RACHADURA INTERNA
PSD vê crescer pressão contra projeto de Natasha ao governo
Bastidores do partido apontam preocupação com desempenho nas pesquisas e impacto na reeleição de Carlos Fávaro
ESPIA AÍ
A insistência do PSD em manter a pré-candidatura de Natasha ao Governo de Mato Grosso acendeu um sinal de alerta nos bastidores do partido. Após mais de um ano de pré-campanha, o projeto majoritário não conseguiu ganhar força e, segundo avaliações internas, apresenta dificuldade para crescer nas pesquisas e ampliar presença no interior do Estado.
Nos bastidores da sigla, lideranças avaliam que a candidatura ainda não demonstrou capilaridade suficiente para se consolidar como competitiva na disputa ao Palácio Paiaguás.
O cenário ficou ainda mais delicado após a divulgação de informações de que o irmão de Natasha atua como CEO das empresas ligadas ao atual governador, Otaviano Pivetta. A revelação provocou desconforto dentro do PSD, principalmente porque integrantes do partido afirmam que desconheciam a relação.
Internamente, o episódio aumentou questionamentos sobre a independência política do projeto e gerou desgaste entre aliados, que passaram a cobrar mais transparência nas articulações da pré-candidatura.
A preocupação também atinge diretamente o senador Carlos Fávaro, que deve disputar a reeleição ao Senado em 2026. Dentro do partido, há avaliação de que uma candidatura fragilizada ao governo pode acabar afetando o desempenho de outras chapas majoritárias e proporcionais.
Nos bastidores, integrantes do PSD defendem que o partido reavalie a estratégia eleitoral antes das definições do próximo ano. A principal preocupação é evitar que o desgaste do projeto majoritário acabe comprometendo a montagem das chapas de deputado estadual e federal, além da disputa ao Senado.
ESPIA AÍ
Assembleia de MT tem uma das maiores estruturas do país
Levantamento da Folha de S.Paulo coloca Assembleia de Mato Grosso em 2º lugar no número de cargos comissionados por parlamentar
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aparece entre as casas legislativas estaduais com maior número de cargos comissionados do país. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que o Legislativo mato-grossense possui 3.168 servidores comissionados para apenas 24 deputados estaduais, média de 132 cargos por parlamentar.
O número coloca Mato Grosso na segunda posição nacional, atrás apenas da Assembleia Legislativa de Goiás, que registra média de 143 comissionados por deputado.
A reportagem da Folha analisou dados disponíveis nos portais de transparência das assembleias legislativas do país e apontou que, entre os 18 estados com informações completas, 14 possuem proporção de comissionados superior à da Câmara dos Deputados, em Brasília.
No caso da ALMT, a Casa afirmou em nota que a estrutura “não se trata de organização ilimitada ou superdimensionada”, mas de um modelo previsto legalmente e submetido a controles internos e externos.
O levantamento também traz questionamentos sobre o impacto do excesso de cargos temporários no funcionamento das assembleias.
Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que estruturas muito inchadas aumentam o risco de práticas como funcionários-fantasmas e rachadinhas, além de dificultarem o controle da produtividade dos servidores.
O cientista político Ernani Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirmou ao jornal que o alto número de assessores se tornou um “ativo político” para deputados estaduais.
Já o advogado Leandro Mello Frota, especialista em direito administrativo, afirmou que o excesso de cargos de confiança pode representar uma forma indireta de driblar o acesso via concurso público.
Segundo a reportagem, não existe hoje uma regra nacional que estabeleça limite objetivo para contratação de comissionados em assembleias estaduais. O entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) é de que deve haver proporcionalidade entre cargos de confiança e servidores efetivos.
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