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SEM REFÚGIO

Casa virou o lugar mais perigoso para as mulheres em MT

Violência doméstica responde por quase metade das mortes femininas no Estado e facções criminosas aparecem como segunda principal motivação

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POLÍCIA

Apesar da redução de 4% no total de mortes de mulheres em relação a 2024, o feminicídio avançou

A violência doméstica e a atuação de facções criminosas foram as principais causas de mortes de mulheres em Mato Grosso em 2025. Juntas, elas responderam por 74% dos assassinatos femininos registrados no Estado, revelando um cenário em que as mulheres seguem vulneráveis tanto dentro de casa quanto em meio à expansão do crime organizado. Dos 95 casos contabilizados no ano passado, 56% foram classificados como feminicídios — quando a vítima é assassinada pelo simples fato de ser mulher, geralmente por não aceitar o fim de um relacionamento ou por questões de posse e controle — enquanto 44% foram enquadrados como homicídios dolosos, muitos deles ligados ao tráfico de drogas e disputas entre facções.

O 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso, organizado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), aponta que a violência doméstica foi a motivação de 49% das mortes de mulheres registradas no Estado. Já os crimes relacionados a facções criminosas representaram 25% dos casos. Outros 10% ainda estavam sob investigação quanto à motivação.

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Os números também desmontam a percepção de que o maior risco está nas ruas. Das 95 mulheres assassinadas em 2025, 47 foram mortas dentro de residências particulares. O número é mais de três vezes superior ao registrado em vias públicas, onde ocorreram 13 mortes. Propriedades rurais aparecem em seguida, com 12 casos.

Apesar da redução de 4% no total de mortes de mulheres em relação a 2024, o feminicídio avançou. O número de vítimas passou de 47 para 53, crescimento de 13%. Em sentido contrário, os homicídios dolosos tiveram queda de 19%, saindo de 52 para 42 casos. O resultado reforça que os assassinatos motivados por questões de gênero seguem em trajetória preocupante e representam a maioria das mortes femininas em Mato Grosso.

A violência contra a mulher também continua crescendo nos registros policiais. Em 2025, foram contabilizadas 54.944 ocorrências envolvendo vítimas entre 18 e 59 anos, aumento em relação aos 52.200 casos registrados no ano anterior. Entre os crimes mais frequentes estão a ameaça, que lidera as estatísticas estaduais, seguida pela lesão corporal, evidenciando que a violência psicológica e física continua sendo a principal porta de entrada para agressões mais graves.

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O perfil das vítimas mostra que a violência atinge principalmente mulheres em idade produtiva. Mais da metade dos registros envolve mulheres entre 35 e 59 anos, faixa etária que concentra 51% das ocorrências.

Diante desse cenário, a Sesp definiu como prioridade para 2026 o fortalecimento das ações integradas de enfrentamento à violência contra a mulher. O planejamento prevê ampliação das estruturas especializadas de atendimento, reforço na fiscalização das medidas protetivas, investimentos em inteligência e tecnologia, qualificação permanente dos profissionais e fortalecimento da integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, Politec, Corpo de Bombeiros e a rede de proteção. A meta é acelerar a resposta aos casos de violência e ampliar a capacidade do Estado de prevenir novos feminicídios.

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POLÍCIA

Homem confessa feminicídio de mulher encontrada carbonizada

Vítima foi localizada nua, com ferimentos na cabeça e parte do corpo queimado; suspeito revelou onde escondeu as roupas usadas no crime

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As diligências apontaram que Josivany havia sido vista na companhia do suspeito horas antes do crime

Uma semana após o corpo de uma mulher ser encontrado parcialmente carbonizado em um terreno baldio de Várzea Grande, a Polícia Civil prendeu o homem apontado como autor do crime. Durante o trajeto até a delegacia, o suspeito confessou o feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas que usava no dia do assassinato.

A vítima foi identificada como Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, moradora do bairro Costa Verde, em Várzea Grande. O corpo dela foi encontrado na manhã de 1º de junho, após uma equipe do Corpo de Bombeiros ser acionada para combater um incêndio em um terreno localizado no bairro Centro-Sul.

Depois que as chamas foram controladas, os bombeiros encontraram o corpo da mulher parcialmente queimado. Quando chegaram ao local, os policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) constataram que a vítima estava sem roupas, apresentava lesões na cabeça e sinais de tentativa de ocultação do cadáver. O corpo estava coberto por um tanque de lavar roupas danificado.

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A brutalidade da cena deu início a uma investigação que mobilizou equipes da DHPP durante toda a última semana. Imagens de câmeras de segurança foram analisadas, testemunhas foram ouvidas e os investigadores passaram a rastrear os últimos passos da vítima.

As diligências apontaram que Josivany havia sido vista na companhia do suspeito horas antes do crime. Os policiais também identificaram o posto de combustível onde ele teria comprado o material utilizado para incendiar o corpo da vítima.

O avanço das investigações levou os agentes até familiares do suspeito. Segundo a polícia, a avó dele informou que recebeu uma ligação do neto, que teria afirmado ter feito uma “merda” e relatado que estava escondido em uma área de mata.

Com as informações reunidas, os investigadores intensificaram as buscas e localizaram o suspeito na tarde de segunda-feira (8), no bairro Dom Aquino, em Cuiabá.

Já sob custódia, ele decidiu colaborar com a investigação, confessou o crime e revelou onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do feminicídio. Os objetos foram encontrados em uma residência abandonada na Avenida Filinto Müller, em Várzea Grande, e recolhidos para perícia.

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Durante o interrogatório, o homem alegou que manteve relações sexuais consensuais com a vítima e afirmou que ela teria tentado atacá-lo com uma faca para roubar drogas que estavam com ele. A versão apresentada será confrontada com os demais elementos reunidos pela investigação.

Diante das evidências, a delegada Jéssica Cristina de Assis autuou o suspeito por feminicídio consumado e representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias do crime e a dinâmica que levou à morte de Josivany.

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