CUIABÁ

GIGANTE DA PRODUÇÃO

Enquanto Brasil diminui produção de soja, Mato Grosso aumenta

Estado deve chegar próximo de 40 milhões de toneladas de soja produzida, enquanto Goiás vem em segundo com pouco mais de 16

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Panorama nacional acompanha Mato Grosso na expansão de área produzida, mas fica atrás na expectativa de produção
Em Mato Grosso, a área cultivada em soja é de 10,90 milhões de hectares, superando em 4,1% a da safra anterior, de 10,47 mi/ha.

No Brasil, a área cultivada também expandiu, mas a produção de soja está em queda, enquanto Mato Grosso aumenta o volume produzido.

A informação é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que a divulgou os números, nos últimos dias, por meio de um boletim de estimativa de safra.

Segundo a Conab, o Brasil cultivou 39,95 milhões de hectares (mi/ha) de soja na safra 2020/21, e na safra em curso, existe 40,98 mi/ha, com expansão de área de 4,6%.

Esse incremento, contudo, não se reverterá em mais grãos, em razão da queda na produtividade. No ano agrícola anterior, a média da produtividade nacional foi de 3.525 quilos de soja por hectare e, no atual, 3.032.

O documento da Conab aponta que a produção brasileira de soja terá redução global de 10,1%, devendo cair de 138,15 milhões de toneladas (mi/t) para 124,26 mi/t.

A produtividade da leguminosa mato-grossense, todavia, é aguardada em 3.735 quilos por hectare, um aumento de 7,2%, no comparativo com o ano agrícola anterior, que registrou 3.485 sacas por hectare.

A lavoura da soja está presente em praticamente todos os municípios de Mato Grosso, com destaque para Sorriso, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Diamantino, Nova Ubiratã, Nova Mutum, Campo Verde, Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde, Campos de Júlio, Itiquira, Paranatinga,  Parecis, Diamantino, Nova Ubiratã, Nova Mutum, Campo Verde, Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde, Campos de Júlio, Itiquira, Paranatinga, Querência, Canarana, Brasnorte, Ipiranga do Norte, Tapurah, São Félix do Araguaia, Porto dos Gaúchos, Sinop, Gaúcha do Norte, Santa Rita do Trivelato e Alto Taquari.

A cadeia produtiva da soja é o carro-chefe da economia estadual e inclui indústrias de esmagamento e envasamento de óleo, com polos industriais em Sorriso, Sinop, Rondonópolis, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Primavera do Leste.

O complexo soja, que inclui a leguminosa in natura e o farelo de soja, é o principal item da pauta de exportação de Mato Grosso, e em razão desse volume de produção, a Rumo Logística opera em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), na Ferrovia Senador Vicente Vuolo, o maior terminal ferroviário de cargas agrícolas da América Latina, onde são embarcadas commodities para o porto de Santos

ESTADOS – Enquanto Mato Grosso deve chegar próximo de 40 milhões de toneladas de soja produzida, o segundo maior produtor estadual de soja é Goiás, com 16,03 mi/t.

Em ordem decrescente, Paraná, com 12,25 mi/t; Rio Grande do Sul, com 9,11 mi/t; e Mato Grosso do Sul, com 8,8 mi/t.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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