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MT contraria dados nacionais e população ocupada cresce 11,2%

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Segundo relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP), foi observado no Brasil, uma redução relevante na População Ocupada (PO) no agronegócio. Especificamente no Centro-Oeste, aconteceu um movimento contrário, onde houve um aumento de 11,2% entre 2012 e 2018 com relação ao número de pessoas empregadas no setor, totalizando 1,7 milhão em 2018.

Figura 1 – Evolução da População Ocupada no Agronegócio entre os três primeiros meses de 2012 e o terceiro trimestre de 2018 no Brasil e Centro-Oeste, em milhões de ocupados Fonte: Cepea, com base nos dados da RAIS (antigo MTE) e PNAD-C (IBGE).

No relatório não foi considerado o Distrito Federal, os dados foram verificados por meio da edição especial do estudo sobre mercado de trabalho feito pelo Cepea.

Os pesquisadores do Cepea afirmam que 27,51% dos postos de trabalhos formais e informais existentes no Centro-Oeste em 2018 estavam relacionados ao agronegócio.

Quando a análise é realizada considerando a participação por estados, verifica-se um percentual 23,6% em Goiás e 30,55% em Mato Grosso do Sul – Figura 3A.  Em relação ao Mato Grosso o percentual foi ainda maior, chegando a 33,68% – Figura 2B.

Em razão disso, o agronegócio gerou R$ 3,65 bilhões do total de R$ 13,19 bilhões recebidos em salários na região, respondendo assim, por quase um terço do total de ocupados no Centro-Oeste, representando 27,66% de toda a massa de rendimentos gerada pelo trabalho em 2018.

Para a Professora Mestre do Departamento de Ciências Contábeis da UFMT – Campus de Rondonópolis Cleiva Schaurich Mativi, explica que o estudo apresenta dados de uma pesquisa desenvolvida com o devido rigor metodológico de cientificidade, que visa justamente produzir informações básicas para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País, possibilitado uma investigação contínua de indicadores sobre trabalho e rendimentos.

Ela ressalta também que realidade do agronegócio na região Centro-Oeste, em termos de pessoas ocupadas no setor, segue na contramão da situação no restante do Brasil, visto que os trabalhadores do campo, sejam eles empregados, trabalhadores atuando por conta própria ou empregadores.

Cleiva lembra que embora os resultados da pesquisa sejam promissores no aspecto analisado em relação a trabalho e renda nesta região, é preciso ter em mente que outros aspectos são determinantes para o crescimento econômico, o qual é o aumento sustentado de uma unidade econômica, cuja avaliação precisa ser feita pelo Produto Interno Bruto, neste caso, do Agronegócio.

Ainda segundo o estudo dos pesquisadores do Cepea, pode-se observar, ainda a evolução do rendimento médio do setor na região Centro-Oeste e em suas unidades federativas no período de 2012 a 2018.

O salário médio teve um aumento de 5,39% em termos reais para os trabalhadores do agronegócio, considerando-se empregados, trabalhadores atuando por conta própria e empregadores. Este percentual, evidencia sua robustez quando comparado ao rendimento médio da região para todos os setores da economia que teve um crescimento real de 1,84%.

Evolução dos rendimentos nominais médios do agronegócio no Centro-Oeste e os estados que o compõe, em R$ de 2018.
Fonte: Cepea, com base nos dados da RAIS (antigo MTE) e PNAD-C (IBGE).

Ao analisarem a dinâmica do crescimento entre os segmentos que compõem o agronegócio do Centro-Oeste, os pesquisadores puderam destacar em seu relatório compreensão sobre a expressiva contribuição que a pecuária e toda a cadeia processadora de proteína animal e subprodutos (abate, laticínios e couro) desempenharam para a evolução positiva dos empregos no setor no período analisado no estudo.

Nesse sentido, foi possível afirmar que o agronegócio contribuiu significativamente para o dinamismo do Centro-Oeste, gerando renda e, consequentemente, demanda não só para seus produtos, como também para bens e serviços ofertados por outros setores da economia, sendo recomendável, para uma compreensão mais ampla do desempenho do setor na região que se realize uma análise de dados acerca do Produto Interno Bruto do Agronegócio, buscando a interação com o comércio exterior.

Fonte: MinutoMT com CEPEA

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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