POLÊMICA
Vereadora tenta impedir saída de idosos de lar com surto de sarna
Os residentes conviviam ali com a escabiose, infecção cutânea contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei (popular sarna)
ESPIA AÍ
A vereadora, Luciana Horta (PL), de Rondonópolis, provocou polêmica ao tentar impedir, nos últimos dias, a retirada imediata de moradores do Recanto Bom Jesus Lar dos Idosos, mesmo com a localidade sendo alvo de decisão judicial que determinou sua intervenção pelas condições insalubres constatadas.
Os residentes conviviam ali com a escabiose, infecção cutânea contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei (popular sarna), além de esgoto a céu aberto e três mortes preocupantes registradas recentemente no local. O Ministério Público Estadual – MPE não atendeu o clamor da vereadora, que fez discurso alardeando um fantasioso abandono desregrado dos idosos.
O MPE, Executivo Municipal e a própria Justiça, entretanto, jamais trataram de despejo sem critério. A retirada, aliás, segundo o apurado, sempre foi discutida em conjunto com um encaminhamento direto dos envolvidos diretamente ao Lar Cristão, onde passariam a viver em segurança.
Sobre o Lar dos Idosos, quinze irregularidades gravíssimas foram detectadas, desde os problemas já citatos até alimentos vencidos. A suspeita sobre os três idosos mortos é de que a falta de cuidado tenha sido o motivo principal. Um morador já cego por diabetes foi encontrado no local sem o devido tratamento da grave doença.
Toda situação foi devidamente documentada pelo Ministério Público e, diante disso, a Prefeitura de Rondonópolis interveio e o MPE determinou a remoção dos idosos para um lugar adequado. A atuação da vereadora causou estranheza, já que a urgência da situação era retirar os idosos do risco que estavam expostos.
Nos últimos dias, Horta foi atrás dos familiares dos idosos, gravou vídeos, produziu conteúdo e criou um ambiente que fez muita gente acreditar que os envolvidos seriam deixados no meio da rua. A narrativa foi vista como pauta de campanha, já que com menos de dois anos na vereança Luciana tentará subir de cargo no pleito de outubro.
A vereadora nunca denunciou ou fiscalizou a situação antes do caso vir a público pela fiscalização feita pelo próprio Município. Por fim, o MPE reiterou a medida que, desde o começo, foi tratada como a maneira correta de tratar toda a situação do tipo: agir com celeridade em proteção da vida.
ESPIA AÍ
HMC vira alvo de auditoria do TCE por contrato de ortopedia
Relatório do TCE identificou indícios de irregularidades em contratação emergencial do Hospital Municipal de Cuiabá e propôs sanções
Uma contratação emergencial de serviços de ortopedia para o Hospital Municipal de Cuiabá entrou na mira do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) após auditoria identificar indícios de pagamentos realizados sem comprovação da efetiva prestação dos serviços e possível direcionamento da contratação.
A análise consta em decisão do conselheiro José Carlos Novelli, publicada nesta quarta-feira (24), em processo que apura a dispensa de licitação utilizada pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) para contratar serviços de ortopedia e traumatologia em 2024.
Segundo o relatório técnico, foram identificados pagamentos que somam R$ 828,7 mil sem documentação suficiente para comprovar a execução dos serviços contratados. A auditoria apontou inconsistências em escalas médicas, ausência de documentos de controle e indícios de sobreposição de plantões, situação em que profissionais apareciam escalados simultaneamente em diferentes setores da unidade hospitalar.
Além disso, os auditores também apontaram possíveis irregularidades na própria contratação emergencial, com suspeita de favorecimento à empresa vencedora da dispensa de licitação. O relatório sustenta que houve tratamento desigual entre os participantes do procedimento e falhas relacionadas à habilitação da empresa contratada.
Diante das conclusões, a equipe técnica recomendou a aplicação de multas aos ex-dirigentes da Empresa Cuiabana de Saúde Pública e o ressarcimento de valores considerados sem comprovação adequada. Também foram sugeridas medidas para aprimorar a fiscalização dos contratos e o controle das jornadas dos profissionais de saúde.
Os responsáveis apresentaram defesa e contestaram os apontamentos, argumentando que os serviços foram efetivamente prestados e que os pagamentos seguiram os trâmites administrativos previstos. O processo segue em análise no TCE-MT.
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