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Pesquisadores avaliam efeitos das queimadas para animais aquáticos e terrestres

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O Pantanal Mato-grossense, conhecido como a maior planície alagável do planeta, sofre com a seca de mais de 100 dias e as queimadas de grandes extensões e terra. Animais terrestres são os primeiros a sentir a ação do fogo, mas as espécies aquáticas e os estoques pesqueiros também são diretamente afetados.

Pesquisadores da Universidade do Estado e Mato Grosso, ligados ao Centro de Pesquisa em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal (Celbe/Unemat), vão à campo para avaliar as consequências das queimadas para o ambiente pantaneiro. O local escolhido é conhecido popularmente como Baía Mal-Assombrada, às margens da rodovia BR-070, próximo a Cáceres (219 km de Cuiabá).

O professor Claumir César Muniz pesquisa o ambiente pantaneiro desde 2004, é um dos maiores especialistas sobre o bioma. Concluiu mestrado em Ecologia e Conservação, doutorado em Ecologia e Recursos Naturais e pós-doutorado em Ecologia Aquática e Biologia Animal. “São 16 anos trabalhando no Pantanal. Nunca vi uma queimada nesse porte, nessa intensidade. Queimadas ocorrem no ambiente pantaneiro, como a gente já presenciou, mas em áreas menores. Este ano, em função principalmente da falta de chuva, nós temos uma área muito grande comprometida”.

De acordo com o cientista, o problema para os peixes é ainda mais grave porque eles vão sentir os reflexos do fogo depois, principalmente com a perda de alimentos e redução da qualidade das águas. Em ambientes inundáveis, muitas espécies vegetais fornecem abrigo e alimento e, em contrapartida, os peixes dispersam suas sementes, contribuindo com a manutenção das florestas.

“Há uma relação interessante entre peixe e planta. Os peixes engolem os frutos e levam as sementes rio acima ou lateralmente. Eles promovem a recuperação florestal, favorecendo a formação de ilhas de espécies frutíferas que, futuramente, vão oferecer alimentos para os próprios peixes. A gente observa aqui uma enormidade de espécies que estão completamente destruídas pelo fogo. Com isso, esse ciclo é perdido”, explica Claumir.

A relação peixes/plantas do Pantanal também vai virar um livro ilustrado, com apoio do Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental, patrocinado pela Petrobras.

Cinzas na água

Além da perda de alimentos, há o incremento de cinzas na água provocando um processo chamado “decoada”. O fenômeno ocorre quando há aumento de matéria orgânica no corpo da água e, para quebrar essa matéria, há um consumo de oxigênio. Então, há uma drástica diminuição de oxigênio nesses locais.

O professor explica que a decoada é um processo natural no ambiente pantaneiro, mas em função das queimadas, tudo indica que será potencializada. “Para a ictiofauna, as consequências negativas não são sentidas imediatamente, mas sim, com o início da cheia no Pantanal. O que está queimado próximo às baías e aos rios, quando for carreado pelas primeiras chuvas para dentro dos corpos d’água, vai provocar uma diminuição abrupta de oxigênio, otimizando esse processo de decoada e comprometendo a ictiofauna”.

Animais terrestres

Grandes extensões de terra, que em outras estações ficam alagadas, sofrem com a ação direta do fogo. É possível observar pegadas de animais terrestres, que são os que sofrem primeiro com a ação do fogo. Eles são afugentados e alguns, inclusive, morrem em função disso.

Os prejuízos ambientais poderão ser sentidos a quilômetros de distância a partir do local do incêndio. “Mamíferos de médio e grande porte, como antas, queixadas, catetos e cutias, desempenham o papel de jardineiro das florestas. Eles são dispersores de sementes. Quando essa área é queimada, os frutos acabam e o potencial de atuação desses mamíferos para a recomposição florestal é comprometido”, avalia o biólogo Derick Campos.

Resiliência ambiental

Resiliência é a capacidade de restauração de um sistema. O ambiente pantaneiro tem uma resiliência grande, ele consegue responder rápido. “A gente pode observar que tem muita coisa já brotando, porque tem umidade. Mas, com áreas muito grandes comprometidas, essa resiliência diminui um pouco e os animais sofrem mais, porque mais áreas, mais habitats são perdidos”, avalia Claumir Muniz.

