TRANSPORTE INTERMUNICIPAL
Justiça manda periciar reajuste de 20% na tarifa entre Cuiabá e VG
Decisão também decreta revelia do Consórcio Metropolitano e determina que Estado arque com os custos da perícia
COTIDIANO
A Justiça de Mato Grosso determinou a realização de uma perícia contábil e econômica para verificar se o reajuste de 20,27% na tarifa do transporte coletivo intermunicipal entre Cuiabá e Várzea Grande observou os critérios legais e contratuais. A decisão é da juíza Célia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ações Coletivas, no processo movido pela Associação dos Usuários do Transporte Público de Mato Grosso (Assut-MT).
Além de autorizar a produção da prova técnica, a magistrada decretou a revelia do Consórcio Metropolitano de Transportes, concessionária responsável pelo serviço, por não apresentar contestação dentro do prazo legal. A empresa foi citada em dezembro do ano passado, mas protocolou a defesa apenas em fevereiro deste ano. Apesar disso, a juíza ressaltou que a revelia não implica aceitação automática dos fatos narrados pela associação, uma vez que a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT) e o Estado apresentaram defesa tempestivamente.
O laudo pericial ficará restrito à análise da legalidade do reajuste que elevou a passagem de R$ 4,95 para R$ 5,95, em junho de 2025. O perito deverá examinar a composição dos custos operacionais do sistema e os critérios utilizados para definir o novo valor da tarifa. O Conselho Regional de Contabilidade (CRC-MT) terá 15 dias para indicar o profissional responsável pelo trabalho, que será custeado pelo Estado.
Na mesma decisão, a juíza inverteu o ônus da prova em favor dos usuários. Com isso, caberá ao Consórcio, à Ager e ao Estado demonstrar que o aumento observou os parâmetros técnicos, contratuais e econômicos previstos para a concessão.
A magistrada também delimitou o objeto da ação e afastou da discussão temas relacionados à qualidade da prestação do serviço, como superlotação, renovação da frota, investimentos, aplicação de multas e eventual caducidade da concessão. Segundo ela, essas questões possuem natureza própria e não interferem, por si só, na análise da legalidade do reajuste tarifário.
O aumento foi aprovado pela diretoria da Ager em junho de 2025, após três anos sem reajuste. Na ação, a Associação dos Usuários sustenta que a inflação acumulada no período foi de 5,36% e questiona a ausência de audiência pública antes da definição da nova tarifa. Já o Estado e a agência reguladora defendem que o percentual seguiu metodologia técnica da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e foi necessário para preservar o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
O pedido para suspender imediatamente o reajuste já havia sido negado anteriormente pela Justiça. Assim, a tarifa permanece em R$ 5,95 até o julgamento definitivo da ação.
COTIDIANO
MP pede novo bloqueio de R$ 15 milhões da Prefeitura de Cuiabá
Ministério Público aponta descumprimento do TAC firmado em 2016 e cobra medidas para reestruturar a política de proteção animal
A 16ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital reiterou o pedido de bloqueio imediato de R$ 15 milhões das contas do Município de Cuiabá para assegurar o cumprimento das obrigações previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2016, voltado à estruturação da política municipal de bem-estar animal. A medida busca garantir a execução das ações necessárias à proteção e ao cuidado dos animais sob responsabilidade do poder público municipal.
Em manifestação protocolada nesta quarta-feira (29), nos autos do Cumprimento de Sentença, o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel requereu que o valor eventualmente bloqueado seja vinculado à futura execução das obrigações não cumpridas pelo Município e ao custeio de obras e adequações estruturais consideradas emergenciais na política de bem-estar animal. “O bloqueio do montante de R$ 15.000.000,00 não possui caráter punitivo, mas sim finalidade coercitiva e garantidora da execução específica das obrigações do TAC”, defendeu.
O Ministério Público também solicitou o encaminhamento de cópias dos inquéritos e laudos produzidos pela Polícia Civil de Mato Grosso e pela Diretoria Metropolitana de Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) referentes às fiscalizações realizadas em julho de 2026. Além disso, requereu que o Município seja intimado a prestar esclarecimentos, no prazo de 10 dias, sobre os óbitos de animais registrados na unidade, índices de mortalidade, casos de desnutrição, descarte de medicamentos vencidos e demais providências adotadas. No mesmo prazo, a Prefeitura deverá apresentar um plano detalhado para o cumprimento integral do TAC.
Histórico – Na petição, o promotor de Justiça sustentou que o Município continua descumprindo compromissos assumidos no acordo firmado com o Ministério Público, apesar das alegações de regularidade apresentadas pela administração municipal. Joelson Maciel destacou, diante da persistência das irregularidades, do colapso no atendimento veterinário emergencial e das condições inadequadas observadas no abrigo municipal, que o órgão ministerial já havia requerido anteriormente o bloqueio judicial de R$ 15 milhões, pedido que acabou sendo indeferido temporariamente.
Em vez da medida cautelar solicitada, a Justiça determinou a realização de uma prova técnica simplificada, por meio de vistoria conduzida por equipe do Juizado Volante Ambiental (Juvam), com o objetivo de avaliar as condições de salubridade e manejo do Canil Municipal.
O Ministério Público, entretanto, questiona a confiabilidade da inspeção realizada em 15 de abril de 2026. Segundo a manifestação, a vistoria foi previamente comunicada à administração municipal, o que teria possibilitado a adoção de providências temporárias voltadas à preparação do local para a inspeção.
Como reforço desse entendimento, o MPMT apresentou documentos indicando que, na mesma data da vistoria, a Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal promoveu o descarte formal de medicamentos vencidos, circunstância que não foi retratada no relatório produzido após a fiscalização.
Problemas persistentes – A manifestação também destaca fatos recentes registrados em 27 de julho, quando equipes da Polícia Civil e da Politec realizaram diligências na unidade municipal após denúncias relacionadas à morte de animais. De acordo com o MPMT, foram constatados indícios que motivaram apurações sobre as condições de permanência dos animais no local, incluindo relatos que associam os óbitos a calor excessivo, deficiência de ventilação e falhas no abastecimento de água.
Para o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel, os elementos mais recentes reforçam que os problemas identificados não são episódios isolados. “As irregularidades apontadas pelo Ministério Público não constituem ocorrências isoladas ou pretéritas, mas problemas persistentes e estruturais”, argumentou, acrescentando que “longe de confirmar o cenário de normalidade sugerido pelo Relatório de Vistoria do Juvam, os fatos recentemente apurados indicam a persistência de falhas graves na gestão da unidade.”
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