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EFEITOS DA GUERRA

Jovem de MT interrompe sonho no futebol para fugir da Ucrânia

Atleta conseguiu entrar na Polônia, onde aproveitou a carona de avião da Força Aérea Brasileira para voltar à Várzea Grande.

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Jovem Willian Peraçoli, de 19 anos, narrou dias de agonia no leste europeu

O várzea-grandense Willian Peraçoli, 19 anos, sempre teve o sonho de ser um jogador de futebol. Já passou por diversas peneiras e escolinhas do Brasil, e recentemente, estava aventurando no mundo, mais precisamente na Ucrânia.

O jovem acabou tendo o sonho interrompido por conta da guerra. Willian contou que estava lá a convite de um empresário brasileiro. “Ele me viu jogar aqui, gostou e me convidou para participar do time dele lá na Ucrânia, isso foi em 2021”.

Ao ser apresentado ao projeto, Willian não pensou em outra coisa e foi até o país europeu para concretizar o sonho de ser um jogador de futebol profissional. A família apoiou, já que não era a primeira vez que ele saía de casa para tentar realizar o sonho.

“Eu fiquei uns 4 meses na Ucrânia. Depois disso foram três meses fora, para amistosos. Fomos para a Hungria fazer amistoso, ficamos um tempo na Polônia também, e voltamos para a Ucrânia agora em janeiro”, relata.

“É uma cultura muito diferente. Lá é muito difícil ter carne vermelha. É mais frango, carne de porco, peixe. Fora o frio e a língua que era muito difícil. Eu não aprendi, só o básico como ‘bom dia, boa tarde’. Só para cumprimentar o pessoal”, conta.

“Quando a gente soube da guerra lá na Ucrânia, o pessoal lá não ficava preocupado, já que essa guerra há vários anos. Então, se eles que moram lá estão assim, a gente no começo também não se preocupava”, explica.

No dia que a guerra começou, em 24 de fevereiro, Willian disse que o instrutor do seu time havia preparado uma van para que ele e seus colegas pudessem ir até a Polônia para fugir. O trajeto foi bastante difícil e demorado. Um trecho, que demoraria apenas 1 hora até Medyka, demorou mais de 4 horas de viagem.

“Nós tivemos que andar um trecho à pé até a fronteira e esperamos mais de 30 horas lá para conseguirmos passar. Era muita gente querendo ir embora”,relata.

Já na Polônia, passado todo o tumulto, Willian ficou em um hotel por alguns dias e aproveitou a carona de um avião da Força Aérea Brasileira, que o trouxe de volta para os braços dos pais, em Várzea Grande.

“O sonho do futebol não vai acabar. Vou continuar me esforçando, fazendo os testes, mas dessa vez eu quero ficar aqui no Brasil, não tão longe da família e em um lugar mais seguro”, conta.

 

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Mato-grossense que vive na Ucrânia narra dias de agonia

Entre os relatos estão problemas com transporte público, dificuldade para sacar dinheiro e escassez de alimentos.

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Sidney dos Santos Junior, de 23, tem usado suas redes sociais, nos últimos dias, para compartilhar a rotina em meio à guerra

Vivendo na Ucrânia há quatro anos, o mato-grossense, Sidney dos Santos Junior, de 23, tem usado suas redes sociais, nos últimos dias, para compartilhar a rotina em meio à guerra no país do leste europeu, após o ataque russo.

Estudante de Medicina, o jovem mora atualmente na cidade de Dnipropetrovsk e, apesar de ainda não ter visto nenhum dos ataques na cidade, tem vivido na pele os transtornos causados pelo conflito.

Entre os relatos estão desde problemas com o transporte público, dificuldade para sacar dinheiro nos bancos à escassez de alimentos nas prateleiras dos supermercados.

Em alguns dos stories publicados no Instagram, Sidney mostrou as prateleiras parcial ou totalmente vazias do maior supermercado da cidade – um prédio de três andares.

“Nos mercados as filas estão gigantescas. Aí chega uma pessoa e já pega praticamente todo o alimento para estocar. Tudo está difícil por aqui”, afirmou.

Outro relato compartilhado com seus seguidores foi o episódio em que foi abordado polícia secreta ucraniana quando estava a caminho de casa. Segundo o jovem, os oficiais vasculham as ruas à procura de infiltrados russos.

Em conversa com o site MidiaNews, Sidney explicou como tudo aconteceu. “Eu fiquei uma hora esperando o trem para ir para casa e como ele não vinha eu decidi voltar de a pé”.

O jovem tomou essa decisão mesmo diante da proibição de andar na rua após o toque de recolher. “Às 20h bate a sirene e não tem mais como ir para casa, nem sair”, disse.

O estudante foi abordado por cinco policiais encapuzados enquanto falava ao telefone com a mãe. “O cara já chegou metendo a arma no meu peito, um movimento errado que eu fizesse ali e ele me matava”, desabafou.

Ele se apresentou como um estudante de Medicina de nacionalidade brasileira e, depois de ter seus documentos avaliados, foi liberado. “Levei um susto, foi uma experiência traumatizante”.

Tamanho foi o impacto da abordagem que ele decidiu dormir em um ciber-café para não correr o risco de um novo encontro com a Polícia. “Tive que dormir lá, sentando”.

A revolta com os impactos da guerra

O estudante conta que as estações de trem estão lotadas e que passageiros brigam para conseguir lugares nos vagões. Ele tentará sair do País ainda esta noite, ou amanhã pela manhã a depender da situação.

Seu primeiro destino pretendido é a Romênia, um dos países que fazem divisa com a Ucrânia. Depois, possivelmente, tentará ir para o Canadá, para onde pretendia se mudar após concluir a faculdade.

O estudante cursava o décimo semestre de Medicina e, faltando pouco mais de um ano para a conclusão dos seus estudos, teve as aulas suspensas.

“Eu estava aqui de boa estudando, quase formado. Eu ia me formar e tentar ir para o Canadá construir um futuro, construir uma vida. E do nada uma guerra. O que eu tenho é raiva, estresse e tristeza perante essa situação, esse é o meu sentimento”, desabafou.

Segundo o jovem, o que lhe desperta certo medo é a possibilidade de um ataque nuclear após as ameaças do presidente russo.

Cidades desertas e homenagens

Sidney contou que não perdeu ninguém próximo, mas isso não aconteceu por pouco. Um amigo que mora na mesma cidade que ele teve a casa atingida por um míssil.

“A sorte é que ele não estava em casa, estava em um abrigo antibombas. Mas se estivesse na casa, teria morrido”, disse.

Em outros registros feitos pelo rapaz em sua rede social é possível ver rosas deixadas aos pés de monumentos erguidos em homenagem a militares.

“A gente pode ver que os ucranianos são um povo que tem um amor muito grande pelos militares deles”, diz enquanto mostra o buquê. “O povo ucraniano é um povo que tem um amor muito profundo pelo seu País”.

Confira as demais publicações do estudante em sua página do Instagram.

Veja:

 

 

 

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