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AÇÃO NA JUSTIÇA

MP intervém na Rodoviária do Coxipó por problemas estruturais

Ação aponta falhas elétricas e hidráulicas, infiltrações, problemas de acessibilidade e deficiências no combate a incêndios.

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) entrou com uma ação civil pública para suspender as atividades da Rodoviária do Coxipó, em Cuiabá, após identificar problemas estruturais que, segundo o órgão, comprometem a segurança e a acessibilidade dos usuários.

A ação foi proposta pela 6ª Promotoria de Justiça Cível da Capital depois de reuniões com órgãos públicos, pedidos de informações, inspeções técnicas e recomendações para que as irregularidades fossem corrigidas. De acordo com o Ministério Público, as medidas necessárias ainda não foram adotadas.

Relatórios técnicos apontaram infiltrações, falhas nas instalações elétricas e hidráulicas, deficiências nos sistemas de prevenção e combate a incêndios, falta de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de desgaste em pisos e calçadas.

Durante o período de apuração, algumas melhorias foram realizadas no local, como a instalação de novos assentos, bebedouro e equipamentos de combate a incêndio. Os técnicos, porém, consideraram as medidas insuficientes para solucionar os problemas identificados.

Para a promotora de Justiça Valnice Silva dos Santos, a situação exige uma solução definitiva.

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“Após anos de tratativas e tentativas de solução administrativa, persistem irregularidades que não podem ser ignoradas”, afirmou.

O Ministério Público também questiona a falta de uma definição administrativa sobre o funcionamento do terminal. Segundo a ação, Ager-MT, Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e a concessionária responsável pela Rodoviária de Cuiabá já discutiram a situação, mas não houve uma solução definitiva.

Na Justiça, o MPMT pede a suspensão imediata das atividades de embarque, desembarque e venda de passagens na Rodoviária do Coxipó até que as irregularidades sejam corrigidas.

O órgão também solicita que sejam adotadas medidas para garantir o cumprimento das normas do transporte rodoviário intermunicipal em Mato Grosso.

Segundo o Ministério Público, a eventual suspensão não deixará os passageiros sem atendimento. Conforme informações da Sinfra-MT, Cuiabá possui o Terminal Rodoviário Engenheiro Cássio Veiga de Sá, estrutura oficial do sistema de transporte intermunicipal e com capacidade para absorver a demanda.

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AGRO

MT colhe 99% do milho na safra e estima produção recorde

Estado deve produzir 57,39 milhões de toneladas na segunda safra, enquanto demanda das usinas de etanol sustenta consumo interno.

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Mato Grosso já colheu 99,10% da área cultivada com milho na segunda safra 2025/26, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O estado deve encerrar o ciclo com produção recorde estimada em 57,39 milhões de toneladas, alta de 3,53% em relação à temporada anterior.

Os números fazem parte do relatório de agosto do Imea, elaborado a partir de levantamentos de campo realizados em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,41% na comparação anual.

A produtividade média permaneceu em 128,67 sacas por hectare. Segundo o Imea, o avanço da produção acompanha a demanda interna, especialmente o consumo das usinas de etanol de milho, que seguem em ritmo aquecido no estado.

Usinas de etanol puxam consumo

Para a temporada 2025/26, o instituto estima demanda total de 57,20 milhões de toneladas, praticamente o mesmo volume projetado para a produção.

O consumo dentro de Mato Grosso deve alcançar 22,10 milhões de toneladas, aumento de 9,12% em relação ao ciclo anterior. O crescimento é impulsionado principalmente pela expansão das usinas de etanol de milho.

O mercado interestadual deve absorver aproximadamente 11 milhões de toneladas, alta de 6,18%. Já as exportações foram projetadas em 24,10 milhões de toneladas, recuo de 1,09%.

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Excesso de chuva afetou lavouras

Apesar do recorde esperado na produção estadual, as condições climáticas trouxeram dificuldades para parte dos produtores.

Na região Oeste, o excesso de chuva registrado em março e abril favoreceu o surgimento de doenças e reduziu a eficiência da adubação nitrogenada em algumas áreas, segundo Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT.

Para o dirigente, a janela de plantio foi um dos principais fatores que determinaram o desempenho das lavouras nesta temporada. Parte das áreas foi semeada mais tarde, entre o fim de janeiro e a segunda quinzena de fevereiro, ficando exposta a um período de maior umidade.

Em Porto dos Gaúchos, o produtor Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho. Mesmo com investimento maior em relação às últimas safras, a produtividade ficou abaixo da expectativa.

“Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, relatou.

Com a produção armazenada em silo e silo bolsa, o produtor aguarda uma reação do mercado para comercializar o milho. Cerca de 20% do volume será destinado à pecuária da propriedade, enquanto o restante deve ser vendido. A expectativa é negociar a saca por cerca de R$ 50 via cooperativa.

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Os estoques finais da safra 2024/25 também recuaram. Segundo o Imea, o volume caiu 32,14% no mês, para 974 mil toneladas, movimento que pode contribuir para dar sustentação aos preços.

Produtor já se preocupa com próxima safra

Com a colheita praticamente encerrada, a atenção dos produtores começa a se voltar para o próximo ciclo. O custo de produção aparece como uma das principais preocupações do setor.

“A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirmou Gilson Antunes de Melo.

Staniszewski ainda não definiu a compra dos insumos para o próximo plantio. Segundo ele, a decisão dependerá do comportamento do mercado e das condições climáticas.

“Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não”, disse.

O produtor também considera o impacto de um eventual El Niño forte sobre o calendário agrícola. Na avaliação dele, atrasos no plantio da soja e do milho podem comprometer a produtividade e reduzir a viabilidade de investimentos elevados na próxima temporada.

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