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Produtores rurais apostam em capacitação enquanto aguardam chuva

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Com o fim do vazio sanitário, produtores rurais de Mato Grosso dependem somente da chuva para iniciar o plantio da soja – safra 2020/2021. Enquanto aguardam as precipitações, a demanda por qualificação tem aumentado. Entre agosto e setembro, mais de oito cursos foram realizados nos Centros de Treinamento (CT) em Sorriso e Campo Novo do Parecis, que retomaram as atividades recentemente após suspensão devido a Covid-19.

Dentre as capacitações demandadas estão a utilização de tratores e plantadeira, operação e regulagem de implementos agrícolas para semeadura e aplicação de defensivos agrícolas utilizando pulverizador autopropelido. De acordo com o supervisor dos CTs, Fábio Pires, os treinamentos visam toda a safra. “O objetivo não é apenas o plantio, mas todos os tratos culturais que envolvem o ciclo da soja”.

Anderson Fallero, 21, realizou três cursos no CT de Sorriso e conseguiu – há mais de um mês – entrar no mercado de trabalho do agronegócio. Na fazenda, o jovem atualmente ajuda na preparação do solo e está ansioso pela sua primeira safra da soja. “Era uma área que eu queria trabalhar e o pessoal está me dando oportunidade para auxiliar com o carregamento e com o maquinário”.

Parceira no CT de Campo Novo do Parecis, a empresa Pampa Soluções Agrícolas contribuiu para a capacitação de cerca de 80 operadores de máquinas. A empresa também notou aumento na venda de maquinários. São 200% a mais em relação a venda de plantadeiras e colheitadeiras na safra 2019/2020. O demonstrador especialista, José Pedro Durigon, acredita que dentre as motivações esteja o período curto para plantio.

“Hoje temos uma janela de plantio curta – de 30 a 45 dias – e os produtores tentam otimizar o tempo e o espaço, por isso, procuram máquinas modernas aliadas à agricultura de precisão, que consigam suprir a demanda”.

Com propriedades em Lucas do Rio Verde e em Nova Guarita, o produtor rural Antônio Fraga Lira está aproveitando o período seco para promover capacitação para os funcionários. “A tecnologia está melhorando a cada dia e a produção está aumentando, por isso, a capacitação é importante para acompanhar essa evolução das máquinas.”

Também presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, o produtor está com tudo pronto, aguardando apenas São Pedro. “A plantadeira, a terra e as sementes já estão preparadas e estamos na torcida para que as chuvas venham logo. Se Deus quiser a chuva virá no tempo certo e teremos uma produção boa. Que São Pedro nos ajude!”.

Expectativas – Segundo o Climatempo, as primeiras chuvas consideráveis em Mato Grosso chegarão a partir do dia 20 e o clima tem afetado as pesquisas no setor. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) preveem produção estimada de R$35,18 milhões com produtividade de 57,45 sacas por hectare. Há previsão de aumento de 2,23% da área plantada em Mato Grosso atingindo 10,21 milhões de hectares.

Produtor rural em Nova Mutum e presidente do Sindicato Rural local, Emerson Zancanaro, pretende iniciar o plantio entre 26 e 30 de setembro e as expectativas para esta safra são boas. “O único desafio vai ser a instabilidade climática até por volta de 15 de outubro, porque em relação a preços e comercialização, as expectativas são excelentes.”

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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