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Alto Araguaia deve receber investimento de R$ 12 bi em fábrica de celulose

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Intenção é mostrar que o Estado tem condições de promover o desenvolvimento industrial de forma sustentável.

O Governo do Estado quer transformar a instalação de uma fábrica de celulose em Alto Araguaia (415 km ao Sul de Cuiabá) em um exemplo para atração de novos investidores para Mato Grosso.

O assunto foi debatido em uma reunião no Palácio Paiaguás, na segunda-feira (18.02), com a presença de representantes do Governo, do Ministério Público do Estado (MPE), da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), do Sistema S, Famato, Fecomércio, do município e da empresa Euca Energy.

De acordo com o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, a intenção em apoiar a construção da fábrica de celulose, desde que respeitadas as legislações ambientais, é mostrar que o Estado tem condições de promover o desenvolvimento industrial com sustentabilidade.

“Queremos mostrar o interesse do Estado por esse projeto para que seja um marco de atração de novos investimentos. Por isso, convocamos essa reunião com todas as entidades e Ministério Público, para que eles entendessem o projeto e pudessem ver os benefícios que trará para o Estado”, comentou.

Carvalho pontuou que a instalação da empresa deverá ocorrer de forma planejada para que os impactos à região sejam mitigados, além de evitar prejuízos após a implantação, que deve ocorrer somente em 2021.

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Durante a apresentação, o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe, do Ministério Público Estadual (MPE), demonstrou sua preocupação em relação aos impactos ambientais que a fábrica poderá trazer à região, além dos impactos sociais, já que Alto Araguaia é um município de pequeno porte.

Apesar disso, ele pontuou a importância de ações voltadas à industrialização no Estado e garantiu que irá acompanhar todas as movimentações para garantir a preservação ambiental.

Também estava na reunião a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, que destacou o empenho da Pasta para a concessão do EIA-Rima de forma conjunta com o MPE, para que sejam promovidas amplas discussões antes da emissão das licenças.

“Audiências públicas serão realizadas para que as entidades e a população de Alto Araguaia possam debater o assunto de forma que se possa mitigar os efeitos do empreendimento, tanto na questão ambiental, quanto no desenvolvimento que o município terá. A primeira será em março, em Alto Araguaia”, explicou a secretária.

O sócio da Euca Energy, Gilberto Goellner, informou que o projeto econômico do empreendimento já foi finalizado, faltando apenas as licenças ambientais para a implantação da fábrica de celulose. O investimento na indústria é de R$ 12 bilhões, mais R$ 1,2 bilhão, que serão investidos no plantio de eucalipto.

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“Além da fábrica de celulose, o empreendimento também vai gerar energia elétrica, utilizando as condições de logística para escoamento, como as estradas e a ferrovia que existem na região de Alto Araguaia, além da subestação de energia local. É um projeto com sustentabilidade econômica e social e tem todas as condições de fazer a integração entre as áreas de plantio e produção de celulose”, defendeu Goellner.

O prefeito de Alto Araguaia, Gustavo Melo, reforçou a importância da implantação do empreendimento para o desenvolvimento do município.

“Inicialmente, o projeto era pensado para o Estado de Goiás, mas com o apoio do Governo, conseguimos que esse investimento venha para o Estado. Esse empreendimento vai resolver o problema financeiro de toda uma região, não apenas de Alto Araguaia, como de Alto Taquari, Itiquira, Alto Garças, Araguainha e Ponte Branca, pois alcançará a todos esses municípios”, disse Melo.

“O Governo tem esse empreendimento como uma bandeira para a atração de novos investimentos. Queremos o sucesso desse projeto, pois servirá de exemplo para outros empresários, que por algum motivo chegaram a estancar propostas em Mato Grosso”, concluiu Mauro Carvalho.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

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Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

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A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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