ELITE ECONÔMICA
MT cresce no mapa dos super-ricos, mas desigualdade dispara
Entre 2017 e 2023, ganhos do 0,1% mais rico do estado mais que dobraram, puxados pela valorização das commodities
POLÍTICA
Mato Grosso desponta entre os estados brasileiros com maior presença de super-ricos. Segundo levantamento publicado pelo Fiscal Data e reportagem do jornal Estado de S. Paulo, o estado concentra 2,52% do total nacional das pessoas com renda mensal superior a R$ 146 mil (ou R$ 1,7 milhão por ano), ocupando a 9ª posição no ranking. Entre 2017 e 2023, a fatia da renda acumulada pelo 1% mais rico da população local saltou de 20% para 30%, um aumento bem acima da média nacional, de 24,3%.
Esse crescimento está diretamente ligado à força do agronegócio e à valorização das commodities agrícolas, que ampliaram os ganhos de empresários e investidores do setor. Apenas o 0,1% mais rico de Mato Grosso — grupo formado por pessoas com renda mensal acima de R$ 146 mil — mais que dobrou seus ganhos no período, reforçando a concentração de renda no topo da pirâmide.
“O fenômeno está menos relacionado ao aumento da produção e mais ao efeito dos preços internacionais, que cresceram e são cotados em dólar. Com o câmbio desvalorizado, em reais, a renda desses contribuintes aumentou ainda mais”, explica o economista Sérgio Gobetti, um dos autores do estudo ao Estadão.
No Brasil, São Paulo lidera com folga a concentração dos super-ricos, abrigando 42,15% desse público. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (9,48%), Minas Gerais (8,18%), Paraná (6,85%), Rio Grande do Sul (6,44%), Santa Catarina (4,92%), Goiás (3,15%) e Bahia (2,54%).
O levantamento mostra ainda que a desigualdade entre ricos e pobres aumentou após a pandemia. O 0,1% mais rico — pouco mais de 160 mil pessoas — sozinho detém 12,5% de toda a renda das famílias brasileiras. Dentro desse grupo, os ganhos cresceram em média 6,9% ao ano entre 2017 e 2023, taxa muito superior ao crescimento do PIB e da renda média das famílias (+1,4%).
Entre os 0,01% mais ricos, uma elite ainda mais restrita que recebe acima de R$ 855 mil por mês, o aumento foi de 7,9% ao ano, sinalizando que até dentro da elite há forte concentração de renda.
Boa parte desse crescimento é explicada pelos lucros e dividendos — que respondem por dois terços do aumento da renda dos 0,1% mais ricos. Como esses ganhos são isentos de Imposto de Renda, o governo estuda mudanças na tributação para ampliar a contribuição desse grupo.
Para Gobetti, as propostas em discussão são apenas um “aperitivo”: “O ganho aumentou nas rendas altas, o que redobra a importância de mudar o tratamento tributário conferido a lucros e dividendos. O debate precisa ir além do imposto mínimo e discutir efetivamente quanto é pago em tributos pelas pessoas físicas e jurídicas”.
O contraste social
Enquanto os 10% mais ricos do país recebem mais de R$ 6,3 mil por mês, quem está entre os 5% mais ricos ganha acima de R$ 11,4 mil. Já para entrar no 1% é preciso ter renda acima de R$ 34,7 mil mensais. O salto é ainda maior no estrato dos super-ricos, evidenciando o abismo social que separa a elite econômica da maioria da população brasileira.
POLÍTICA
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Prefeito afirma que competição não seria autorizada em nenhum espaço administrado pelo Município, critica o formato da disputa e diz que participantes podem se arrepender no futuro.
A falta de acesso à água potável, a necessidade de conciliar turismo e preservação ambiental e o fortalecimento das políticas voltadas às comunidades tradicionais estiveram entre as principais demandas identificadas durante a segunda etapa da Travessia Pantaneira, projeto promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A iniciativa reuniu promotores de Justiça, representantes de instituições e lideranças locais em uma expedição pelo Pantanal para conhecer de perto a realidade dos moradores e ouvir suas reivindicações.
A programação foi encerrada no último sábado (18), com visitas à base da ONG Panthera Brasil e ao Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé, uma das áreas de maior concentração de onças-pintadas do mundo e referência internacional para o turismo de observação da fauna.
Na Panthera Brasil, a comitiva conheceu o trabalho desenvolvido para a conservação das nove espécies de felinos silvestres encontradas no país e as ações de pesquisa e monitoramento realizadas no Pantanal. A organização também desenvolve projetos socioambientais junto às comunidades da região e mantém parceria com órgãos públicos para a proteção da biodiversidade.
A coordenadora da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Panthera Brasil, Flaviane Veras Fernandes, destacou que a aproximação entre o Ministério Público e as comunidades pode contribuir para transformar demandas históricas em ações concretas. Segundo ela, a entidade busca ampliar parcerias para fortalecer iniciativas de conservação e desenvolvimento local.
Ao longo da travessia, representantes de associações comunitárias também apresentaram os principais desafios enfrentados pelos pantaneiros. Para Marlene Benedita de Almeida Oliveira, da Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Aguapan), a presença do Ministério Público no território permitiu que as necessidades da população fossem conhecidas diretamente por quem pode atuar na busca por soluções.
Parceiro da iniciativa, o presidente do Instituto A Casa do Centro Mato-Grossense, José Medeiros, ressaltou que o objetivo da expedição foi aproximar promotores de Justiça da realidade vivida pelas comunidades ribeirinhas. Segundo ele, muitas das dificuldades enfrentadas pelos moradores só podem ser compreendidas plenamente por meio da presença no território e do diálogo direto com a população.
Durante a visita ao Parque Estadual Encontro das Águas, a procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza chamou atenção para o crescimento do turismo de observação de onças-pintadas e defendeu o fortalecimento da regulamentação da atividade dentro da unidade de conservação. A avaliação é de que o aumento no fluxo de visitantes exige regras capazes de garantir a proteção da espécie e do ecossistema.
Entre os pontos que mais chamaram a atenção da equipe do Ministério Público esteve a dificuldade de acesso à água potável em diversas comunidades pantaneiras. O promotor de Justiça Claudio Angelo Correa Gonzaga observou que esse direito básico ainda representa um desafio para parte da população, que também demonstrou preocupação com possíveis impactos da atividade minerária sobre os recursos hídricos da região.
Segundo o promotor, a experiência reforçou a necessidade de que a atuação institucional incorpore cada vez mais a perspectiva da justiça socioambiental, conciliando preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e melhoria das condições de vida das comunidades tradicionais que vivem no Pantanal.
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