QUESTÃO DE COERÊNCIA
Wellington não tem motivo pra reclamar de Flávia, Cláudio e Abílio
Wellington tenta se desfocar na articulação, em que na verdade é protagonista, em uma controversa união entre PL e MDB
ESPIA AÍ
O atual senador e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), e o comandante partidário da sigla liberal no estado, Ananias Martins, estão furiosos com a postura de Abílio Brunini, Cláudio Ferreira e Flávia Moretti – prefeitos do PL em Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, respetivamente – que não só não declararam apoio ao seu projeto na busca do Executivo Estadual como estão muito próximos do grupo político que tentará manter Otaviano Pivetta (REPUBLICANOS) na cadeira maior do Palácio Paiaguás. Todavia, o que de longe pode parecer um ato de rebeldia e até infidelidade partidária por parte dos prefeitos, na verdade, é uma crise que o próprio Wellington fez de tudo pra criar para si.
Ao se movimentar nos bastidores para literalmente aproximar a nora, Janaína Riva, e o MDB que a mesma lidera no estado, do pré-candidato a presidente da República e seu amigo pessoal no Senado Federal, Flávio Bolsonaro (PL), visando culminar em uma aliança partidária no estado com a legenda símbolo do centrão e historicamente muito mais à esquerda do que direita, Fagundes construiu um cenário de constrangimento aos aliados que são gestores das principais cidades do estado.
Isto porque, do ponto de vista prático, se a aliança com MDB se efetivar, atendendo o objetivo de criar espaço na chapa para a nora disputar o Senado Federal, Wellington forçaria, por exemplo, Cláudio e Abílio a subirem no palanque ao lado de Thiago Silva e Eduardo Botelho, ambos do MDB e que buscarão a reeleição ao cargo de deputado estadual em 2026. Os dois emedebistas foram adversários nas urnas dos bolsonaristas há dois anos atrás em disputas intensas nos pleitos municipais. O mesmo vale para Flávia, que sairia na foto ao lado de Kalil Baracat, também do MDB, e que deve liderar em sua cidade a campanha de Janaína.
Mais do que serem fugirem do julgamento popular sobre a incoerência, os três prefeitos sabem que o MDB provavelmente será novamente adversário de seus prováveis projetos de reeleição em 2028 e certamente os nomes que disputarão com eles os votos populares contarão novamente com Janaína Riva como principal cabo eleitoral, coisa que ela já fez em 2024 e não teve êxito em nenhum dos projetos citados. A mesma avaliação faz boa parte da militância, que não vê sentido do PL dar as candidaturas do MDB um “verniz bolsonarista”, força política majoritária no estado, quando não há qualquer entrosamento ideológico e de militância.
A tática definida por Wellington para tentar se desfocar na articulação em que, na verdade, é protagonista, é a de usar uma possível aproximação nacional entre PL e MDB, que de fato é construída por Flávio, pra justificar e defender no discurso de “alinhamento”. O senador fez questão de ressaltar à imprensa, recentemente, o encontro entre Flávio e Baleia Rossi, líder do MDB, e classificou Janaína como “um nome que desponta”, esquivando com sua fala característica de que “tudo será pelos partidos nas convenções”.
Para os prefeitos e bolsonaristas mais atentos, contudo, o que Fagundes tenta é só achar uma brecha mínima para executar aquilo que pessoalmente deseja: estar com o MDB ao lado e emplacar uma narrativa que o afaste do desgaste de ser o responsável pela união. Ao que tudo indica, porém, Wellington não conseguirá convencer ninguém que essa aliança não é de sua lavra e, para muitos, isso pode custar caro ao veterano, inclusive acentuando o risco de perder um Governo do Estado praticamente ganho.
ESPIA AÍ
Empresário Paulo Lucion entra no radar do Podemos para 2026
O Podemos, presidido por Max Russi, busca ampliar seu protagonismo na formação das alianças para a disputa do próximo ano
O empresário Paulo Lucion, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Sorriso, começou a ser citado nos bastidores políticos como possível integrante de uma chapa majoritária nas eleições de 2026. Filiado ao Podemos, seu nome vem sendo ventilado para composições tanto como candidato a vice-governador quanto para uma suplência ao Senado.
Apesar das especulações, Lucion não confirmou qualquer pretensão eleitoral. Empresário do agronegócio e fundador da Nutribras Alimentos, ele deixou a administração municipal de Sorriso em abril deste ano e, desde então, passou a integrar as conversas internas do partido, presidido em Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi, que busca ampliar seu protagonismo na formação das alianças para a disputa do próximo ano.
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