CUIABÁ

QUEREM VERNIZ BOLSONARISTA

Jayme e Mauro cruzam os dedos contra o projeto "Bivar presidente"

Principal temor é que, principalmente o projeto de reeleição de Mauro, fique estagnado ao lado de um projeto pouco promissor de Bivar

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O senador Jayme Campos (União Brasil) avaliou, nesta sexta-feira (22), que a pretensão do presidente do União Brasil, Luciano Bivar, de concorrer ao Palácio do Planalto pode levar as candidaturas pelo partido nos estados ao “fundo do poço”.

São vários os nomes, muitos deles remanescentes do PSL e DEM, que surgem como pre-candidatos no  pleito que ocorre em outubro deste ano. Isso inclui o próprio projeto de reeleição do governador, Mauro Mendes (UB)

Em meados de abril, o União Brasil anunciou a pré-candidatura de Luciano Bivar, ex-líder do PSL, a presidente da República. Segundo Jayme, a pretensão é legítima, mas ele não crê que a candidatura possa vingar.

“Isso tem que ser discutido, na medida em que não podemos lançar uma candidatura que não tenha musculatura suficiente, apenas para participar de eleição presidencial. […] Tem muita água para correr em baixo da ponte. Algumas candidaturas poderão vingar e outras poderão deixar de existir, mas dá para perceber claramente que o jogo está polarizado no Brasil: Bolsonaro e Lula. Falar em terceira via hoje é difícil”, disse.

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“De qualquer forma é um direito de qualquer um dos possíveis candidatos. Agora, eu imagino que esses companheiros não podem levar os seus aliados pro fundo do poço, ou seja, para o buraco”, emendou. Para Jayme, a pretensão do atual presidente da sigla pode atrapalhar as articulações nos estados.

Ele citou o exemplo de Mato Grosso, em que o governador Mauro Mendes (União Brasil), pré-candidato ao Executivo, já sinalizou uma aproximação com o atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

“As questões regionais devem ser resolvidas. Cada Estado tem seu problema localizado e tem que ser resolvido. Muitas vezes, como o Mauro Mendes aqui, pode até ter uma simpatia [pelo Bolsonaro]. Hoje me parece que está quase definitivamente acordado que ele irá participar das eleições presidenciáveis apoiando o Bolsonaro. E se o Bivar vem como candidato ao União Brasil? Qual vai ser a saída dele lá?”, apontou.

A pretensão de Bivar, no entanto, só deve ser concretizada – ou não – nas convenções partidárias, que acontecem em julho deste ano. Atualmente, os principais pré-candidatos à presidência são: o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), e a senadora Simone Tebet (MDB) e o ex-governador João Dória (PSDB).

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Mauro atrás de Bolsonaro

Nos últimos dias, temendo o surgimento de um projeto a governador nascido em meio ao berço bolsonarista, como sugeriu o próprio deputado estadual, Gilberto Cattani (PL), Mauro Mendes (UB) engoliu o ego e tem arrastado atrás de Bolsonaro.

Na vinda recente do presidente à Cuiabá, o governador se encheu de coragem e elogiou o presidente e agradeceu a gestão de Bolsonaro e tudo que vem fazendo pelo povo brasileiro, claramente buscando uma aproximação. Durante a pandemia, todavia, o gestor se posicionou em um grupo de governadores que escreveram diversas cartinhas responsabilizando o presidente pelas mortes na pandemia.

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Pátio e Mauro se revoltam com ações de socorro econômico de Bolsonaro

Elevação do Auxílio-Brasil para R$ 600, voucher de R$ 1.000,00 para caminhoneiros e outras medidas irritaram governador e prefeito

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O prefeito é defensor declarado do retorno de Lula ao comando do país, já o governador diz ser bolsonarista, mas não tem economizado em críticas ao atual presidente. FOTO - Antônio Carmelo

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) e o prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (PSB), cada dia mais próximos e trocando “carícias verbais” na imprensa, detonaram o Congresso Nacional e o Governo de Jair Bolsonaro (PL) pela aprovação da PEC 01/2022, que abriu, nesta semana, R$ 40 bilhões de créditos no orçamento da União para conceder aumento ao programa Auxílio Brasil e outros benefícios sociais.

