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CONVERSÃO ELEITORAL

Sem ficar vermelho, Mauro se derrete por Bolsonaro em Cuiabá

A grande explicação, segundo muitos bolsonaristas que assistiam incrédulos a fala de Mendes, são pesquisas de intenção de voto

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De olho em votos bolsonaristas, o governador que passou a pandemia tacando pedras agora estende a mão cheia de flores ao presidente

Ou o governador de Mato Grosso sofre de um grau de bipolarismo ainda não conhecido pela ciência ou o homem que discursou hoje (19) para evangélicos, em eventos com a presença do presidente, Jair Bolsonaro (PL), não é o mesmo que se juntou a governadores de esquerda para enxotar publicamente o comandante do Governo Federal durante a pandemia e nas discussões sobre o ICMS dos combustíveis.

A grande explicação, segundo muitos bolsonaristas que assistiam incrédulos a fala de Mauro, são pesquisas de intenção de voto que demonstram força absoluta de Bolsonaro no estado. Há quem diga que todas as estatísticas demonstram que somente uma coisa pode tirar a reeleição de Mendes em Mato Grosso: um candidato que surja com o apoio direto do presidente da República.

Diante deste cenário e sentado em cima do instinto de sobrevivência, Mauro falou como um autêntico bolsonarista, a quem chegou a criticar o “modelo mental” e externou que o presidente lhe honrava com a presença, afiançando que o “Estado estará ao lado do nosso presidente, para que nos dê uma grande vitória”, disse o governador, que alertou a todos sobre a importância de diferenciar as “trevas” do “caminho do futuro”.

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“Estamos muito orgulhosos do trabalho que o senhor (Bolsonaro) está fazendo, desse resgate da esperança, da fé, da família e dos valores cristãos, de representar aquilo que sempre sonhamos, que queremos, um Brasil grande, de um povo grande de todos nós brasileiros. Muito obrigado pelas contribuições importantes que tem dado a nosso Brasil”, declarou o governador, mas poderia muito bem ser Silas Malafaia, usando as mesmas palavras.

Como se tratava de um evento evangélico, alguém no público brincou: “o espírito santo desceu e criou um novo ser. É um novo homem”, ironizando o claro interesse eleitoral presente nas falas de Mauro.

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Bem nas pesquisas, Mauro não admite que apoio de Bolsonaro influencia

Na última pesquisa realizada pelo instituto PercentBrasil, Mendes venceria em primeiro turno, com 62,5% dos votos válidos.

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Governador se irritou com fala de bolsonarista que sua consolidação em pesquisas tinha relação com anúncio de apoio do presidente

Mesmo depois de um anúncio público do presidente, Jair Bolsonaro (PL), que ignorou as tantas críticas que recebeu e colocou seu prestígio a favor de Mauro Mendes (UB), que tenta reeleição, o governador não admite que a força eleitoral do mandatário nacional tenha qualquer influência nos seus bons números em pesquisas de intenção de voto.

Vaidoso, Mauro sustenta que os seus projetados mais de 60% de prováveis votos válidos, que surgiu na amostragem, e toda boa avaliação da população à sua gestão são frutos do trabalho que tem feito desde 2019 e chegou a mostrar até visivel irritação, quando questionado no fim de semana sobre isso.

A declaração do governador ocorreu devido a uma fala do deputado estadual, Gilberto Cattani (PL), que afirmou que Mendes e o senador Wellington Fagundes (PL) só estavam favoritos nas pesquisas por causa do presidente Jair Bolsonaro (PL), que adiantou apoio aos dois. Para Mauro, não teve peso.

“Nossa administração foi conhecida em cima de trabalho e de resultados, se alguém desconhece isso é porque não vive em Mato Grosso, não conhece os números do nosso estado”, afirmou.

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Na última pesquisa realizada pelo instituto PercentBrasil, Mendes venceria em primeiro turno, com 62,5% dos votos válidos. A pesquisa foi realizada entre os dias 01 e 06 de junho e foram entrevistados 812 pessoas por telefone.

O governador disse que os números são um reflexo dos investimentos feitos em Mato Grosso que, segundo ele, inclui todas as áreas do serviço público.“Se nós estamos bem nas pesquisas não é devido à A, B ou C e sim tudo aquilo que o governo fez. Somos o estado que mais investe”, disse.

Críticas a Bolsonaro

A aparente “certeza de vitória”, já materializada por um dos seus principais aliados, o ex-senador Cidinho Santos, que desdenhou e indicou que Mauro não precisaria de Bolsonaro pra se reeleger, tem dado ao governador uma postura de quase opositor ao criticar abertamente as ações de Bolsonaro, tanto para limitar o ICMS (imposto estadual), como para conceder um voucher de R$ 1.000,00 para caminhoneiros, como para elevar o Auxílio-Brasil (antigo Bolsa Família) a R$ 600,00 dentre outros benefícios.

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Sem citar diretamente Bolsonaro, Mauro criticou o Congresso Nacional por ter validado as propostas do Governo Federal e disse que entendia o pacote de socorro econômico como “medida eleitoreira”, “papagaiada” e ação de quem só está pensando em ganhar “votinho”. Para muitos bolsonaristas, a aproximação de Mauro nos primeiros meses do ano, sinalizando a aliança ao presidente, foi uma estratégia do governador para não deixar crescer um projeto robusto de oposição com apoio do presidente, o que fatalmente lhe tiraria do cargo.

 

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