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Blairo foca em paz, mas Lula quer "amigo" em campanha

Blairo deve ser um eleitor de Lula, mas não quer aparecer na foto e pedir voto. Sabe que o PT fatalmente deve perder no estado.

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POLÍTICA

Megaempresário vê cenário muito pesado e quer fugir de debate público presidencial. Petista pressiona. FOTO - Valter Campanato/Agência Brasil

Depois de analisar mais de 120 propostas feitas pelos partidos que apoiam o projeto de Lula para a Presidência da República (PC do B, PV, PSB, PSol, Rede e Solidariedade), a campanha do petista deve divulgar, na terça-feira (21), as diretrizes do seu programa de Governo.

Apesar de boa parte das siglas envolvidas serem de centro-esquerda, esquerda e algumas com núcleos até inclinados para ações radicais, como é o caso do PCdoB e Psol, a expectativa é que no documento contenham propostas para tentar agradar ao agronegócio e suas figuras centrais, como Blairo Maggi.

A informação é da revista eletrônica Crusoé, vinculada ao site O Antagonista, e reverberou por toda a imprensa mato-grossense, no fim de semana. Lula já usou o nome de Blairo, em algumas de suas falas, e não perde a oportunidade de adjetivá-lo de “amigo”.

A Crusoé cita que o setor é um dos mais refratários à candidatura do ex-presidente e exatamente esse nariz virado de todo o segmento que segura Maggi, que possui antipatia pública ao Governo Bolsonaro, sobretudo em suas políticas externas, mas também não quer se “manchar” com o imenso desgaste petista, majoritário em Mato Grosso.

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Blairo deve ser um eleitor de Lula, mas não quer aparecer na foto e pedir voto. Sabe que o PT fatalmente deve perder no estado e não ganha nada com a aproximação. Na visão do petista, contudo, a situação é diferente e já há a esperança de uma virada, com o voto útil, em estados onde Bolsonaro mantém dianteira,.

Entre as ideias dos petistas, que Lula começará a ressaltar para agradar os amigos de Blairo, estará o plano de ampliar o crédito com juros baixos para os agricultores, criar subsídios para o seguro de safras e efetivar o funcionamento do recém-regulamentado mercado de créditos de carbono.

Mato Grosso, como já dito, é um dos estados onde o agronegócio, na grande maioria, está fechado com Jair Bolsonaro (PL). Entidades como a Aprosoja-MT, por exemplo, promovem atos para exaltar a figura do presidente, inclusive patrocinando palestras com figuras que gravitam no entorno de Bolsonaro.

Um dos mais ativos bolsonaristas, o presidente licenciado da Aprosoja Brasil, Antonio Galvan, é bolsonarista de carteirinha e é, inclusive, pré-candidato ao Senado Federal. Ele, inclusive, já andou trocando farpas com Blairo, que definitivamente não vai se lançar na fogueira, publicamente.

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Nos bastidores, contudo, aí é outra coisa, até porque o objetivo de refazer laços mais estreitos com a China é um objetivo prioritário tanto do ex-presidente quanto do ex-ministro da Agricultura e Pecuária, no Governo Temer.

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POLÍTICA

Pátio e Mauro se revoltam com ações de socorro econômico de Bolsonaro

Elevação do Auxílio-Brasil para R$ 600, voucher de R$ 1.000,00 para caminhoneiros e outras medidas irritaram governador e prefeito

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O prefeito é defensor declarado do retorno de Lula ao comando do país, já o governador diz ser bolsonarista, mas não tem economizado em críticas ao atual presidente. FOTO - Antônio Carmelo

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) e o prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (PSB), cada dia mais próximos e trocando “carícias verbais” na imprensa, detonaram o Congresso Nacional e o Governo de Jair Bolsonaro (PL) pela aprovação da PEC 01/2022, que abriu, nesta semana, R$ 40 bilhões de créditos no orçamento da União para conceder aumento ao programa Auxílio Brasil e outros benefícios sociais.

