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Parceria entre Governo e Instituto Ação Verde vai agilizar análise do Cadastro Ambiental Rural

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Com o objetivo de melhorar o Cadastro Ambiental Rural de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), a Casa Civil e o Instituto Ação Verde (IAV) assinaram um Protocolo de Intenções na manhã desta sexta-feira (19.03).

Após a parceria, Mato Grosso contará com a Base Cartográfica da Hidrografia, a ser disponibilizada pelo IAV, como referência para impulsionar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). O Protocolo de intenções tem vigência de um ano a partir da assinatura.

“Estamos consolidando essa parceria que certamente trará muitos benefícios para Mato Grosso, para o meio ambiente, e para o setor produtivo, graças a todas as entidades que se dispuseram a fazer investimento nas melhorias da parte tecnológica da Sema”, avalia o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho. .

O uso de uma Base Cartográfica de Hidrografia unificada aumenta a capacidade operacional da Sema-MT, conta o secretário Executivo da Sema-MT, Alex Marega. “Este protocolo é mais uma de tantas parcerias que temos com o setor produtivo, e que vai não só promover a conservação do meio ambiente, mas condições para que o setor possa produzir e também preservar”.

O presidente do Instituto Ação Verde (IAV), Adilson Valera Ruiz, ressalta a importância da parceria. “Quero parabenizar o governo por esta atitude proativa de somar, é sempre um aprendizado e uma doação. Estamos muito felizes em participar deste projeto do CAR que poderá resultar em um fluxo maior de análises, e aprovações de cadastros”, afirma.

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Protocolo de intenções

A base disponibilizada é a geográfica municipal feita pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), que foi criada com a finalidade de gerar ferramentas para o trabalho de validação do CAR pelos Estados, e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

Para Mato Grosso, foram feitas 88 bases geográficas contemplando: Rios de margem simples; Rios de margem dupla; Nascentes; Massa de água; Área de preservação permanente de hidrografia; Área de preservação permanente degradada de hidrografia; Formação florestal; Formação não florestal; Silvicultura; Área antropizada; Área Edificada.

Cadastro Ambiental Rural

O Estado já possui em sua base cadastral cerca de 66% das áreas rurais passíveis de inscrição no CAR, totalizando cerca de 103 mil cadastros. O Sistema Mato-Grossense de Cadastro Ambiental (Simcar) é um sistema de cadastro ambiental rural que foi implantado pela Sema-MT em substituição ao Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar).

O sistema foi instituído pela Lei Complementar nº 592, de 26 de maio de 2017, e é considerado uma ferramenta primordial para mapear as propriedades do Estado, assegurando uma visão assertiva dos ativos e passivos ambientais do Estado.

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Mato Grosso é o primeiro Estado brasileiro a efetivamente lançar o sistema com a possibilidade de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), atendendo os preceitos do novo Código Florestal que visam a conservação e a regularização ambiental.

Estiveram presentes na assinatura, de forma remota, o diretor executivo do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), Valdinei Bento dos Santos; o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), Welligton Andrade, o representante da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Alvaro Leite, o presidente da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA), Paulo Sérgio Aguiar; o gerente do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), Henrique Prado, e o secretário Adjunto de Administração Sistêmica da Sema-MT, Valdinei Valério da Silva.

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Pesquisadores alertam para perdas de até 100% das plumas de algodão por ataque de Aphelenchoides

Nematoide que acomete a parte aérea da planta, ainda com poucos resultados de estudos, também é o vilão causador da Síndrome da haste verde e retenção foliar na soja, e apresenta maior perigo com incidência elevada de chuvas

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Estragos do fitonematoide em lavouras de algodão podem causar perdas, em alguns casos ,de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Não é só o produtor de soja que deve se preocupar com o ataque de Aphelenchoides besseyi, nematoide que se alimenta de fungos presentes no solo e restos culturais e que parasita a parte aérea da planta. Na soja, causa a Síndrome da haste verde e retenção foliar (“Soja Louca II”), que leva a mais de 60% de abortamento das inflorescênciasMas ele não fica restrito à oleaginosa, os pesquisadores – a nematologista Rosangela Silva, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, e Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica, têm visto a campo grandes estragos do fitonematoide em lavouras de algodão, com perda em alguns casos de 80% a 100% dos frutos, ou seja, das plumas.