Para o governador, não passa de “mais uma medida eleitoreira”, em virtude de ter sido aprovada a apenas três meses das eleições. “É muito ruim você ver o governo federal, nas vésperas de eleição, não só o Executivo, mas todo o Congresso, pensando apenas num jeito de ganhar um ‘votinho’. Isso é muito ruim, isso quebra a sociedade brasileira, isso quebra o nosso país, quebra o nosso estado. Ou você faz um trabalho sério, honesto, verdadeiro, ou a gente vai pro buraco”, afirmou Mauro, em entrevista nesta sexta-feira (1º), causando estranheza, sobretudo após o próprio Bolsonaro surgir publicamente para dizer que caminhará lado a lado ao gestor estadual nas eleições 2022.

Entre as medidas aprovadas, dentro de um pacote de “socorro econômico”, para minimizar sobretudo  efeitos da pandemia, está previsto reajuste de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil (ex-Bolsa Família), aumento de R$ 53 para R$ 120 do vale-gás, criação do auxílio-caminhoneiro de R$ 1 mil e criação de um auxílio para taxistas, com custo de R$ 2 bilhões.

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Para Mauro, que não costuma colocar a população mais carente como pauta de suas ações, o momento é o pior possível, pois o Governo Federal está sem capacidade para investimentos e, ainda assim, amplia a assistência social. “Eu sempre critiquei e vou continuar criticando medidas eleitoreiras, medidas de cunho eleitoral sem planejamento, sem lastro na capacidade real, sem lastro numa política pública de médio e longo prazo. O governo federal hoje não consegue fazer nada de investimento”, atacou o governador.

Mauro, na verdade, está em uma espécie de “guerra fria” com Bolsonaro desde que o presidente conseguiu aprovar no mesmo Congresso Nacional, nos últimos dias, um teto máximo de 17% ao ICMS, imposto estadual que representa próximo de 90% da sua arrecadação. Mendes terá que reduzir em 6%, por exemplo, a incidência tributária sobre a gasolina e, ao todo, perderá mais de R$ 1 bilhão de recursos que recolheria do bolso do cidadão.

Mendes até foi orientado a segurar os ataques a Bolsonaro em virtude do ano eleitoral, todavia, o governador se sente absoluto e diante da inércia da oposição em lançar um nome competitivo não vê mais necessidade de ter o apoio do presidente para garantir sua reeleição e decidiu “chutar o balde” e vem chamando de “manobra” todas as recentes atitudes do mandatário nacional.

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“Se tivesse feito esse planejamento lá atrás, em 2021, aprovado pra esse ano, eu não estaria fazendo essa fala. Agora, de última hora, 3 meses antes da eleição, é achar que o povo é bobo também, né. O povo não é bobo. Hoje em dia o cidadão eleitor está muito esperto (…) O que salva esse país é um trabalho sério, honesto e competente. Fora disso, é papagaiada, é medida eleitoreira”, esbravejou o governador.

Já o prefeito Zé do Pátio (PSB), que comanda a maior cidade do interior de Mato Grosso, também tratou de criticar. O que chamou atenção, contudo, é que Pátio, defensor assíduo de Lula (PT), principal ameaça ao projeto de reeleição de Bolsonaro, teve muito mais cuidado de criticar do que o próprio Mendes, que se diz aliado bolsonarista.

“Não posso aqui deixar de colocar uma dúvida no ar, com esses projetos de emenda constitucional que estão acontecendo em Brasília. Que na minha opinião está comprometendo a receita dos municípios e pode comprometer sim os interesses da sociedade mato-grossense neste momento. Nós não podemos fazer demagogia por dinheiro com a receita dos municípios. E isso está acontecendo (…) Estamos vendo algumas atitudes em Brasília que têm que ser questionadas”, sinalizou Pátio, sem utilizar palavras mais fortes, feito o governador.

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