ALÍVIO NO BOLSO
Etanol se desvincula de gasolina e já é vendido abaixo de R$ 4,00 em MT
Diferença de mais de R$ 3,00 no litro, em relação à gasolina, é o primeiro efeito prático da política de venda direta de usinas a postos.
ECONOMIA
No momento em que a gasolina experimenta altas seguidas, com o litro ultrapassando a casa dos R$ 7, o etanol faz o caminho inverso e já desceu a ladeira e está abaixo de R$ 4,00 em muitos postos do estado, sobretudo na capital.
Depois de seguidas baixas, o combustível – cuja cotação não segue a volatilidade do petróleo, uma vez que pode ser feito da cana ou milho – tem sido encontrado com mais de R$ 3,00 de diferença no litro, em relação a gasolina.
Há postos vendendo o combustível a R$ 3,85 o litro, em Cuiabá. É a primeira vez, em meses, que o consumidor sentirá, na prática, os efeitos da política de venda direta do etanol aos postos de combustíveis.
Até pouco tempo atrás, o etanol tinha que, obrigatoriamente, passar pelas centrais de distribuição controladas pela Petrobrás, o que fazia com que o combustível seguisse a tendência de altas da gasolina.
Uma Medida Provisória enviada pelo presidente, Jair Bolsonaro (PL), que já defendia a desvinculação como deputado, acabou aprovada no Congresso Nacional, em 2021, permitindo o fim do monopólio de comercialização da estatal.
Desde que os carros flex começaram a ser fabricados, gasolina e etanol ganharam contornos de concorrentes diretos, com o adendo de que o segundo, além do atrativo de preço, tem o apelo de ser um combustível mais limpo e menos nocivo ao meio ambiente.
ECONOMIA
Aumento da mistura de etanol vai gerar investimentos e empregos
Mato Grosso tem 27 indústrias em operação no setor de etanol e geram mais de 10,7 mil empregos formais, com salário médio de R$ 4,5 mil
O aumento do percentual de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, aprovado nesta semana pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), deve ampliar a demanda pelo biocombustível e criar um cenário favorável para novos investimentos em Mato Grosso, segundo maior produtor nacional de etanol.
A análise é do Observatório de Mato Grosso, que estima que, entre agosto e dezembro de 2026, a demanda nacional por etanol anidro aumente em aproximadamente 411,6 milhões de litros, elevando o consumo para 14,87 bilhões de litros, um crescimento de 2,8% em relação ao cenário anterior.
Para o presidente do Sistema Fiemt e do Bioind MT, Silvio Rangel, além de beneficiar o meio ambiente e estimular novos investimentos, a medida tem potencial para ampliar a geração de empregos em um setor estratégico para a economia mato-grossense.
“É uma medida importante para o desenvolvimento do setor, para novos investimentos, para o meio ambiente e para a geração de empregos. Mais etanol na gasolina significa um ambiente mais limpo e menos importação de gasolina”, disse Rangel.
Mato Grosso tem 27 indústrias em operação no setor de etanol e geram mais de 10,7 mil empregos formais, com salário médio de R$ 4,5 mil mensais.
Na comparação entre a safra 2025/26 e a estimativa para 2026/27, o consumo nacional de etanol anidro deve passar de 14,03 bilhões para 15,16 bilhões de litros, um aumento de aproximadamente 1,13 bilhão de litros, equivalente a 8%.
Além do potencial de expansão da demanda, o setor já demonstra forte crescimento em Mato Grosso. Em uma década, a fabricação de etanol mais que dobrou o número de trabalhadores e de indústrias no estado, refletindo também na evolução da massa salarial e na arrecadação de impostos.
O segmento passou de 13 para 27 indústrias entre 2015 e 2025, enquanto o número de trabalhadores formais cresceu de 4,4 mil para 10,7 mil. No mesmo período, a massa salarial anual avançou de R$ 182,3 milhões para R$ 586,6 milhões, um crescimento de aproximadamente 221,8%.
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