Um fator muito importante para quantificar o nível de infestação e multiplicação desse nematoide é o regime de chuvas. Se desde o início do plantio da cultura houve muita precipitação e com constância até o florescimento, segundo Santino, observam-se situações em que as perdas vão de 80 até 100% da produção de frutos. “O produtor não vai colher nada nessa área que foi atacada. É uma preocupação que se deve ter com a soja, mas também com o algodão”, destaca. Um dos agravantes apontados por ele são as regiões sob pivô, pois ainda que a chuva cesse é possível criar condições favoráveis “por conta da umidade oferecida pela irrigação”.

Situação em Mato Grosso

Referência em produção de algodão, Mato Grosso plantou na safra 2021/22, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma área de cerca de 1,18 milhão de hectares. No Estado, o início da semeadura acontece de dezembro a fevereiro e a colheita a partir de junho, momento que possivelmente as lavouras implantadas mais cedo já estão sendo colhidas. “É a partir daí que o produtor vai verificar as perdas, visualizando até a presença de plantas que continuam vegetando quando deveriam começar a senescência. Ainda que ele possa utilizar o dessecante químico, essas plantas podem continuar vegetando”, pontua o pesquisador da Agronema.

Santino Aleandro, da Agronema, consultoria nematológica

Esse ano, os meses de janeiro, fevereiro e março foram chuvosos, mas dentro da média prevista, com o acumulado mensal na casa de 200 milímetros. No entanto, em abril, a quantidade de chuva caiu significativamente, ficando abaixo de 80 milímetros. “Essa redução influencia na presença dos sintomas de Aphelenchoides porque deixa de oferecer condição ideal para o desenvolvimento do patógeno”, conta Santino. Ainda assim, não se pode descuidar, já que ano após ano, de acordo com as condições climáticas, há maior ou menor incidência do problema.

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Identificação recente

A Síndrome da haste verde da soja é relativamente nova. Seu agente causal foi identificado há quase uma década e, somente em 2017, a presença da doença foi observada no algodão, especificamente no município de Sapezal-MT. “Já sabemos que em áreas onde há o patógeno sem o manejo de plantas daninhas, o problema tende a ser mais agravado porque boa parte delas, principalmente as leguminosas e dicotiledôneas, multiplicam mais esse nematoide, permitindo que esteja não só presente no campo, mas em maior quantidade”, explica Rosangela.

Santino diz que o plantio direto traz uma série de melhorias para o solo e produção, mas, por outro lado, também oferece condições de manutenção desse fitonematoide, por causa da umidade e da palhada, que permitem a multiplicação de fungos. Estes, por sua vez, alimentam Aphelenchoides besseyi na entressafra. A introdução desse nematoide nas áreas em que ainda não há a sua presença também pode acontecer por meio do plantio de sementes forrageiras, especialmente a braquiária, “que não foi devidamente processada, que tenha restos de torrões e sem tratamento nematicida”.

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A recomendação de ambos os pesquisadores é evitar, sempre que possível, a sequência de plantio de algodão em áreas que estavam com soja com histórico da Síndrome da haste verde. Também orientam para que, em plantações com grande infestação, adote-se o revolvimento do solo. A prática, mesmo ainda sem dados técnicos científicos de comprovação, é observada com bons resultados aliados à utilização de nematicidas em tratamento de sementes e/ou aplicação de algum produto foliar.

“Estamos em um momento inicial das pesquisas. Há vários testes com produtos químicos e biológicos sendo conduzidos. Ainda não temos uma posição técnica que ofereça um manejo com a certeza de um nível de controle satisfatório. A Fundação MT está com experimentos em andamento e esperamos em breve ter resultados. Por isso, fica o alerta para a máxima atenção às lavouras, seja de soja ou algodão”, completa a pesquisadora Rosangela.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte à classe agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado nas cidades de Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Saiba mais em www.fundacaomt.com.br.

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