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Seminário Internacional destaca papel das ouvidorias na transformação social e no fortalecimento da cidadania
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Entre os dias 23 e 25 de junho, o 1º Seminário Internacional de Ouvidorias reuniu em Brasília representantes de órgãos públicos, especialistas nacionais e internacionais, gestores e ouvidores para discutir os desafios e as perspectivas para uma atuação cada vez mais estratégica das ouvidorias públicas. Com o tema “Ouvidoria pública: do acolhimento à transformação social”, o encontro foi promovido pela Rede Nacional de Ouvidorias, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e instituições apoiadoras.
Ao longo dos três dias de programação, os debates trouxeram elementos importantes para um olhar sobre a escuta empática e qualificada da sociedade como contribuição para fortalecer direitos, aprimorar serviços públicos e orientar a formulação de políticas mais conectadas às necessidades da população. Desde os desafios para recepção das manifestações e para promoção de espaços de equidade no âmbito das ouvidorias ao uso estratégico de dados, especialistas brasileiros e convidados internacionais ressaltaram o papel fundamental dessas unidades para a construção de um Estado mais acessível, responsivo e comprometido com a cidadania.
Com mais de 550 participantes presenciais e cerca de 350 participantes que acompanharam a transmissão pelo canal da CGU no Youtube, a abertura do seminário contou com a participação do ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho; da ministra da Igualdade Racial (MIR), Rachel Barros; do diretor-geral do DNIT, Fabricio de Oliveira Galvão; do diretor e chefe de representação da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) no Brasil, Rodrigo Rossi; da ouvidora-geral em exercício da Unidade de Ouvidoria do Banco do Brasil, Lucília Heyden; do secretário de Relações Institucionais do Tribunal de Contas da União (TCU), Manoel Moreira de Souza Neto; e do chefe de ouvidoria do MIR, Fábio Moassab Bruni.
Durante sua fala, o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, destacou o caráter simbólico da realização de um evento internacional dedicado exclusivamente às ouvidorias públicas, e associou o papel desses espaços ao processo contínuo de consolidação da democracia. Segundo o ministro, o desafio atual é superar a visão da ouvidoria como um canal apenas de registro de demandas e consolidá-la como instrumento estratégico de gestão pública. “Acolher bem é o primeiro passo e é indispensável. Mas o acolhimento sem consequência é, no fundo, uma promessa não cumprida”, afirmou. Para o ministro, a transformação passa por converter a escuta em informação, a informação em decisão e a decisão em melhorias concretas nos serviços públicos e na formulação de políticas públicas, ampliando a confiança da população nas instituições.
Já a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, defendeu que a ampliação das ouvidorias e dos canais de escuta institucional está diretamente relacionada à promoção da justiça racial e ao enfrentamento das desigualdades estruturais. Em sua fala, ressaltou que aprimorar a forma como o Estado escuta, acolhe e responde às demandas da população é uma forma concreta de enfrentar o racismo. A ministra também destacou que ouvir populações historicamente invisibilizadas é um dever institucional e afirmou que o atendimento a vítimas de racismo exige mais do que procedimentos administrativos. “A escuta qualificada que nós oferecemos é mais do que um procedimento, é um gesto de reconhecimento, de acolhimento e de compromisso com a dignidade humana”, disse.
A palestra inaugural foi conduzida pela ouvidora-geral da União, Valdirene Paes, que destacou o papel das ouvidorias como espaços de acolhimento, mediação e promoção de mudanças concretas na gestão pública. “Nessa nova forma de atuação, cada manifestação é compreendida como evidência social, capaz de revelar padrões, orientar decisões, aprimorar serviços e aproximar o Estado das pessoas”, afirmou.
Ouvidorias mais efetivas e centradas nas pessoas
Os painéis do seminário abordaram temas como governança, fortalecimento institucional, resolutividade das manifestações, integração em rede, qualidade das respostas aos cidadãos, uso de dados e inovação. Em comum, as discussões apontaram para a necessidade de consolidar ouvidorias cada vez mais estruturadas, articuladas e orientadas para gerar valor público.
Experiências apresentadas ao longo do evento demonstraram como as manifestações dos cidadãos podem impulsionar mudanças institucionais, qualificar políticas públicas e contribuir para a melhoria contínua dos serviços prestados pelo Estado.
