Nova Canaã do Norte (a 699 km ao Norte de Cuiabá). O técnico agropecuário da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Cícero Pereira do Nascimento, fala que o objetivo foi disponibilizar novas tecnologias de baixo custo e de fácil manuseio ao produtor rural.

Ele explica que esses insumos são feitos com sulfato de cobre e cal virgem que, diluídos em água, são transformados na calda bordalesa. O produto é recomendado para o controle de doenças fúngicas em hortas e pomares. “O uso é permitido na agricultura orgânica. O sulfato de cobre é um produto pouco tóxico e melhora o equilíbrio nutricional das plantas”, esclarece.

Obter produtos agrícolas mais saudáveis isentos de contaminação por defensivos químicos, reduzir o custo de produção e aumentar a lucratividade foram alguns dos pontos de destaque para a demonstração prática realizada na área do produtor rural João Antônio da Silva Filho. Numa área de 25 hectares, o produtor possui horta e pomar de laranja, limão e poncã e já utiliza a calda bordalesa de forma eficaz no combate a fungos e pragas.

Segundo Cícero, foram apresentadas aos agricultores maneiras naturais de eliminar da lavoura pragas e fungos que comprometem a qualidade dos legumes, verduras e outros alimentos que são produzidos. Durante a demonstração foi entregue aos produtores um material elaborado pelos técnicos da Empaer, trazendo o passo a passo de como deve ser preparada a calda, além de recomendar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) necessários para o manuseio dos elementos químicos.

O material elaborado pelos técnicos é didático e possui diversas receitas. São compostos preparados pelo agricultor, não são tóxicos e de baixo custo, como calda de cal e cinzas, alho, fumo, sabão e outras utilizadas para combater insetos, formigas, lagartas, lesmas, pulgões e etc. O material também possui, informações sobre diversos biofertilizantes orgânicos. “Os inseticidas naturais podem ser preparados a partir de plantas ou minerais não tóxicos à saúde humana e ao ambiente”, ressalta Nascimento.

O público alvo dessa demonstração prática foram agricultores que comercializam suas produções por meio de associações das quais fazem parte. Cícero comenta que todas as quartas-feiras da semana, os agricultores se organizam na feira para que possam vender a sua produção, além de comercializarem para o Programa de Aquisição de Alimentos (PPA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Mais informações:

Sobre a produção de caldas e biofertilizantes, ACESSE AQUI o material didático sobre defensivos agrícolas orgânicos.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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