O reflexo não é apenas imediato. “A curto prazo, tem esse cenário: tudo queimado e animal morto. A longo prazo, há cada vez menos floresta. A gente acredita que o Pantanal é resiliente e que no próximo ano já vai estar tudo verde, mas você perde, pelo menos, um ano de seleção de matéria de árvore, de floresta, de animais e de variabilidade genética. Então, você diminui as chances de restabelecer uma floresta nova”, conclui Derick.

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Medeiros e Claudinei vão destinar emendas para a construção de nova Delegacia de Polícia em Brasnorte

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O deputado estadual Delegado Claudinei (UB) cumpriu agenda, em Brasnorte, no dia 11 de fevereiro, para verificar as principais demandas da cidade, juntamente com o deputado federal José Medeiros (Podemos). Eles foram recepcionados na sede da Prefeitura Municipal pelo prefeito Edelo Ferrari (DEM) e a vice-prefeita Roseli Borges de Araújo (PP) e na Câmara Municipal pelo vice-presidente, o vereador Cláudio Campos e demais parlamentares.

No início do encontro, o prefeito deu um panorama dos projetos previstos no município para atender a área de infraestrutura com os convênios a serem firmados junto ao governo estadual. Ele citou a instalação de aeroporto, revitalização e arborização de áreas urbanas, aquisição de maquinários, recuperação asfáltica com recursos próprios, implantação de usina solar, melhorias no hospital municipal, entre outros investimentos.

Delegacia

A principal demanda apresentada foi a precariedade da Delegacia da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC) do município, em que a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores e a sociedade civil organizada uniram forças para poder construir uma nova sede para proporcionar um melhor ambiente de trabalho aos servidores e atendimento para a população.

“Parabenizo essa parceria da Prefeitura e Câmara de Vereadores e que não esperaram a iniciativa do Estado e tiveram a proatividade para buscar meios para a construção de uma nova Delegacia de Polícia junto com a sociedade civil organizada. A gente fica muito feliz em saber, ver que se preocupam com a sociedade e o benefício é para os moradores da cidade. E faço questão de somar e vou destinar R$ 300 mil das minhas emendas”, explanou Claudinei.

A gestão municipal concedeu o terreno para a nova delegacia, como, também, R$ 200 mil para a construção da obra. Os vereadores contribuíram com R$ 200 mil e Medeiros se comprometeu a contribuir com R$ 200 mil e o promotor de Justiça de Brasnorte, Alvaro Schiefler Fontes, ficou responsável em articular junto ao Ministério Público para buscar via Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o restante do recurso que equivale o total de R$ 1,1 milhão.

Realidade

Desde que chegou em Brasnorte, o promotor conta que a cidade possuía juiz e promotor, mas não tinha delegado e nem defensor público. “O que acontece, graça à Deus, é a integração com o prefeito e vereadores e outras autoridades. Até abril no máximo, uma parte do problema estará resolvido com a chegada de um delegado. Desde que cheguei aqui, estamos lutando para trazer uma nova delegacia para cá. A gente quer prestar um serviço público de qualidade”, explica Schiefler.

Para o escrivão da PJC Antônio Carlos, a luta pela delegacia já dura dois anos. “Estamos atrás já há um bom tempo. Fizemos o projeto seguindo os padrões da PJC. Agora, está se tornando realidade. Agora, faço 20 anos na instituição, em março, e essa conquista é para a população. A prefeitura ajuda muito. O efetivo é muito pouco aqui”, comentou o policial.

Os vereadores Professor Genival, Dioclécio Alves de Lima – conhecido por “Manico” (PTB), Dr. Norberto Junior (DEM) e Roberto Marcelo (PSB), o presidente do Sindicato Rural de Brasnorte, Cleber José dos Santos Silva, e o presidente do Conseg de Brasnorte, Nelsi Deiss Barkert, acompanharam o encontro com os deputados.

Reivindicação – O deputado estadual Delegado Claudinei apresentou indicação de n.° n.º 2579/2021 para a Secretaria de Segurança de Mato Grosso para designar um Delegado Titular para atender a Delegacia de Polícia Judiciária Civil do município de Brasnorte.

Atualmente, estão em fase de formação na Academia de Polícia (Acadepol), em Cuiabá, 45 delegados que vão atender os municípios do interior de Mato Grosso, sendo que um deles vai atender Brasnorte, a partir do dia 23 de março deste ano.

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