Para o governador, não passa de “mais uma medida eleitoreira”, em virtude de ter sido aprovada a apenas três meses das eleições. “É muito ruim você ver o governo federal, nas vésperas de eleição, não só o Executivo, mas todo o Congresso, pensando apenas num jeito de ganhar um ‘votinho’. Isso é muito ruim, isso quebra a sociedade brasileira, isso quebra o nosso país, quebra o nosso estado. Ou você faz um trabalho sério, honesto, verdadeiro, ou a gente vai pro buraco”, afirmou Mauro, em entrevista nesta sexta-feira (1º), causando estranheza, sobretudo após o próprio Bolsonaro surgir publicamente para dizer que caminhará lado a lado ao gestor estadual nas eleições 2022.

Entre as medidas aprovadas, dentro de um pacote de “socorro econômico”, para minimizar sobretudo  efeitos da pandemia, está previsto reajuste de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil (ex-Bolsa Família), aumento de R$ 53 para R$ 120 do vale-gás, criação do auxílio-caminhoneiro de R$ 1 mil e criação de um auxílio para taxistas, com custo de R$ 2 bilhões.

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Para Mauro, que não costuma colocar a população mais carente como pauta de suas ações, o momento é o pior possível, pois o Governo Federal está sem capacidade para investimentos e, ainda assim, amplia a assistência social. “Eu sempre critiquei e vou continuar criticando medidas eleitoreiras, medidas de cunho eleitoral sem planejamento, sem lastro na capacidade real, sem lastro numa política pública de médio e longo prazo. O governo federal hoje não consegue fazer nada de investimento”, atacou o governador.

Mauro, na verdade, está em uma espécie de “guerra fria” com Bolsonaro desde que o presidente conseguiu aprovar no mesmo Congresso Nacional, nos últimos dias, um teto máximo de 17% ao ICMS, imposto estadual que representa próximo de 90% da sua arrecadação. Mendes terá que reduzir em 6%, por exemplo, a incidência tributária sobre a gasolina e, ao todo, perderá mais de R$ 1 bilhão de recursos que recolheria do bolso do cidadão.

Mendes até foi orientado a segurar os ataques a Bolsonaro em virtude do ano eleitoral, todavia, o governador se sente absoluto e diante da inércia da oposição em lançar um nome competitivo não vê mais necessidade de ter o apoio do presidente para garantir sua reeleição e decidiu “chutar o balde” e vem chamando de “manobra” todas as recentes atitudes do mandatário nacional.

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“Se tivesse feito esse planejamento lá atrás, em 2021, aprovado pra esse ano, eu não estaria fazendo essa fala. Agora, de última hora, 3 meses antes da eleição, é achar que o povo é bobo também, né. O povo não é bobo. Hoje em dia o cidadão eleitor está muito esperto (…) O que salva esse país é um trabalho sério, honesto e competente. Fora disso, é papagaiada, é medida eleitoreira”, esbravejou o governador.

Já o prefeito Zé do Pátio (PSB), que comanda a maior cidade do interior de Mato Grosso, também tratou de criticar. O que chamou atenção, contudo, é que Pátio, defensor assíduo de Lula (PT), principal ameaça ao projeto de reeleição de Bolsonaro, teve muito mais cuidado de criticar do que o próprio Mendes, que se diz aliado bolsonarista.

“Não posso aqui deixar de colocar uma dúvida no ar, com esses projetos de emenda constitucional que estão acontecendo em Brasília. Que na minha opinião está comprometendo a receita dos municípios e pode comprometer sim os interesses da sociedade mato-grossense neste momento. Nós não podemos fazer demagogia por dinheiro com a receita dos municípios. E isso está acontecendo (…) Estamos vendo algumas atitudes em Brasília que têm que ser questionadas”, sinalizou Pátio, sem utilizar palavras mais fortes, feito o governador.

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