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Aliados de Pátio tentam manobra, mas G14 avança por antecipar escolha de nova mesa

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Com muita discussão, uma boa dose de polêmica e até suspensão temporária dos trabalhos diante do clima, os 14 vereadores unidos pela antecipação da escolha da nova mesa diretora da Câmara de Vereadores de Rondonópolis conseguiram aprovar, já na noite desta quarta-feira (28), a urgência da matéria.

O texto, de autoria do vereador Investigador Gerson (MDB), define para a semana seguinte à segunda votação em plenário, o que começa a contar a partir da próxima sessão ordinária, a eleição interna que tem tudo para colocar o petista, Júnior Mendonça (PT), no comando do legislativo no biênio 2023/2024.

A surpreendente articulação, que é cercada de intensos debates e que chama a atenção da classe política e imprensa até de fora da cidade, teve seu mais novo capítulo com o vereador, Roni Cardoso (PSD), tentando encontrar uma brecha para “adiar a antecipação”, por mais contraditória que a frase pareça.

Roni propôs uma emenda cravando a data de 17 de dezembro para que ocorresse a votação e recebeu o aval da Comissão de Constituição e Justiça – CCJ, comandada por Jonas Rodrigues, outro que, assim como o proponente, não faz parte do G14.

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O atual presidente da Câmara de Vereadores, Roni Magnani (SD), acolheu a alteração proposta pelo xará, mas diante da manifestação de Gerson, autor primário da matéria, que argumentou sobre a modificação de conteúdo, a questão foi levada a plenário, que acabou derrubando a investida de Cardoso.

Embora há quem diga que o caso possa até parar na Justiça, o dia foi de mais um passo rumo a uma reviravolta que pegou até o experiente prefeito, Zé do Pátio (SD), de surpresa. Absoluto na Casa de Leis até poucos dias, com 17 dos 21 vereadores considerados “aliados”, o embate atual tem conotado como um enfraquecimento do gestor frente ao legislativo local.

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Pátio e Mauro se revoltam com ações de socorro econômico de Bolsonaro

Elevação do Auxílio-Brasil para R$ 600, voucher de R$ 1.000,00 para caminhoneiros e outras medidas irritaram governador e prefeito

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O prefeito é defensor declarado do retorno de Lula ao comando do país, já o governador diz ser bolsonarista, mas não tem economizado em críticas ao atual presidente. FOTO - Antônio Carmelo

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) e o prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (PSB), cada dia mais próximos e trocando “carícias verbais” na imprensa, detonaram o Congresso Nacional e o Governo de Jair Bolsonaro (PL) pela aprovação da PEC 01/2022, que abriu, nesta semana, R$ 40 bilhões de créditos no orçamento da União para conceder aumento ao programa Auxílio Brasil e outros benefícios sociais.

Para o governador, não passa de “mais uma medida eleitoreira”, em virtude de ter sido aprovada a apenas três meses das eleições. “É muito ruim você ver o governo federal, nas vésperas de eleição, não só o Executivo, mas todo o Congresso, pensando apenas num jeito de ganhar um ‘votinho’. Isso é muito ruim, isso quebra a sociedade brasileira, isso quebra o nosso país, quebra o nosso estado. Ou você faz um trabalho sério, honesto, verdadeiro, ou a gente vai pro buraco”, afirmou Mauro, em entrevista nesta sexta-feira (1º), causando estranheza, sobretudo após o próprio Bolsonaro surgir publicamente para dizer que caminhará lado a lado ao gestor estadual nas eleições 2022.

Entre as medidas aprovadas, dentro de um pacote de “socorro econômico”, para minimizar sobretudo  efeitos da pandemia, está previsto reajuste de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil (ex-Bolsa Família), aumento de R$ 53 para R$ 120 do vale-gás, criação do auxílio-caminhoneiro de R$ 1 mil e criação de um auxílio para taxistas, com custo de R$ 2 bilhões.

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Para Mauro, que não costuma colocar a população mais carente como pauta de suas ações, o momento é o pior possível, pois o Governo Federal está sem capacidade para investimentos e, ainda assim, amplia a assistência social. “Eu sempre critiquei e vou continuar criticando medidas eleitoreiras, medidas de cunho eleitoral sem planejamento, sem lastro na capacidade real, sem lastro numa política pública de médio e longo prazo. O governo federal hoje não consegue fazer nada de investimento”, atacou o governador.

Mauro, na verdade, está em uma espécie de “guerra fria” com Bolsonaro desde que o presidente conseguiu aprovar no mesmo Congresso Nacional, nos últimos dias, um teto máximo de 17% ao ICMS, imposto estadual que representa próximo de 90% da sua arrecadação. Mendes terá que reduzir em 6%, por exemplo, a incidência tributária sobre a gasolina e, ao todo, perderá mais de R$ 1 bilhão de recursos que recolheria do bolso do cidadão.

Mendes até foi orientado a segurar os ataques a Bolsonaro em virtude do ano eleitoral, todavia, o governador se sente absoluto e diante da inércia da oposição em lançar um nome competitivo não vê mais necessidade de ter o apoio do presidente para garantir sua reeleição e decidiu “chutar o balde” e vem chamando de “manobra” todas as recentes atitudes do mandatário nacional.

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“Se tivesse feito esse planejamento lá atrás, em 2021, aprovado pra esse ano, eu não estaria fazendo essa fala. Agora, de última hora, 3 meses antes da eleição, é achar que o povo é bobo também, né. O povo não é bobo. Hoje em dia o cidadão eleitor está muito esperto (…) O que salva esse país é um trabalho sério, honesto e competente. Fora disso, é papagaiada, é medida eleitoreira”, esbravejou o governador.

Já o prefeito Zé do Pátio (PSB), que comanda a maior cidade do interior de Mato Grosso, também tratou de criticar. O que chamou atenção, contudo, é que Pátio, defensor assíduo de Lula (PT), principal ameaça ao projeto de reeleição de Bolsonaro, teve muito mais cuidado de criticar do que o próprio Mendes, que se diz aliado bolsonarista.

“Não posso aqui deixar de colocar uma dúvida no ar, com esses projetos de emenda constitucional que estão acontecendo em Brasília. Que na minha opinião está comprometendo a receita dos municípios e pode comprometer sim os interesses da sociedade mato-grossense neste momento. Nós não podemos fazer demagogia por dinheiro com a receita dos municípios. E isso está acontecendo (…) Estamos vendo algumas atitudes em Brasília que têm que ser questionadas”, sinalizou Pátio, sem utilizar palavras mais fortes, feito o governador.

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