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MT fará concessão de 233 km de rodovias que escoam produção agrícola

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Para potencializar o escoamento da produção agrícola, o Estado de Mato Grosso confirmou que realizará a concessão de mais 233 quilômetros de rodovias estaduais à iniciativa privada. O leilão está marcado para o dia 30 de novembro, na B3, em São Paulo, e a entrega de envelopes será dia 21 deste mês.

Este será o terceiro lote de rodovias a ser leiloado em 2018 na bolsa de valores visando a concessão de rodovias de mato-grossenses. Neste lote estão previstas as concessões das rodovias MT-246, MT-343, MT-358 e MT-480, que dão acesso aos municípios de Barra do Bugres, Nova Olímpia, Tangará da Serra e beneficiará toda a região médio-norte.

Na atualidade, segundo dados oficiais da safra, divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a região médio-norte concentra 11,2 milhões de toneladas de soja (34,4%) e 12,3 milhões de toneladas de milho (44,6%). Segundo analistas, a região apresenta grande potencial de crescimento da produção.

“A concessão é vista pelo Governo do Estado como fundamental para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso. O estado é líder nacional na produção de grãos e algodão e dono do maior rebanho bovino do país. A concessão potencializará a infraestrutura estadual”, afirmou o secretário estadual e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Transporte, Marcelo Duarte.

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De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), estão previstos investimentos privados da futura concessionária na ordem de R$ 740 milhões na prestação de serviços públicos de conservação, recuperação, manutenção e melhorias das rodovias por um período de 30 anos.

O Governo do Estado tem previsão de arrecadar, inicialmente, R$ 3 milhões em outorga. Estudos técnicos orientam para cobrança de R$ 7,90 por praça de pedágio, que só serão instaladas após as rodovias receberem os investimentos em obras de melhorias necessárias.

Está é a segunda fase das concessões de rodovias estaduais realizadas pelo Pró-Estradas Concessões: Programa de Parcerias com o Setor Privado para Investimentos na Logística de Mato Grosso.

Na primeira fase, realizada em fevereiro deste ano, foram leiloados 300 quilômetros das rodovias MT-100 em Alto Araguaia (lote 1), e MT-320 em Alta Floresta (lote 2), que também são utilizadas para o escoamento da produção.

Os dois primeiros lotes foram arrematados pelo Consórcio Via Brasil, que para o primeiro ofertou lance de R$ 10,05 milhões, representando ágio de 179,16% sobre o valor de outorga mínimo de R$ 3,6 milhões, definido pelo edital.

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Para o lote 2, o consórcio ofertou o lance de R$ 6,16 milhões, maior valor de outorga fixa, representando um ágio de 516% sobre o valor de outorga mínimo, que era de R$ 1 milhão, conforme definido previamente pelo edital.

As rodovias da região do médio norte do estado, que serão leiloadas neste mês, apresentam maior extensão e complexidade em relação aos lotes anteriores leiloados e, por esse motivo, a data do leilão teve que ser prorrogada em duas ocasiões.

Com a concessão do lote 3, o Estado irá alcançar 533 quilômetros de rodovias concessionadas à iniciativa privada e espera atrair investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão com as concessões de rodovias.

Reconhecimento

As concessões de rodovias estaduais realizadas pelo Governo de Mato Grosso estão entre as iniciativas finalistas da 2ª edição do PPP Awards Brazil 2018, a mais importante premiação do país. O Estado concorre como melhor do ano na categoria de melhor modelagem de concessão. Os vencedores serão anunciados em 11 de dezembro.

 

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

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Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

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A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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