LOGÍSTICA
Agro em MT cresce 66% enquanto malha asfaltada mais que dobra
Expansão da produção agrícola elevou a demanda por investimentos em rodovias, pontes e corredores de transporte
AGRO
A expansão da produção agropecuária em Mato Grosso nos últimos oito anos ocorreu em paralelo ao aumento dos investimentos em infraestrutura rodoviária, movimento que vem alterando a dinâmica logística do estado e reduzindo um dos principais fatores que afetam a competitividade do agronegócio brasileiro: o custo do transporte.
Entre as safras 2018/2019 e 2025/2026, a produção de grãos deverá saltar de 66 milhões para 110 milhões de toneladas, crescimento superior a 60%. No mesmo período, a malha rodoviária pavimentada mais que dobrou, passando de aproximadamente 6 mil quilômetros para quase 14 mil quilômetros previstos até o final deste ano. Segundo dados do Governo do Estado, foram implantados mais de 6,1 mil quilômetros de novos pavimentos, dentro de um programa que prevê investimentos de R$ 23,4 bilhões em infraestrutura rodoviária.
A ampliação da capacidade logística ocorre em um momento em que o Brasil ainda convive com elevados custos de transporte. Estimativas apontam que a logística representa cerca de 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, percentual significativamente superior ao de economias como a dos Estados Unidos. Para um estado cuja economia depende fortemente da produção agrícola destinada aos mercados interno e externo, a eficiência da infraestrutura influencia diretamente os custos da cadeia produtiva.
“O crescimento de Mato Grosso não aconteceu por acaso. Ele é resultado de planejamento e de investimentos em infraestrutura. Em oito anos, vamos entregar mais de 7 mil quilômetros de asfalto novo e mais de 300 pontes, reduzindo gargalos logísticos e criando as condições para que a produção continue crescendo com competitividade. Quando o Estado faz a sua parte, quem produz consegue produzir mais e melhor”, afirma o governador Otaviano Pivetta.
Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, a melhoria das rodovias produz efeitos diretos sobre os custos de produção e a previsibilidade das operações no campo.
“A logística faz parte do custo de produção. Quando uma estrada é asfaltada ou recuperada, muda a rotina do produtor, do caminhoneiro e também das comunidades do entorno. A safra ganha fluidez, os insumos chegam com mais regularidade e o produtor consegue planejar melhor suas operações”, afirma.
Segundo Tomain, a previsibilidade é um dos principais ganhos para o setor. “O produtor precisa saber quando vai colher, carregar, entregar e quanto isso vai custar. Quando uma ponte cai ou uma estrada fica intransitável, toda a cadeia sente os impactos, do produtor ao exportador.”
Estudos sobre infraestrutura rodoviária indicam que estradas em condições precárias podem elevar em até 91,5% os custos operacionais do transporte em comparação com vias em boas condições. Além do maior consumo de combustível, o desgaste da frota, o aumento das despesas com manutenção e o maior tempo de viagem reduzem a eficiência da logística.
Nos últimos anos, parte desses gargalos foi enfrentada com a substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto. Segundo o governo estadual, 153 pontes foram construídas no período, reduzindo interrupções frequentes durante o período chuvoso e garantindo maior regularidade ao escoamento da produção.
Outro fator apontado pelo setor produtivo é a melhoria dos principais corredores logísticos. Na BR-163, principal rota de transporte da safra mato-grossense, a proporção de trechos classificados como ótimos passou de 19% para 41,2%, acompanhada de obras de duplicação e ampliação da capacidade da rodovia.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, o crescimento da infraestrutura acompanhou a expansão da agricultura e contribuiu para evitar que a logística se tornasse um obstáculo ainda maior ao desenvolvimento do setor.
“Mato Grosso praticamente dobrou sua malha rodoviária pavimentada justamente em um período em que a agricultura ampliou fortemente sua produção. Esse investimento permite que a infraestrutura acompanhe o crescimento do campo, reduzindo gargalos históricos e dando mais eficiência ao escoamento da safra”, diz.
