TRAPALHADA EM DEBATE
Wellington perde ações ao tentar barrar críticas na Justiça
Mãe atípica, Maysa Leão foi uma das acionadas pelo senador após criticá-lo por associar discussão sobre neurodivergência a drogas
ESPIA AÍ
O senador Wellington Fagundes (PL) sofreu derrotas na Justiça Eleitoral ao tentar obter direito de resposta contra críticas feitas após protagonizar trapalhadas durante debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, promovido pela Rádio Centro América FM. As duas ações nasceram do mesmo episódio: a resposta de Wellington ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confundindo neurodivergentes com “drogados”.
A resposta provocou reação da vereadora Maysa Leão (Republicanos), mãe de uma criança neurodivergente e com atuação parlamentar ligada às famílias atípicas. Na tribuna da Câmara de Cuiabá, Maysa acusou Wellington de desconhecer uma pauta que afeta diretamente milhares de famílias.
“Neurodivergente não é drogado. Chega de colocar lacinho no peito e falar que vai cuidar de família atípica” – ela afirmou.
Depois da repercussão, Wellington tentou enquadrar as críticas como divulgação de fatos sabidamente inverídicos. Na ação contra Maysa, porém, o juiz Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado concluiu que a interpretação apresentada por Maysa não surgiu da invenção de um acontecimento inexistente. O pedido de direito de resposta foi rejeitado.
Wellington também acionou o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) pelo mesmo episódio. Desta vez, o juiz Flávio Fraga e Silva considerou que a manifestação questionada representava comentário e interpretação sobre o teor e a qualidade da resposta de Wellington, e não imputação de um fato objetivamente falso. A decisão classificou o conteúdo como crítica política própria do confronto de ideias eleitoral, ainda que contundente e desfavorável ao senador.
Relembre o caso
Na pergunta feita por Pivetta sobre neurodivergentes, Wellington direcionou sua resposta para o assunto dependência química. A íntegra do diálogo analisada pela Justiça mostra que o senador falou sobre atendimento psicossocial, drogas e instituições destinadas a esse tipo de tratamento.
A resposta ganhou repercussão principalmente pela associação feita por Wellington com o problema das drogas. Ao concluir uma de suas manifestações, o senador afirmou que somente quem convive com uma pessoa drogada em casa conhece a dificuldade enfrentada pela família. A declaração foi registrada pela imprensa que acompanhou o debate.
A discussão, entretanto, não terminou ali. Wellington não soube apontar a diferença entre “neurodependentes” e “neurodivergentes” nem explicou que sua resposta anterior decorrera da expressão inicialmente utilizada por Pivetta. Voltou a falar de centros de atenção psicossocial, saúde mental e do Adauto Botelho.
Cultura e Lazer
Filme de Bruno Bini tenta representar o Brasil no Oscar 2027
“Cinco Tipos de Medo” está entre os 15 longas habilitados pela Academia Brasileira de Cinema; seleção do representante ocorre em setembro
O longa-metragem “Cinco Tipos de Medo”, dirigido pelo cineasta mato-grossense Bruno Bini, está entre os 15 filmes brasileiros habilitados a disputar a vaga que poderá levar uma produção nacional ao Oscar 2027. A lista foi divulgada pela Academia Brasileira de Cinema, responsável pela escolha do representante do país na categoria de Melhor Filme Internacional.
Filmado em Mato Grosso, o longa aparece ao lado de produções assinadas por nomes de destaque do cinema brasileiro, como Carlos Saldanha, Grace Passô e Antonio Pitanga.
A obra é baseada em uma reportagem publicada em 2007 sobre o traficante Flávio Castro de Lima, conhecido como “Sapinho”. A história já havia sido explorada por Bruno Bini no curta-metragem “Três Tipos de Medo”, lançado em 2016. Posteriormente, o diretor ampliou a narrativa e transformou o projeto em longa-metragem.
Reconhecimento em Gramado
“Cinco Tipos de Medo” ganhou projeção nacional em agosto de 2025, quando se tornou o primeiro longa-metragem produzido em Mato Grosso a conquistar o Kikito, principal troféu do Festival de Cinema de Gramado.
Na ocasião, o filme venceu quatro categorias. Além de Melhor Filme, levou os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Ator Coadjuvante, este último concedido a Xamã.
A presença na lista de habilitados, entretanto, ainda não representa uma indicação ao Oscar. O processo de escolha do representante brasileiro terá novas etapas.
Seleção em setembro
A Comissão de Seleção da Academia Brasileira de Cinema se reúne no dia 9 de setembro para reduzir os 15 títulos inicialmente habilitados a uma pré-lista com seis produções.
O filme escolhido para representar oficialmente o Brasil na disputa internacional será anunciado em 16 de setembro. Depois disso, a produção selecionada ainda precisará passar pelo processo de avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
A cerimônia do Oscar 2027 está prevista para ocorrer em 14 de março de 2027.
Para participar da seleção brasileira, os filmes precisam cumprir os critérios estabelecidos pela Academia de Hollywood. Entre as exigências está a permanência em cartaz nos cinemas brasileiros por pelo menos sete dias consecutivos entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026.
Brasil em alta no Oscar
A seleção ocorre em um momento de forte projeção internacional do cinema brasileiro. Em 2025, “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Na edição de 2026, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações, incluindo nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.
Confira os 15 filmes habilitados
- 100 Dias — Carlos Saldanha
- A Conspiração Condor — André Sturm
- A Fabulosa Máquina do Tempo — Eliza Capai
- A Natureza das Coisas Invisíveis — Rafaela Camelo
- Ato Noturno — Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
- Cinco Tipos de Medo — Bruno Bini
- Dolores — Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
- Feito Pipa — Allan Deberton
- Herança de Narcisa — Clarissa Appelt e Daniel Dias
- Nosso Segredo — Grace Passô
- O Rei da Internet — Fabrício Bittar
- Quando Vira a Esquina — Chris Alcazar
- Malês — Antonio Pitanga
- Papagaios — Douglas Soares
- Vicentina Pede Desculpas — Gabriel Martins
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