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Açúcar amplia perdas nas bolsas internacionais enquanto mercado físico brasileiro mantém estabilidade

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O mercado internacional do açúcar voltou a encerrar o pregão desta quinta-feira (7) em baixa, ampliando o movimento de desvalorização observado nas últimas sessões. As cotações foram pressionadas principalmente pela queda do petróleo, pelo avanço das expectativas de maior oferta global e por sinais de enfraquecimento da demanda internacional.

Na bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto registraram perdas em todos os principais vencimentos. O contrato julho/26 caiu 0,27 centavo de dólar por libra-peso, fechando negociado a 14,54 cents/lbp. O outubro/26 recuou 0,28 cent, encerrando a 15,02 cents/lbp, enquanto o março/27 perdeu 0,29 cent, terminando o dia em 15,86 cents/lbp.

O movimento reforça o cenário baixista observado no mercado externo nas últimas semanas, diante das perspectivas de maior disponibilidade da commodity no mercado global.

Açúcar branco também recua em Londres

Na ICE Europe, os contratos do açúcar branco acompanharam o viés negativo registrado em Nova York.

O vencimento agosto/26 caiu US$ 5,30 e encerrou cotado a US$ 431,90 por tonelada. Já o contrato outubro/26 perdeu US$ 6,10, fechando a US$ 431,00 por tonelada. O dezembro/26 recuou US$ 6,60, encerrando o pregão em US$ 434,70 por tonelada.

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Os demais vencimentos também apresentaram desvalorização, refletindo a continuidade da pressão vendedora no mercado internacional.

Mercado físico brasileiro segue estável

Enquanto o exterior registra perdas mais acentuadas, o mercado físico brasileiro do açúcar mantém relativa estabilidade neste início de maio.

O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo apresentou leve alta de 0,11% na quinta-feira (7), com a saca de 50 quilos negociada a R$ 97,83.

Com o resultado, as perdas acumuladas do indicador no mês foram reduzidas para 0,08%, demonstrando um cenário de acomodação dos preços no mercado paulista.

Segundo agentes do setor, a demanda interna ainda oferece sustentação parcial aos preços, mesmo diante do ambiente externo mais pressionado.

Etanol mantém trajetória de queda em São Paulo

No mercado de biocombustíveis, o etanol hidratado também segue pressionado.

De acordo com o Indicador Diário Paulínia, o produto foi negociado a R$ 2.380,00 por metro cúbico, registrando recuo diário de 0,34%.

No acumulado de maio, a queda já chega a 1,08%, refletindo o enfraquecimento da competitividade do biocombustível diante do cenário internacional de energia.

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Petróleo em baixa altera estratégia das usinas

A retração do petróleo nas últimas sessões continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o setor sucroenergético.

Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade, reduzindo o interesse pelo biocombustível e impactando diretamente os preços do açúcar nas bolsas internacionais.

Além disso, a queda do etanol no mercado interno já começa a influenciar a estratégia das usinas brasileiras. Com maior rentabilidade relativa do açúcar, parte do setor tende a direcionar mais cana-de-açúcar para a produção do adoçante.

O mercado também monitora o avanço da safra brasileira e o cenário de oferta global mais elevada, fatores que continuam sustentando o viés baixista para os preços internacionais do açúcar no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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