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PARCERIA | Distribuídas 17 mil mudas de árvores nativas e frutíferas do cerrado

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Cerca de 17 mil mudas de árvores nativas e frutíferas do cerrado foram distribuídas desde o dia 19 de setembro, quando teve início a parceria do projeto Verde Novo, do Juizado Volante Ambiental (Juvam) de Cuiabá, e a rede de postos de combustíveis Morada. A ação terminou no sábado (04/10) e foi considerada um sucesso pela coordenadora executiva do projeto, Bruna Bussato Zeni. “Não sei se é o calor ou a fumaça que cobre Cuiabá nesses dias, mas o fato é que a comunidade tem sido muito receptiva sobre a necessidade de rearborizar a cidade”, disse Bruna.

Durante as duas semanas da parceria, as mudas foram distribuídas em dez postos da Rede Morada na Capital. Para o supervisor da rede, que também ficou responsável pela logística do transporte das mudas, Luiz Galvan, toda iniciativa voltada para a preservação ou recuperação do meio ambiente é bem recebida e terá apoio da empresa. “Nosso desejo é que Cuiabá volte a ser conhecida como a Cidade Verde”, salientou Galvan.

Um dos motivos do sucesso dessa parceria foi a exposição das mudas na área interna dos postos de combustíveis, que diariamente recebem centenas de pessoas. Enquanto o carro está abastecendo, motoristas e passageiros saem dos veículos para olhar a exposição. Quando descobrem que a distribuição é gratuita, já colocam as mudas no carro e levam para casa. “É uma parceria muito produtiva porque o fluxo de pessoas nos postos é grande”, destacou Bruna.

E não faltou gente para elogiar a iniciativa e ressaltar a importância dela. Foi o caso do servidor público Ademar Júnior, que se surpreendeu ao ver que não precisaria pagar nada para levar as plantas para casa. Ele escolheu uma muda de goiaba e outra de tamarindo e até queria mais, mas como a procura era grande, foi necessário limitar a distribuição para duas unidades por pessoa.

Difícil era escolher apenas duas mudas entre tantas variedades. Quem preferiu as árvores frutíferas pode escolher entre mudas de tamarindo, cupuaçu, goiaba, mamão papaia, carambola, pitomba, acerola e até amora. Já para aqueles que queriam flores, as opções eram mini flamboyant, ipê branco, e ipê de jardim, com florada amarela.

O casal Durval e Cleide parou no posto para abastecer e aproveitou esse momento para escolher, cada um, duas mudas de plantas frutíferas, que seriam plantadas na chácara, onde eles passariam o final de semana. Já Osmira Giacomel estava indo mais longe, para Brasnorte, mesmo assim parou para levar uma muda de ipê branco. “Tenho um pesque-pague na beira do rio e vou plantar lá”, comentou.

Outras parcerias – A distribuição de mudas nativas continua no Goiabeiras Shopping até o dia 22 de outubro. O projeto Goiabeiras Sustentável acontece no piso 1. O Verde Novo também firmou parceria com o Rally Ecológico, que será realizado no dia 5 de dezembro. Nessa data, haverá plantio de mudas na MT-251, rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães. Serão plantadas 301 mudas nas margens da rodovia, em homenagem ao aniversário de 301 anos da Capital, comemorado em abril.

Verde Novo – O projeto é desenvolvido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Juvam, em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, Instituto Ação Verde e o Grupo Petrópolis, responsável pela doação das mudas de árvores nativas e frutíferas.

Até hoje o Verde Novo realizou mais de 373 ações e foram distribuídas e plantadas cerca de 81 mil mudas em diversos pontos de Cuiabá.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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