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Novo laboratório de medição de umidade vai ajudar produtores

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O laboratório de verificação de medidores de umidade de grãos foi inaugurado na manhã desta quarta-feira (9.12) pelo Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (Ipem MT), vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). No local, serão realizadas das aferições dos aparelhos utilizados para verificação da umidade dos grãos de soja, milho e outras commodities agrícolas.

Comercialização de grãos com mais segurança

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, este é um exemplo de que Estado e iniciativa privada devem andar juntos. “Este projeto vai trazer segurança nas relações comerciais porque os equipamentos aferidos terão um selo do Ipem e o produtor rural vai confiar na medição. Esse tipo de iniciativa deve ser incentivado, é isso que faz Mato Grosso mais forte e cada vez melhor”, afirmou.

O laboratório será coordenado pelo Ipem MT e contou com a parceria do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e da empresa Motomco, que comercializa medidores de umidade de grãos, para ser viabilizado. Dessa forma, o diretor da Aprosoja, Jorge Diogo Giacomelli, explicou que neste ano houve demandas dos produtores rurais durante a safra de milho em relação à confiabilidade dos medidores utilizados pelas empresas.

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“Conversamos com o Ipem MT sobre como viabilizar este laboratório, fechamos parceria com a Motomco, que é uma empresa com quem já trabalhamos no programa Classificador Legal, e graças ao empenho de todos conseguimos colocar aqui esta unidade que será referência no Centro Oeste e no Brasil. Estamos muito felizes com a parceria que trará grandes benefícios para o produtor rural”, afirmou.

Presidente do Ipem MT destaca a importância do laboratório

O presidente do Ipem MT, Bento Bezerra, ressaltou que o laboratório não fará a medição da umidade de grãos, mas irá aferir se os equipamentos estão dentro das normas do Inmetro. “Os medidores devem estar de acordo com as normas do Inmetro estabelecidas na Portaria 402/2014 e NIE 125/2017, que preconizam que todos os aparelhos devem ter segurança nas informações de leitura e dificultar ao máximo a violação do interior, entre outros pontos”, disse.

“O agro vai fazer a diferença no Brasil nos próximos anos e um laboratório como este em Mato Grosso é muito importante para o setor. Estamos aqui hoje trocando experiências com o Ipem MT e aprendendo também, porque vamos implantar um laboratório em São Paulo”, disse Ricardo Gambarone, presidente do Ipem SP.

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Participaram da solenidade o deputado federal Carlos Bezerra, o deputado estadual Thiago Silva, servidores do Ipem MT e da Sedec.

 

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

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Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

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A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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