CUIABÁ

IRMÃ DA CORRUPÇÃO?

Empresa escolhida para BRT de Mauro Mendes foi alvo da Lava Jato

O governador foi até a imprensa e demonizou a obra do VLT, dizendo que o projeto é “filho da corrupção”, mas queimou a língua no BRT

Publicados

ESPIA AÍ

Ao todo, a obra da troca de modal está estimada em R$ 468 milhões, mas especialistas preveem aditivos futuros.

Após decisão do Tribunal de Contas da União – TCU, suspendendo a troca do modal VLT pelo BRT, em Cuiabá e Várzea Grande, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), não conseguiu se segurar e tem demonstrado na imprensa que, por algum motivo ainda não identificado, o investimento é uma verdadeira “causa” para sua gestão e que não medirá esforços para efetivá-lo.

O descontrole foi tanto que o gestor foi para os microfones dos jornalistas e chamou o cuidado do TCU com o dinheiro do povo mato-grossense de “presepada” e tentou confundir a opinião pública ao dizer que o VLT, que já tem mais da metade do seu projeto executado com mais de R$ 1,2 bilhão gasto é “filho da corrupção”. Todavia, o edital do BRT, que só atraiu uma única empresa, foi abocanhado por um grupo que foi alvo da Operação “Lava Jato”.

O Consórcio Construtor BRT Cuiabá assumiu o serviço ofertado pelo Governo de Mato Grosso por R$ 468 milhões. O grupo é liderado pela empresa Nova Engevix Engenharia e Projetos S/A, que foi alvo da Operação Lava Jato e teve R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça Federal em 2020, sob acusação de desvio de recursos em obras da Petrobrás.

Leia Também:  CPI aponta improbidade e pede afastamento de secretária filha de prefeito

Além da Nova Engevix, o Consórcio é formado pelas empresas Heleno & Fonseca Construtécnica S.A. e Cittamobi Desenvolvimento em Tecnologia Ltda. A contratação foi realizada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) na modalidade de Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCi), na qual a empresa vencedora será responsável pela elaboração dos projetos básicos e executivos de engenharia, de desapropriação, obtenção de licenças, outorgas, aprovações e execução das obras de implantação do corredor do BRT

O consórcio apresentou proposta de R$ 468.031.500,00, o que representou um desconto de 2,59% em relação ao valor de referência da obra, que era de R$ 480.500.531,82. Técnicos e outros especialistas no setor de mobilidade urbana, todavia, projetam um gasto muito maior e preveem que a gestão estadual, mais do que provavelmente, tenha de aditivar o contrato no futuro, isso se conseguir desenrolar o nó com o TCU.

No valor da obra também estão inclusas as construções de 46 estações, de um terminal na região do Coxipó e outro no CPA, e a reconstrução do Terminal André Maggi, em Várzea Grande. Será construído ainda um viaduto para passagem do BRT na rotatória das avenidas Fernando Corrêa da Costa e Beira Rio, uma nova ponte sobre o Rio Coxipó, a criação de um parque linear na Avenida do CPA, a requalificação do Largo do Rosário e demais adequações no trânsito.

Leia Também:  Bezerra dá novo "chega pra lá" em Janaína e expõe desgaste com Mauro

Para liberar o BRT, Mauro Mendes achou viável quitar um financiamento total de R$ 560 milhões com a Caixa Econômica, relativo ao VLT, que como já havia sido citado, consumiu R$ 1,2 bilhão e já possui, há anos, até mesmo os vagões na estação, aguardando liberação para entrar em funcionamento, além dos trilhos instalados na maior parte do traçado da região metropolitana.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

ESPIA AÍ

Bem nas pesquisas, Mauro não admite que apoio de Bolsonaro influencia

Na última pesquisa realizada pelo instituto PercentBrasil, Mendes venceria em primeiro turno, com 62,5% dos votos válidos.

Publicados

em

Governador se irritou com fala de bolsonarista que sua consolidação em pesquisas tinha relação com anúncio de apoio do presidente

Mesmo depois de um anúncio público do presidente, Jair Bolsonaro (PL), que ignorou as tantas críticas que recebeu e colocou seu prestígio a favor de Mauro Mendes (UB), que tenta reeleição, o governador não admite que a força eleitoral do mandatário nacional tenha qualquer influência nos seus bons números em pesquisas de intenção de voto.

Vaidoso, Mauro sustenta que os seus projetados mais de 60% de prováveis votos válidos, que surgiu na amostragem, e toda boa avaliação da população à sua gestão são frutos do trabalho que tem feito desde 2019 e chegou a mostrar até visivel irritação, quando questionado no fim de semana sobre isso.

A declaração do governador ocorreu devido a uma fala do deputado estadual, Gilberto Cattani (PL), que afirmou que Mendes e o senador Wellington Fagundes (PL) só estavam favoritos nas pesquisas por causa do presidente Jair Bolsonaro (PL), que adiantou apoio aos dois. Para Mauro, não teve peso.

“Nossa administração foi conhecida em cima de trabalho e de resultados, se alguém desconhece isso é porque não vive em Mato Grosso, não conhece os números do nosso estado”, afirmou.

Leia Também:  Novo outdoor de ataque da direita em MT vira pauta nacional

Na última pesquisa realizada pelo instituto PercentBrasil, Mendes venceria em primeiro turno, com 62,5% dos votos válidos. A pesquisa foi realizada entre os dias 01 e 06 de junho e foram entrevistados 812 pessoas por telefone.

O governador disse que os números são um reflexo dos investimentos feitos em Mato Grosso que, segundo ele, inclui todas as áreas do serviço público.“Se nós estamos bem nas pesquisas não é devido à A, B ou C e sim tudo aquilo que o governo fez. Somos o estado que mais investe”, disse.

Críticas a Bolsonaro

A aparente “certeza de vitória”, já materializada por um dos seus principais aliados, o ex-senador Cidinho Santos, que desdenhou e indicou que Mauro não precisaria de Bolsonaro pra se reeleger, tem dado ao governador uma postura de quase opositor ao criticar abertamente as ações de Bolsonaro, tanto para limitar o ICMS (imposto estadual), como para conceder um voucher de R$ 1.000,00 para caminhoneiros, como para elevar o Auxílio-Brasil (antigo Bolsa Família) a R$ 600,00 dentre outros benefícios.

Leia Também:  Governo de MT é citado em site nacional por falta de transparência

Sem citar diretamente Bolsonaro, Mauro criticou o Congresso Nacional por ter validado as propostas do Governo Federal e disse que entendia o pacote de socorro econômico como “medida eleitoreira”, “papagaiada” e ação de quem só está pensando em ganhar “votinho”. Para muitos bolsonaristas, a aproximação de Mauro nos primeiros meses do ano, sinalizando a aliança ao presidente, foi uma estratégia do governador para não deixar crescer um projeto robusto de oposição com apoio do presidente, o que fatalmente lhe tiraria do cargo.

 

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍCIA

BRASIL E MUNDO

AGRO E ECONOMIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA