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Japão visita Mato Grosso para conhecer detalhes sobre origem da madeira nativa

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O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem) recebeu na última sexta-feira (28) Taiji Fujisaki, da Área de Recursos Naturais e Serviços Ecossistêmicos do governo do Japão. Durante a reunião foi foram apresentadas diversas informações sobre o modelo de Manejo Florestal Sustentável desenvolvido em Mato Grosso, demonstrando aspectos da legislação ambiental (em nível federal e estadual), do modelo de licenciamento e da forma de operação do setor. O interesse do governo japonês é conhecer mais sobre a origem da madeira ofertada pelo estado para o mercado internacional. Em continuidade dessa agenda, o Cipem também promoveu uma reunião com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), durante a qual, o secretário da pasta, André Baby, explicou os mecanismos enquadrados como comando e controle, que envolvem ações de monitoramento e fiscalização da exploração florestal. Na sequência, a chefe da unidade estratégica de transparência e geoinformação da Sema-MT, Adelaine Cezar, apresentou o novo portal de transparência da secretaria, que integra e disponibiliza, online e abertamente, diversas informações ambientais, incluindo as relativas ao setor de base florestal. “Temos procurado aproveitar oportunidades como esta para mostrar aos investidores e governos de outros países que Mato Grosso tem avançado na agenda ambiental, especialmente na conservação dos ativos florestais”, disse Baby.

De acordo com Fusisaki, o interesse do governo japonês está previsto no projeto Lei da Madeira Limpa – The Clean Wood Act, cujo objetivo é promover o uso e a distribuição de madeira e produtos madeireiros de árvores colhidas em conformidade com as leis e regulamentos do Japão e dos países de origem. “O que vimos aqui é coisa de primeiro mundo, serve de exemplo para muitos países. Quando estamos longe, não temos ideia de que existe todo esse rigor e controle. Estou realmente impressionado”, relatou Fujisaki. Em 2015, o Japão era o quarto maior importador mundial de madeira e produtos de madeira, depois da China, Estados Unidos e União Europeia, e foi o terceiro maior importador de móveis de madeira. Até 2010, a madeira mato-grossense também era bastante demandada pelos japoneses. Esse interesse diminuiu nos últimos anos e, agora, há uma expectativa de retomada. “É extremamente produtivo quando temos a oportunidade de mostrar a um país o modo como trabalhamos para garantir uma madeira com origem confiável e sustentável. Isso recompensa todos os esforços que desempenhamos para manter o árduo trabalho do setor de base florestal de Mato Grosso”, frisou o presidente do Cipem, Rafael Mason. No início de novembro será a vez de Mato Grosso visitar o Japão, atendendo ao convite feito para que o Cipem participe do encontro anual do Conselho Internacional das Madeiras Tropicais (ITTO). No evento, o diretor do Cipem, Gleisson Tagliari, participará de um painel sobre iniciativas de promoção da madeira tropical no setor privado – uma oportunidade de colaboração, que visa mostrar as várias abordagens que estão sendo adotadas na promoção de produtos e subprodutos de madeira tropical. Ele também apresentará o potencial da indústria florestal mato-grossense no atendimento do mercado internacional de madeira com origem sustentável. Participam do encontro do ITTO, no Japão, representantes dos Estado Unidos, União Europeia, Gabão, Vietnã e China, entre outros.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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