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BEM-ESTAR ANIMAL

MP pede novo bloqueio de R$ 15 milhões da Prefeitura de Cuiabá

Ministério Público aponta descumprimento do TAC firmado em 2016 e cobra medidas para reestruturar a política de proteção animal

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COTIDIANO

Pedido foi renovado após novas diligências apontarem problemas estruturais e mortes de animais no abrigo municipal

A 16ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital reiterou o pedido de bloqueio imediato de R$ 15 milhões das contas do Município de Cuiabá para assegurar o cumprimento das obrigações previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2016, voltado à estruturação da política municipal de bem-estar animal. A medida busca garantir a execução das ações necessárias à proteção e ao cuidado dos animais sob responsabilidade do poder público municipal.

Em manifestação protocolada nesta quarta-feira (29), nos autos do Cumprimento de Sentença, o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel requereu que o valor eventualmente bloqueado seja vinculado à futura execução das obrigações não cumpridas pelo Município e ao custeio de obras e adequações estruturais consideradas emergenciais na política de bem-estar animal. “O bloqueio do montante de R$ 15.000.000,00 não possui caráter punitivo, mas sim finalidade coercitiva e garantidora da execução específica das obrigações do TAC”, defendeu.

O Ministério Público também solicitou o encaminhamento de cópias dos inquéritos e laudos produzidos pela Polícia Civil de Mato Grosso e pela Diretoria Metropolitana de Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) referentes às fiscalizações realizadas em julho de 2026. Além disso, requereu que o Município seja intimado a prestar esclarecimentos, no prazo de 10 dias, sobre os óbitos de animais registrados na unidade, índices de mortalidade, casos de desnutrição, descarte de medicamentos vencidos e demais providências adotadas. No mesmo prazo, a Prefeitura deverá apresentar um plano detalhado para o cumprimento integral do TAC.

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Histórico – Na petição, o promotor de Justiça sustentou que o Município continua descumprindo compromissos assumidos no acordo firmado com o Ministério Público, apesar das alegações de regularidade apresentadas pela administração municipal. Joelson Maciel destacou, diante da persistência das irregularidades, do colapso no atendimento veterinário emergencial e das condições inadequadas observadas no abrigo municipal, que o órgão ministerial já havia requerido anteriormente o bloqueio judicial de R$ 15 milhões, pedido que acabou sendo indeferido temporariamente.

Em vez da medida cautelar solicitada, a Justiça determinou a realização de uma prova técnica simplificada, por meio de vistoria conduzida por equipe do Juizado Volante Ambiental (Juvam), com o objetivo de avaliar as condições de salubridade e manejo do Canil Municipal.

O Ministério Público, entretanto, questiona a confiabilidade da inspeção realizada em 15 de abril de 2026. Segundo a manifestação, a vistoria foi previamente comunicada à administração municipal, o que teria possibilitado a adoção de providências temporárias voltadas à preparação do local para a inspeção.

Como reforço desse entendimento, o MPMT apresentou documentos indicando que, na mesma data da vistoria, a Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal promoveu o descarte formal de medicamentos vencidos, circunstância que não foi retratada no relatório produzido após a fiscalização.

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Problemas persistentes – A manifestação também destaca fatos recentes registrados em 27 de julho, quando equipes da Polícia Civil e da Politec realizaram diligências na unidade municipal após denúncias relacionadas à morte de animais. De acordo com o MPMT, foram constatados indícios que motivaram apurações sobre as condições de permanência dos animais no local, incluindo relatos que associam os óbitos a calor excessivo, deficiência de ventilação e falhas no abastecimento de água.

Para o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel, os elementos mais recentes reforçam que os problemas identificados não são episódios isolados. “As irregularidades apontadas pelo Ministério Público não constituem ocorrências isoladas ou pretéritas, mas problemas persistentes e estruturais”, argumentou, acrescentando que “longe de confirmar o cenário de normalidade sugerido pelo Relatório de Vistoria do Juvam, os fatos recentemente apurados indicam a persistência de falhas graves na gestão da unidade.”

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Sindicato rural cobra investigação sobre queimada do ICMBio

Entidade afirma que atividade precisa ser esclarecida e defende que órgãos ambientais obedeçam às mesmas regras exigidas dos produtores

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O episódio também reacende a discussão sobre o tratamento dado aos produtores rurais durante o período de incêndios no Pantanal

O Sindicato Rural de Poconé cobrou investigação sobre a ocorrência registrada na segunda-feira (7) em uma área próxima à base operacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Poconé. Segundo informações divulgadas pela imprensa regional, uma equipe do Corpo de Bombeiros identificou uma área com queima de madeira nas proximidades da estrutura do instituto e conduziu um servidor à Delegacia de Polícia Civil.

Posteriormente, o ICMBio informou que não houve detenção e esclareceu que a atividade tinha caráter preventivo, com queima controlada de resíduos vegetais provenientes da limpeza da área.

Diante das versões apresentadas, o Sindicato Rural defende, em nota à imprensa, que sejam esclarecidas as circunstâncias da ocorrência, incluindo a natureza da atividade, eventual autorização, o local exato onde ocorreu a queima, os procedimentos adotados e os critérios técnicos e legais utilizados. A entidade afirma que não pretende antecipar qualquer julgamento sobre responsabilidades, mas considera necessária uma apuração imparcial e transparente.

Para o sindicato, o episódio também reacende uma discussão sobre o tratamento dado aos produtores rurais durante o período de incêndios no Pantanal. A entidade afirma que pecuaristas que vivem na região enfrentam anualmente períodos de seca extrema e, em muitos casos, estão entre os primeiros a atuar no combate ao fogo.

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“O setor produtivo não defende o uso irregular do fogo. Defende segurança jurídica, critérios técnicos objetivos, orientação adequada e igualdade de tratamento perante a lei”, afirma o Sindicato Rural de Poconé.

A entidade questiona ainda se os mesmos critérios e exigências aplicados aos produtores rurais para o uso do fogo também são observados em atividades de prevenção e manejo realizadas por órgãos ambientais dentro ou no entorno de unidades de conservação.

O sindicato cita como exemplo as exigências feitas aos produtores, como autorizações, procedimentos específicos, equipamentos, aceiros e registros, e defende que eventuais atividades de manejo do fogo realizadas por órgãos públicos também sejam submetidas a critérios técnicos e legais claros.

Além da investigação sobre o episódio, a entidade defende maior participação dos produtores rurais, sindicatos, comunidades locais, municípios, Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais e instituições de pesquisa na formulação das políticas de prevenção e combate aos incêndios.

Outro ponto levantado é a criação e ampliação de unidades de conservação no Pantanal, incluindo medidas relacionadas ao Parque Nacional do Pantanal e à Estação Ecológica de Taiamã. O sindicato afirma reconhecer a importância da conservação ambiental, mas sustenta que a ampliação das áreas protegidas deve ser acompanhada de estrutura, gestão, fiscalização e capacidade efetiva de prevenção e combate aos incêndios.

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Ao final, a entidade defende que as políticas para o Pantanal sejam baseadas em ciência, diálogo e conhecimento local. Para o sindicato, o enfrentamento aos incêndios exige maior estrutura e integração entre os órgãos públicos, além de regras claras e fiscalização imparcial.

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