O seminário também contou com a participação de especialistas internacionais, que compartilharam experiências sobre transparência, accountability e mecanismos de escuta cidadã. Entre eles, estiveram Nelson Shack, ex-Controlador-Geral da República do Peru, e Hernán Cianciardo, da Universidade Nacional do Litoral, na Argentina. Além de participações virtuais de Mary P. Rowe, professora adjunta de negociação e gestão de conflitos- MIT, e Mattia Peradotto, diretor-geral da UNAR (The National Office against Racial Discrimination).
Nelson Shack destacou que a relação do Estado com o cidadão é uma prioridade em todo Estado democrático da região e que a burocracia, particularmente aquela dedicada ao controle governamental, seja interno ou externo, precisa se aproximar mais e compreender melhor o que o cidadão demanda e, com base nisso, se reorientar. “Quando falamos da interação entre as entidades fiscalizadoras e a sociedade civil, precisamos entender que confiança não surge por acaso. A relação cm a sociedade civil deve ser pautada pela clareza, empatia, frequência, transparência e efetividade.”
Tamikuã Pataxó, ouvidora-geral da Defensoria Pública da Bahia, compartilhou reflexões importantes sobre o direito de resposta como reconhecimento das necessidades da população. Segundo ela, “as ouvidorias são pontes e também podem ser janelas da administração pública, janelas que podem enxergar quem está por trás, quais são aqueles que ainda estão invisíveis, janelas que se tornam canais e espaços de participação e um canal de escuta permanente de transformação democrática.” Questiona: nossas respostas estão transformando algo? Elas precisam construir pertencimento e confiança. A resposta como direito defende uma administração mais humana.”
Assista ao vídeo e relembre os momentos marcantes do encontro.
Entregas e novos instrumentos para fortalecer as ouvidorias
Além dos debates, o seminário marcou o lançamento de iniciativas voltadas ao fortalecimento da atuação das ouvidorias e da participação social. Entre os destaques estão:
- a nova versão da plataforma virtual do Conselho de Usuários de Serviços Públicos;
- os Cadernos Técnicos, que reúnem projetos desenvolvidos na pós-graduação em Ouvidoria Pública;
- o IX Concurso de Boas Práticas da Rede Nacional de Ouvidorias;
- a consulta pública do Guia de Diretrizes para o Desenvolvimento de Ouvidorias Estratégicas;
- o primeiro volume da coleção Ouvidoria na Prática, dedicado ao tratamento das manifestações dos cidadãos. , dedicado ao tratamento das manifestações dos cidadãos.
As iniciativas reforçam o compromisso da Ouvidoria-Geral da União na disseminação de conhecimento, o compartilhamento de experiências e o aprimoramento contínuo dos instrumentos e procedimentos para as ouvidorias públicas.
Discussões continuam em oficinas virtuais
As reflexões iniciadas no seminário terão continuidade em oficinas virtuais abertas ao público, que serão realizadas nos dias 30 de junho e 1º e 2 de julho, com transmissão pelo canal da CGU no YouTube. Os encontros aprofundarão temas abordados durante o evento e ampliarão o alcance das discussões para participantes de todo o país.
Confira a programação das oficinas e saiba mais sobre o Seminário Internacional de Ouvidorias. e saiba mais sobre o Seminário Internacional de Ouvidorias.
Fonte: Controladoria-Geral da União
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Governo do Brasil investe R$ 313 milhões no Mato Grosso do Sul e entrega 1.390 títulos de domínio em agenda histórica da reforma agrária
O Governo do Brasil, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), realizou nesta quinta-feira (25), em Ponta Porã (MS), uma ampla agenda de entregas e anúncios voltados à reforma agrária e à agricultura familiar. As ações possuem R$ 313 milhões em investimentos e incluem a entrega de 1.390 títulos da reforma agrária no Mato Grosso do Sul, além da assinatura de um acordo de R$242 milhões com o Grupo João Santos, no âmbito do Programa Terra da Gente.
“Esse é o governo do presidente Lula, o governo que olha para a agricultura familiar, que fortalece a reforma agrária, que prioriza quem está no campo cultivando a terra, produzindo o alimento sem veneno, um alimento saudável que chega para as nossas famílias”, destacou a ministra do MDA, Fernanda Machiaveli.

