GRÃOS ESPECIAIS
MT concentra 58% da produção de gergelim e amplia exportação
O levantamento também cita ações desenvolvidas pela Sedec para incentivar investimentos em pesquisa e melhoramento de sementes
AGRO
Mato Grosso consolidou a liderança na produção brasileira de gergelim e deve responder por 57,7% de toda a safra nacional em 2026, segundo o mais recente Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (15). A estimativa é de 210,6 mil toneladas produzidas no Estado, em um cenário de expansão da cultura no país.
Pela primeira vez, o IBGE passou a acompanhar o gergelim de forma específica no levantamento mensal, reflexo do crescimento da importância da oleaginosa para a agricultura brasileira. No documento, o instituto destaca que Mato Grosso vem consolidando a cultura como alternativa estratégica para os produtores, impulsionada pela abertura de mercados internacionais, adaptação às condições climáticas e diversificação da produção.
O levantamento também cita ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), que tem incentivado investimentos em pesquisa e melhoramento de sementes para ampliar a produtividade da cultura. Outro fator apontado pelo IBGE é a substituição do milho pelo gergelim em regiões onde a estiagem ocorre mais cedo, como o Araguaia, aproveitando a janela da segunda safra.
Atualmente, cerca de 99% do gergelim produzido em Mato Grosso é destinado à exportação, reforçando o perfil da cultura voltado ao mercado internacional. Nacionalmente, a produção foi estimada em 364,8 mil toneladas em 2026, crescimento de 5,7% em relação ao levantamento anterior, impulsionado pela expansão da área plantada.
AGRO
Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes
O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.
O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.
O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.
A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.
O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.
Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.
Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.
A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.
Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.
Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.
Fonte: Pensar Agro
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