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MTE resgata 69 trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior da Bahia

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Durante duas operações coordenadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho, foram resgatados 69 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em diferentes regiões da Bahia (BA). As ações ocorreram entre 24 de maio e 3 de junho, nos municípios de Seabra, na Chapada Diamantina, e Novo Horizonte, região conhecida pela atividade garimpeira.

As fiscalizações foram realizadas com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF), reforçando a atuação integrada do Estado brasileiro no combate ao trabalho escravo contemporâneo.

Obra às margens da BR-242

De acordo com as informações da fiscalização, no município de Seabra, os auditores-fiscais do Trabalho resgataram 45 trabalhadores em um canteiro de obras destinado à construção de um empreendimento comercial voltado ao funcionamento de ponto de apoio rodoviário e restaurante. A operação foi deflagrada no dia 25 de maio.

Durante a inspeção, foram identificados 55 trabalhadores em atividade, dos quais 45 foram resgatados. As equipes constataram alojamentos precários, com superlotação, falta de privacidade, instalações sanitárias inadequadas e convivência direta com materiais de construção, equipamentos e produtos químicos.

Também foram verificadas graves irregularidades trabalhistas, como ausência de registro em carteira, inexistência de controle formal de jornada, falta de programas de saúde e segurança e fornecimento insuficiente de equipamentos de proteção individual.

A fiscalização identificou ainda situações de grave e iminente risco, incluindo instalações elétricas improvisadas, máquinas sem proteção, escavações abertas sem sinalização e trabalho em altura sem medidas de segurança. As jornadas ultrapassavam os limites legais, chegando a cerca de 65 horas semanais.

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Segundo a equipe da Auditoria Fiscal do Trabalho, os trabalhadores foram recrutados em diferentes estados e passaram a depender integralmente da estrutura fornecida pela empresa para moradia e alimentação. Diante do conjunto de irregularidades, ficou caracterizada a submissão a condições análogas à escravidão, especialmente em razão das condições degradantes de trabalho e da jornada exaustiva.

Ao final da ação, foram pagos R$ 578.243,28 em verbas rescisórias e R$ 157.500,00 a título de danos morais individuais. A obra foi totalmente embargada, e os trabalhadores foram encaminhados para habilitação no seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados e para atendimento pela rede de assistência social.

Resgate em garimpos subterrâneos

Na região de Novo Horizonte, entre os dias 24 de maio e 3 de junho, outra operação identificou 40 trabalhadores atuando em garimpos subterrâneos de extração artesanal de quartzo rutilado e barita. Desses, 24 trabalhadores foram resgatados por estarem submetidos a condições análogas à escravidão.

Segundo a fiscalização, os trabalhadores foram encontrados vivendo em barracos improvisados de lona, sem acesso à água potável, higiene adequada ou condições mínimas de habitabilidade. As equipes também identificaram um sistema irregular de remuneração baseado no pagamento semanal de cerca de R$ 120, conhecido como “feira”, além da promessa de remuneração vinculada à produção futura, modelo considerado fraudulento por transferir aos trabalhadores os riscos da atividade econômica.

Os auditores-fiscais do Trabalho constataram ainda a existência de uma estrutura organizada de comando das atividades, evidenciando subordinação e dependência econômica dos trabalhadores.

As condições de segurança eram extremamente precárias. Os garimpeiros atuavam sem equipamentos de proteção adequados e sem treinamento, realizando atividades em galerias subterrâneas com profundidade de até 100 metros. A situação os expunha a riscos de soterramento, quedas, trabalho em espaço confinado e contaminação por sílica, substância associada ao desenvolvimento da silicose.

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Diante das irregularidades encontradas, foi caracterizada a submissão dos trabalhadores a condições análogas à escravidão, especialmente em razão das condições degradantes de trabalho. Todas as frentes de trabalho fiscalizadas foram interditadas.

Após o resgate, os trabalhadores foram afastados das atividades e terão acesso às verbas rescisórias devidas e ao seguro-desemprego especial destinado aos trabalhadores resgatados.

