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Por que não concordamos com a União Europeia – BLAIRO MAGGI

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Nos últimos 30 anos, o Brasil aumentou a produção de carne de frango em 575%. Somos o segundo maior produtor e o maior exportador mundial do produto, atendendo a mais de 140 mercados e gerando 3,5 milhões de empregos no país.

Uma avicultura competitiva como a brasileira pode alarmar alguns países, e é direito de qualquer governo atuar em defesa de seus interesses. Entretanto essa proteção não pode ocorrer de forma desleal, tampouco desobedecendo às regras do comércio internacional.

É por isso que o Ministério da Agricultura questiona as barreiras impostas pela União Europeia ao frango brasileiro.

Para impedir a importação de frango a preço competitivo, a UE estabeleceu a cota de 21 mil toneladas de frango in natura (código 0207.14.00) do Brasil. Contudo, importadores europeus identificaram uma cota de 170 mil toneladas no item “outras carnes salgadas” (0210.99.00).

Dessa maneira, os produtores adicionavam uma pitada de sal (2% do peso do produto) e eram enquadrados na nova categoria, podendo exportar volumes maiores.

Com problemas de competitividade, a União Europeia proibiu, em 2002, a importação de frango como outras carnes salgadas.

O Brasil questionou a decisão na Organização Mundial do Comércio e saiu vitorioso. Os europeus foram, assim, obrigados a aceitar a importação de frango também por meio dessa cota maior.

Buscando inviabilizar o cumprimento da decisão, a União Europeia alterou suas normas sanitárias após perder a disputa. Para o frango in natura, continuou restringindo a presença de dois tipos de salmonela, como faz o Brasil.

Já para o frango com uma pitada de sal, que é como o Brasil ganhou o direito de exportar, os europeus fizeram uma sofisticada manobra e restringiram todos os 2.600 tipos de salmonela, micro-organismos naturalmente presentes nas aves, que são eliminados pelo cozimento.

É nessa regra, sem base científica, que se baseiam mais de 99% das acusações contra o frango brasileiro.

Assim, se quisermos usar a cota conquistada na OMC, ficamos sujeitos às exigências sanitárias adicionais. Por outro lado, quando se classifica o mesmo produto como carne de frango in natura, o Brasil pode exportar para a União Europeia sem nenhum problema, com os mesmos critérios sanitários que a maioria dos países aplica —mas aí temos de pagar a tarifa de €1.024 por tonelada.

A questão, portanto, não é sanitária. Se houvesse, de fato, problemas de segurança dos alimentos, a entrada jamais seria autorizada com o pagamento de uma tarifa. Do ponto de vista microbiológico, os dois tipos de frango são equivalentes, e não há base científica para tratamento diferenciado.

A União Europeia está usando regras sanitárias —que deveriam ser usadas para garantir a saúde da população— com o objetivo de criar barreira comercial ilegal e descumprir decisão da OMC.

O Brasil tem sido implacável na prevenção e repressão de crimes contra a sanidade dos alimentos, punindo indivíduos e empresas que não cumpram os padrões de conformidade. Não podemos admitir que os nossos esforços para garantia da segurança dos alimentos sejam usados contra o Brasil.

Portanto, defendemos a abertura de um painel na Organização Mundial do Comércio contra as barreiras impostas pela União Europeia ao frango brasileiro.

Sabemos que o processo não será fácil nem rápido, mas o Ministério da Agricultura enfrenta os desafios com confiança —não apenas na busca contínua pela qualidade dos alimentos, mas também na defesa do Brasil nos mercados internacionais.

Blairo Maggi
É ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento desde maio de 2016 (PP-MT); foi senador (2011-2016) e governador de Mato Grosso (2003-2010)

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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