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Aldeia no Alto Xingu, no Mato Grosso, é exemplo de enfrentamento à pandemia

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Mato Grosso é o quarto estado no país com mais mortes de indígenas por Covid. Mas é de lá, do Alto Xingu, que vem um exemplo de enfrentamento à pandemia.

A vacina chegou e marcou uma conquista da etnia kuikuro, do Alto Xingu, em Mato Grosso. “Graças a nossa organização ninguém saiu para cidade, ninguém precisou fazer oxigênio, ninguém foi a óbito também”, conta Kauti Kuikuro, técnico de enfermagem da aldeia.

De 600 indígenas, 163 se infectaram, mas ninguém evoluiu para a forma grave da Covid. A mobilização fez a diferença. “Eu sou o cacique daqui, lutando para o povo da comunidade. Eu consegui trazer uma médica para cá, na aldeia, para trabalhar para nós aqui”.

A médica da família Giulia Parise Balbão aceitou o emprego no Xingu, onde passou seis meses. Ela e um enfermeiro chegaram à aldeia Ipatse em julho. “Eles já haviam construído uma casa de isolamento para os pacientes sintomáticos respiratórios. A comunidade é muito organizada e já tinha preparado tudo para nossa chegada”, diz Giulia.

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Os kuikuro compraram alimentos, álcool em gel, máscaras, cilindros de oxigênio e remédios com cerca de R$ 200 mil que arrecadaram em uma campanha com a ajuda de um coletivo de pesquisadores.

“Quando o cacique viu na televisão que o vírus ia chegar no Brasil, já começou a se mobilizar. Vamos conscientizar as pessoas para que elas não saiam para as cidades, para que elas mantenham o isolamento, pensaram em estratégias, uso racional de medicamento. A gente não usou nenhuma medicação de tratamento precoce, que não tenha evidência científica que funcione”, explica a médica Giulia Parise.

Nem todas as etnias tiveram o mesmo resultado. Um levantamento feito pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil aponta que 49.582 indígenas foram contaminados no país; 985 morreram.

“A Apib entrou com ação no STF. Exigia ali um plano do governo para o enfrentamento da pandemia. Esse plano foi e voltou quatro vezes e não conseguiu ser implementado. Essa demora da implementação do plano favoreceu o aumento rápido da contaminação e também das mortes”, diz a presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara.

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O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, pediu as associações ligadas aos indígenas uma avaliação sobre o novo plano do governo. Ainda não houve uma decisão.

Outra preocupação comum aos povos indígenas são as fake news, o que os kuikuro, do Alto Xingu, também combateram: “Aqui, nós, a comunidade, o povo kuikuro não acredita em fake news. Acreditamos na ciência e tomamos a vacina”, diz a liderança indígena Yanama Kuikuro.

“A, vocês vão virar jacaré. Não! Eu falei muito com eles isso aqui. Eu estou muito feliz mesmo. Eu quero tomar mais vacina. Mais vacina para comunidade. Eu estou feliz!”, afirma o cacique da aldeia Ipatse, Afukaká Kuikuro.

O Ministério da Saúde informou que já vacinou 250 mil índios, e que tem 15 mil profissionais de saúde em áreas indígenas

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

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Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

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A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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