- Foto:Albino Oliveira, Ascom MDA
Entre os principais destaques da programação esteve a entrega de 1.390 títulos de domínio para famílias assentadas no estado. A ação contempla famílias dos assentamentos Itamarati e Nova Era, em Ponta Porǎ, Aldeia, em Bataguassu, Ressaca, em Bela Vista, Taquaral, em Corumbá, Guanabara, em Amambai, e Indaiá IV, em Aquidauana, além de assentamentos situados nos municípios de Sidrolândia, Itaquiraí, Rio Brilhante, Corguinho e Nova Alvorada do Sul.
Em sua fala, o presidente Lula destacou os avanços da reforma agrária em seu governo. “E hoje, mais ainda, o que a gente percebe é o avanço que houve entre todas as pessoas que estão assentadas aqui. Eu lembro perfeitamente bem da evolução. E ainda falta muito pra gente poder fazer tudo aquilo que é possível fazer para as pessoas atingirem a plenitude. Mas vocês sabem que o que nós estamos fazendo nesse país é uma coisa que nunca foi feita. Nunca houve tanta política de inclusão social como está havendo nesse país”, disse.

- Foto: Albino Oliveira, Ascom MDA
A agenda também marcou a entrega da escritura da Fazenda Che Cay, área incorporada ao Território Quilombola Desidério Felipe de Oliveira e Picadinha, em Dourados (MS). Com investimento de R$34,1 milhões, a aquisição de 628 hectares beneficia 147 famílias quilombolas, garantindo o direito ao território, a preservação cultural e o fortalecimento das atividades produtivas da comunidade.
“Esse assentamento, essa comunidade quilombola foi decretada em março, e em junho a gente já está entregando esse primeiro título. Nunca antes nós fizemos uma titulação tão rápido”, frisou Fernanda Machiaveli.
Além das entregas, foram anunciados R$20 milhões para a recuperação das estruturas das cooperativas do Assentamento Itamarati, fortalecendo a organização da produção e a geração de renda. Também foram anunciados R$8,27 milhões em créditos instalação, contemplando modalidades como Fomento Mulher, Apoio Inicial, Habitação e Construção, ampliando as condições de produção e qualidade de vida das famílias assentadas.
Outro importante anúncio foi a formalização de contratos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no valor de R$2,1 milhões. A iniciativa inclui a entrega de kits de sementes para a Cooperativa dos Trabalhadores Rurais Assentados da Reforma Agrária (Cooperterra), contribuindo para a produção de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar na região.
A programação também contemplou o lançamento da primeira turma de Engenharia Agronômica destinada ao público da reforma agrária em Mato Grosso do Sul, por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Com investimento de R$6,5 milhões e oferta de 60 vagas, a iniciativa contribuirá para a formação de profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável dos assentamentos, a assistência técnica e a sucessão rural.
Em uma medida inédita do Governo do Brasil, e considerada um marco histórico para a reforma agrária no país, a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Itamarati (Cooperafi), localizada no Assentamento Itamarati II, em uma área de 16,8262 hectares, e a Cooperativa Agroindustrial da Itamarati (Coopershutz), situada no Assentamento Itamarati, em uma área de 28,8193 hectares, receberão seus títulos de domínio. A iniciativa fortalece a segurança jurídica das cooperativas, amplia as condições para investimentos e contribui para impulsionar a produção, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável das famílias assentadas da região.
Acordo amplia acesso à terra para quase 5,8 mil famílias
Durante a agenda em Ponta Porã, o Governo do Brasil também formalizou a assinatura de um acordo com o Grupo João Santos que viabiliza a destinação de aproximadamente 72,5 mil hectares para a reforma agrária por meio da adjudicação de terras de grandes devedores da União. A iniciativa, que integra o Programa Terra da Gente, representa um investimento estimado em R$242 milhões e foi firmada pela Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério da Fazenda, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pelo Grupo João Santos.
O acordo permitirá a criação de 33 novos assentamentos da reforma agrária, beneficiando 5.792 famílias nos estados do Maranhão e da Paraíba. Ao todo, serão implantados 31 assentamentos no Maranhão e dois na Paraíba, abrangendo uma área de 72.505,69 hectares. A medida transforma dívidas tributárias em oportunidade de acesso à terra para milhares de famílias, fortalecendo a política de reforma agrária, ampliando a produção de alimentos e promovendo desenvolvimento sustentável no meio rural.
Leia mais:
Texto: Beatriz Mendes, Ascom MDA
Edição: Marcelo Carota, Ascom MDA
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
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