Combate ao trabalho análogo à escravidão

De acordo com a coordenadora das operações, a auditora-fiscal do Trabalho Gislene Stacholski, as duas operações reforçam o compromisso da Auditoria Fiscal do Trabalho, vinculada ao MTE, com a erradicação do trabalho escravo contemporâneo e a garantia dos direitos fundamentais dos trabalhadores.

“Além do resgate das vítimas e da reparação dos danos sofridos, as ações buscam responsabilizar os empregadores envolvidos e impedir a continuidade das irregularidades, contribuindo para a promoção do trabalho decente e da dignidade humana.”

Denúncias

Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br. Lançada em 2020 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Programa Cisternas, MobSUAS e PAA: MDS investe R$ 7,8 milhões no Amapá

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O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) investe R$ 1,89 milhão para fortalecer a rede socioassistencial do Amapá. Os recursos foram destinados à aquisição de nove veículos que vão ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em diferentes municípios.

O ministro Wellington Dias fez a entrega dos veículos, nesta segunda-feira (8.06), em Macapá. A capital amapaense foi palco de uma série de entregas e anúncios do Governo do Brasil, em evento que também contou com a participação do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano; do governador do Amapá, Clécio Luís; entre outras autoridades.

A entrega é parte da Estrutura de Mobilidade do Sistema Único de Assistência Social (MobSUAS), ação coordenada pelo MDS que promove a compra e doação de veículos para estados e municípios, com o objetivo de aprimorar o atendimento à população em situação de vulnerabilidade social.

“O MobSUAS promove dignidade e cidadania para as pessoas. Queremos que o Amapá, que todo o Brasil, continue se desenvolvendo e avançando. Esses veículos vão levar a assistência social para quem precisa”, destacou o titular do MDS. “Com esses veículos, estamos assegurando proteção social a pessoas com deficiência, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade”, concluiu Wellington Dias.

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Os veículos beneficiarão unidades socioassistenciais que estão registradas no Sistema de Cadastro do Sistema Único de Assistência Social (CadSUAS), fortalecendo a oferta de serviços voltados a famílias inscritas no Cadastro Único, beneficiárias do Programa Bolsa Família, gestantes, crianças, idosos, pessoas com deficiência e pessoas em situação de rua.

Ao todo, foram entregues nove caminhonetes destinadas aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) dos municípios de Calçoene, Cutias, Itaubal, Pedra Branca do Amapari, Santana, Vitória do Jari, Macapá e Laranjal do Jari, além do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Oiapoque.

Segurança alimentar

O ministro Wellington Dias assinou a destinação de R$ 2,9 milhões para a execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea via Termo de Adesão. Por ela, o Governo do Brasil adquire a produção da agricultura familiar e doa para locais que atendem a quem mais precisa. Agora, o valor que o MDS destinou ao estado chega a R$ 11,6 milhões desde 2023, apenas para a execução dessa modalidade do PAA.

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Outra frente de atuação do MDS no Amapá é o fortalecimento das cozinhas solidárias, uma tecnologia social de combate à fome, organizada pela sociedade civil, para a produção e distribuição gratuita de refeições a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional. Desde janeiro de 2026, duas cozinhas solidárias habilitadas pelo MDS passaram a receber alimentos por meio do PAA no estado. 

Cisternas

Mais cedo, ainda nesta segunda-feira, o ministro cumpriu compromissos no Oiapoque. Por meio do Programa Cisternas, o MDS vai implementar tecnologias sociais de acesso à água exclusivas para áreas indígenas no município, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O valor a ser executado será de aproximadamente R$ 3 milhões.

Desde 2023, foram contratadas 840 cisternas no estado, sendo 460 pelo MDS e 380 pelo BNDES. O investimento total é de R$ 23,4 milhões com recursos do MDS e do Fundo Amazônia, sob gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES).

Assessoria de Comunicação – MDS

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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