DISPUTA ELEITORAL
Candidatos ao Senado cobram votação de impeachments no STF
Em debate, postulantes criticaram atuação do Congresso e defenderam maior independência entre os Poderes; propostas incluem mandato de 12 anos para ministros
POLÍTICA
Candidatos ao Senado por Mato Grosso criticaram o que consideram uma postura omissa do Congresso Nacional diante dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante debate realizado pelo G1 Mato Grosso, nesta quinta-feira (3), os participantes também defenderam medidas para ampliar a independência entre os Poderes.
Entre as sugestões apresentadas durante o encontro estão a análise e votação dos pedidos de impeachment contra ministros do STF e a criação de mandatos de até 12 anos para integrantes da Corte.
O assunto abriu o debate, realizado na tarde desta quinta-feira. O confronto foi mediado pela jornalista Gleyce Santos. Os candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas, Mauro Mendes (UB) e Janaina Riva (MDB), não participaram, assim como Margareth Buzetti (PP).
O senador Carlos Fávaro (PSD), candidato à reeleição, afirmou que nenhum cidadão está acima da legislação. Apesar disso, reconheceu que existe interferência entre os Poderes.
Crítico da atuação do Supremo, o deputado federal José Medeiros (PL) afirmou que o Congresso estaria “acovardado” e sendo “engolido” por decisões da Corte. Segundo ele, a situação chegou ao ponto de ser questionada até mesmo por “partidecos”.
Medeiros também colocou em dúvida a atuação do ministro Alexandre de Moraes e criticou a falta de iniciativa dos parlamentares para levar ao plenário os diversos pedidos de impeachment apresentados contra o magistrado.
As críticas ocorrem em meio à repercussão de mensagens que teriam sido encaminhadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e que vazaram nesta semana. O episódio aumentou as tensões e a crise institucional mencionada pelos candidatos.
Pedro Taques (PSB), ex-procurador da República e ex-senador, classificou o momento político como uma profunda crise institucional. Para ele, seria necessário promover um “freio de arrumação” e estabelecer mandatos de 12 anos para os ministros do Supremo.
O ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan (Avante), também fez críticas ao Congresso. Ele afirmou que o país sofre por contar com “senadores covardes” e direcionou parte dos ataques ao senador Carlos Fávaro, devido ao alinhamento dele com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Galvan ainda citou os senadores Jayme Campos (UB) e Wellington Fagundes (PL), atribuindo a eles a mesma postura de covardia. Wellington, por sua vez, é candidato ao Governo de Mato Grosso.
POLÍTICA
Taques revive polêmica da ata, alfineta Medeiros e leva invertida
Medeiros relembrou que a ata havia sido produzida pela própria coligação que apoiava Taques na eleição de 2010
O ex-governador Pedro Taques (PSB) reviveu, durante o debate entre candidatos ao Senado promovido pelo G1-MT nesta quinta-feira (03), uma antiga polêmica envolvendo a ata da convenção da coligação que disputou as eleições de 2010, quando Taques foi eleito senador e José Medeiros (PL) ficou como primeiro suplente. Taques tentou “lacrar”, mas levou uma invertida do candidato de Bolsonaro em Mato Grosso.
“Ele sabe que eu não falsifiquei a ata, porque quem fez a ata foi o povo dele, era a coligação dele. Você então seria um estelionatário, sabe por quê, Pedro? Em Rondonópolis, os seus discursos eram: ‘Medeiros é meu primeiro suplente’. Você tem que decidir que tipo de cidadão você é: você é um caluniador, um chefe de organização criminosa ou um estelionatário”, respondeu. Medeiros ainda alegou que a ata havia sido produzida pela própria coligação que apoiava Taques na eleição de 2010.
Durante o debate, Taques afirmou que o adversário teria “falsificado a ata” e levado o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas no último mês de seu mandato. Medeiros, que havia sido escolhido como primeiro suplente, chegou a ocupar a cadeira de senador após a renúncia de Taques ao mandato para assumir o governo de Mato Grosso, em 2015.
Na sequência do embate, Taques voltou a provocar o adversário ao afirmar que pretende exercer um mandato no Senado sem estar subordinado a um ex-presidente da República.
“Eu quero ser senador da República, não de presidente da República, o ex-presidente da República”, afirmou.
Medeiros aproveitou a resposta para reforçar sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e apresentar as principais bandeiras de sua campanha. O candidato também voltou a defender o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, a anistia para pessoas que considera injustiçadas e a volta de Bolsonaro à Presidência.
“Eu quero agradecer ao presidente Jair Bolsonaro por ter me indicado como seu candidato ao Senado. Quero agradecer também ao candidato Pedro Taques, que escolheu, à época, como primeiro suplente, por ter uma ficha limpa”, afirmou.
Medeiros também citou o senador Flávio Bolsonaro e disse que pretende atuar, caso eleito, para formar uma maioria no Senado.
“Junto com Flávio Bolsonaro, junto com os senadores, nós faremos a maioria da bancada no Senado. Nós vamos tirar Alexandre de Moraes e vamos ver ele pagar pelos crimes que cometeu. Nós queremos a anistia daquelas pessoas injustiçadas”, declarou.
Ao final da resposta, Medeiros ampliou o discurso para pautas nacionais e regionais, defendendo o retorno de Bolsonaro à Presidência e medidas voltadas ao setor produtivo de Mato Grosso.
“Queremos o Brasil grande de novo. Queremos o Brasil respeitado de novo e queremos o Mato Grosso destravado. Queremos os indígenas Parecis podendo plantar. Queremos o Mato Grosso de volta aos mato-grossenses”, afirmou.
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