MESA DIRETORA
Dilemário quer assumir Câmara; Abilio não crava apoio a ex-líder
Aval do prefeito ao projeto do vereador não esta garantido nem se Paula Calil (PL) não puder tentar reeleição
POLÍTICA
O vereador por Cuiabá, Dilemário Alencar (União Brasil), acredita que sua candidatura à presidência da Câmara é totalmente viável e sonha com o comando da Mesa Diretora no biênio 2027/2028 diante dos entraves ainda impostos à presidente Paula Calil (PL), que ainda não colocou em votação a alteração do regimento interno para permitir uma reeleição dentro da mesma legislatura. O prefeito Abilio Brunini (PL), no entanto, não crava apoio a Dilemário mesmo se Paula for barrada da disputa pelo comando do Legislativo.
Dilemário, que é ex-líder do prefeito na Câmara, alega que pode herdar os votos de Paula, mas que não faz questão de ter o apoio de Abilio, pois poderia prejudicar seu projeto. Assim, defendeu autonomia do parlamento na votação programada para o dia 6 de outubro. “Eu acho que Executivo não tem que se envolver em eleição de Mesa de Diretora da Câmara. Eu sempre falei isso, então eu espero que no dia 6 de outubro, os 27 vereadores possam decidir [sem interferência]”, frisou.
A única candidatura totalmente posta é a de Ilde Taque (Podemos), que detém cerca 14 ou 15 votos, conforme projeções. Para Dilemário, tudo pode mudar até o dia da votação. Questionado sobre a decisão de não ser pautado o projeto de resolução para alteração do regimento, que estava previsto para a sessão desta terça-feira, o parlamentar sinalizou que o grupo de Paula deve alguma ‘carta na manga’. Mesmo assim, pregou que mantém sua candidatura, mesmo sem aliados definidos. A Câmara se mostra dividida e sem diálogo entre os grupos.
Sem Plano B
Abilio foi questionado se Dilemário poderia ser o “Plano B” do grupo, caso Paula não consiga alterar o regimento interno. Em resposta, pregou que não tem participado das discussões e que não iria se posicionar. Abilio estave na Câmara nesta terça-feira (29), criticando o grupo de Ilde Taques e sinalizando que eles poderiam implodir a relação institucional com o Executivo construída por Paula.
“Eu não tenho mais que me posicionar sobre isso. Eu acredito e eu torço muito pelo Dilemário, para que ele possa construir o seu projeto político, mas eu não tenho que me posicionar sobre esse assunto”, desconversou o prefeito.
POLÍTICA
Ilde nega oposição a Abilio e diz ter 15 votos
Vereador afirma que divergência com prefeito surgiu apenas na sucessão da Mesa Diretora e garante postura independente caso seja eleito presidente
Cotado para assumir a presidência da Câmara de Cuiabá na eleição marcada para a próxima terça-feira (6), o vereador Ilde Taques (Podemos) afirmou que não se considera integrante da oposição ao prefeito Abilio Brunini (PL). Segundo ele, a relação com o Executivo se manteve de parceria desde o início da atual legislatura, e a divergência entre os dois grupos ocorreu especificamente em torno da disputa pela Mesa Diretora.
Ilde destacou que, durante o mandato, votou e trabalhou pela aprovação de propostas encaminhadas pela administração municipal. Ele lembrou ainda que, como presidente da Comissão de Fiscalização e Orçamento (CFO), participou da aprovação de mais de R$ 112 milhões em empréstimos destinados à pavimentação de ruas e avenidas da Capital.
“Em 1 ano e 6 meses de mandato ajudei a gestão, sempre fui base. Nossa maior bancada era o PSB, apenas o Dídimo Vovô era oposição. Fomos para o Podemos, nos tornamos a maior bancada com seis vereadores. Fizemos uma reunião com o Executivo, anunciamos que o Podemos estaria na base e assim fomos”, afirmou.
De acordo com o vereador, a atuação junto à gestão municipal também incluiu a aprovação dos recursos que serão utilizados para obras de asfalto em diferentes bairros de Cuiabá.
Apesar disso, Ilde reconheceu que nunca foi o nome escolhido pelo prefeito para comandar o Legislativo. Ele citou Dilemário Alencar (União), que ocupava a liderança de Abilio na Câmara, e Paula Calil (PL), atual presidente da Casa, como nomes que receberam preferência do chefe do Executivo.
“Eu acho natural isso, porque cada um tem sua aproximação, sua história com cada um. O Dilemário tem sua história com Abilio já tem algum tempo, a Paula Calil é do próprio partido dele. Eu vi isso de uma forma natural”, declarou.
Mesmo sem o respaldo do Executivo para sua candidatura, Ilde afirmou que pretende manter uma postura independente e descartou adotar uma oposição sistemática à administração municipal caso seja escolhido para presidir a Câmara.
“Se eleito, nós temos que nos unir, construir juntos para Cuiabá continuar avançando. Executar esses R$ 112 milhões de empréstimo para fazer asfalto em muitos bairros de Cuiabá, muitos bairros precisam de infraestrutura, enfim, a gente jamais, em hipótese alguma, vai trabalhar contra Cuiabá ou contra a gestão do prefeito Abilio Brunini”, afirmou.
DECISÃO JUDICIAL
Ilde também comentou a decisão judicial que abriu caminho para que a atual presidente da Câmara, Paula Calil, possa disputar a recondução ao cargo por meio de uma alteração no Regimento Interno aprovada por maioria simples.
O vereador afirmou considerar estranho o fato de o processo tramitar sob segredo de Justiça. Segundo ele, outras decisões, inclusive tomadas de forma colegiada, apontavam para a necessidade de quórum qualificado para mudanças no regimento.
Apesar da possibilidade de a disputa ser levada novamente à Justiça, Ilde disse não estar preocupado com a judicialização e afirmou confiar nos votos que reuniu para a eleição.
“Estou muito confiante é com os votos. Aqui é a Casa da democracia, Casa política, a gente tem trabalhado muito e tenho certeza que, mesmo com essa decisão, não vai passar na Casa”, declarou.
APOIO
Na última semana, Ilde anunciou ter reunido o apoio de 15 vereadores para a disputa pela presidência da Câmara.
Integram o grupo Dra. Mara (Podemos), Michelly Alencar (União), Katiuscia Mantelli (Podemos), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Republicanos), Eduardo Magalhães (Republicanos), Chico 2000 (PL), Jeferson Siqueira (PSD), Daniel Monteiro (Republicanos), Alex Rodrigues (Podemos), Adevair Cabral (Solidariedade), Dídimo Vovô (PSB), Baixinha Giraldelli (Solidariedade), Sargento Joelson (Podemos), além do próprio Ilde Taques.
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