Segundo Beber, o aumento da produção também ampliou a arrecadação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), criando capacidade financeira para novos investimentos em infraestrutura e fortalecendo o ciclo de expansão econômica nas regiões produtoras.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, avalia que os investimentos em logística extrapolam o atendimento às demandas do agronegócio e criam condições para a diversificação da economia.
“Cada quilômetro pavimentado representa mais competitividade para quem produz, mais segurança para quem transporta e melhores condições para atrair novos investimentos. A infraestrutura é a base para a expansão da agroindústria, do comércio, dos serviços e de novos negócios, porque reduz custos, aproxima mercados e cria oportunidades de desenvolvimento em todas as regiões do Estado”, afirma.
Segundo ela, a ampliação da infraestrutura cria um ambiente mais favorável para novos empreendimentos industriais, fortalece a competitividade das empresas instaladas no estado e contribui para sustentar um novo ciclo de crescimento econômico.
A abordagem prioriza o impacto econômico dos investimentos, contextualiza os números e utiliza as declarações como fontes da reportagem, evitando o tom de prestação de contas típico de um release institucional.
AGRO
Produtividade da soja cai 14,8% no Rio Grande do Sul após irregularidade das chuvas na safra 2025/26
A colheita da soja da safra 2025/26 foi concluída no Rio Grande do Sul, encerrando um ciclo marcado pela forte irregularidade das chuvas e por perdas significativas de produtividade. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, restam apenas áreas pontuais de soja de segunda safra, sem representatividade estatística para o resultado estadual.
Os dados consolidados mostram que o desempenho das lavouras ficou abaixo das expectativas iniciais, refletindo os impactos do déficit hídrico registrado em diferentes momentos do ciclo produtivo.
Produtividade estadual fica quase 15% abaixo da estimativa inicial
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a produtividade média da soja no Rio Grande do Sul foi revisada para 2.707 quilos por hectare, resultado 14,8% inferior à projeção inicial de 3.180 quilos por hectare, divulgada antes do início do plantio.
A área cultivada com a oleaginosa no Estado foi estimada em 6.697.172 hectares, consolidando o Rio Grande do Sul entre os principais produtores nacionais de soja.
Segundo o levantamento, a redução da produtividade está diretamente relacionada à distribuição irregular das chuvas durante o desenvolvimento da cultura. Enquanto algumas regiões receberam precipitações suficientes para manter o potencial produtivo, outras enfrentaram longos períodos de estiagem justamente nas fases mais sensíveis da lavoura, comprometendo o enchimento de grãos e o rendimento final.
Chuvas irregulares provocaram grandes diferenças entre regiões
A Emater destaca que a variabilidade climática resultou em diferenças expressivas de produtividade entre regiões, municípios e até mesmo entre propriedades vizinhas.
Esse comportamento evidencia como a distribuição das chuvas, mais do que o volume total precipitado, foi determinante para o desempenho das lavouras na safra.
Região de Ijuí registra contrastes no rendimento das lavouras
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a colheita também foi totalmente finalizada, confirmando a forte disparidade entre os municípios.
Os menores rendimentos foram registrados em áreas de Augusto Pestana, Coronel Barros e Jóia, onde a escassez de chuvas durante os períodos críticos do desenvolvimento da soja limitou significativamente o potencial produtivo.
Em contrapartida, o município de Santa Bárbara do Sul apresentou um dos melhores desempenhos da região, alcançando produtividade média superior a 3.600 quilos por hectare, favorecido por condições climáticas mais adequadas ao longo do ciclo.
Clima reforça desafios para a produção gaúcha
O encerramento da colheita confirma mais uma safra em que o comportamento climático foi determinante para os resultados da soja no Rio Grande do Sul.
As diferenças observadas entre as regiões reforçam a vulnerabilidade da produção agrícola aos eventos climáticos extremos e evidenciam a importância de estratégias de manejo, planejamento e tecnologias capazes de reduzir os impactos da variabilidade das chuvas sobre a produtividade das lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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