CLÍNICA IRREGULAR
Falso terapeuta faturou mais de R$ 15 mil com crianças autistas
Investigação aponta que homem sem formação e sem registro profissional realizava atendimentos especializados em Cuiabá
COTIDIANO
Um homem de 54 anos é investigado por exercer ilegalmente a profissão de terapeuta ocupacional e atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma clínica irregular instalada em uma residência no bairro Altos do Coxipó, em Cuiabá.
A suspeita surgiu após denúncia apontar que ele se apresentava como terapeuta ocupacional e oferecia atendimentos especializados sem possuir formação acadêmica ou registro profissional exigidos para a atividade.
Durante a apuração, foi constatado que o investigado realizava atendimentos típicos da terapia ocupacional, apesar de não possuir habilitação legal para atuar na área da saúde. A situação chamou ainda mais atenção por envolver principalmente crianças que necessitam de acompanhamento especializado.
As investigações apontam que os serviços eram oferecidos em uma clínica improvisada instalada em imóvel residencial. No local, também foram identificadas irregularidades sanitárias, incluindo a ausência de alvará e de outras autorizações obrigatórias para funcionamento.
Segundo os órgãos fiscalizadores, há indícios de que a estrutura utilizada não atendia aos requisitos necessários para o atendimento especializado de pacientes, especialmente crianças com necessidades específicas.
Durante a fiscalização, foram encontrados documentos relacionados aos atendimentos prestados. Entre eles, uma nota fiscal emitida pela prestação de serviços de terapia ocupacional no valor de R$ 15,3 mil.
Outro ponto que passou a ser investigado é a possibilidade de parte dos pacientes atendidos ter sido encaminhada por decisões judiciais que determinam o custeio de tratamentos especializados pelo poder público. A suspeita será apurada ao longo da investigação.
O caso pode envolver crimes como exercício ilegal da profissão, uso de documento falso e outras infrações que venham a ser identificadas durante a análise do material apreendido.
A investigação segue em andamento para identificar o número de pacientes atendidos, a extensão da atuação do suspeito e eventuais prejuízos causados às famílias que buscavam atendimento especializado para seus filhos.
COTIDIANO
MT intensifica fiscalização após morte em turismo de aventura
Fiscalização integrada terá foco em segurança, licenciamento e regularidade de empreendimentos turísticos no Estado
A morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues Freitas, de 21 anos, durante a prática de rope jump no interior de São Paulo reacendeu o debate sobre a segurança em atividades de aventura no país. Após o episódio, em Mato Grosso, órgãos estaduais e federais iniciam uma força-tarefa para fiscalizar empreendimentos turísticos, com atenção especial às empresas que oferecem esportes radicais e atividades de aventura.
Representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Corpo de Bombeiros, Procon-MT, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Vigilância Sanitária, Marinha do Brasil, Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager) e Delegacia Regional do Trabalho se reuniram nesta terça-feira (16) para definir as ações da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), que será realizada a partir de julho nos principais destinos turísticos do Estado.
A iniciativa ocorre às vésperas da alta temporada e terá como foco verificar se os empreendimentos estão operando dentro das exigências legais e técnicas de segurança.
Segundo o secretário adjunto de Turismo da Sedec, Luis Carlos Nigro, a fiscalização vai muito além da análise dos equipamentos utilizados nas atividades.
“Queremos verificar se as empresas que atuam em Mato Grosso estão regulares e em conformidade com a legislação vigente. A fiscalização não analisa apenas os equipamentos, mas todo o contexto do empreendimento, desde documentação, licenças e responsáveis técnicos até as condições de operação e segurança oferecidas aos turistas”, afirmou.
Equipamentos utilizados em atividades de aventura, como tirolesas, plataformas de salto, estruturas suspensas e atrações aquáticas, precisam possuir responsável técnico habilitado, manutenção periódica e laudos que comprovem as condições de segurança. A documentação exigida inclui, entre outros itens, Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), alvarás, licenças específicas e registros obrigatórios.
De acordo com a Sedec, os empreendimentos que oferecem atividades de aventura receberão atenção especial durante a fiscalização deste ano justamente em razão das discussões geradas por acidentes recentes registrados no país.
A responsável pelo Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) em Mato Grosso, Maria José de Souza, explica que a legislação exige que empresas do segmento cumpram normas específicas para funcionar regularmente.
“Os prestadores de serviços de turismo de aventura precisam cumprir normas técnicas de segurança e possuir registro obrigatório no Cadastur. Além disso, existem normas técnicas da ABNT que servem como referência para garantir a segurança das atividades oferecidas ao público”, explicou.
Como órgão delegado do Ministério do Turismo em Mato Grosso, a Secretaria Adjunta de Turismo é responsável por acompanhar a regularidade cadastral dos empreendimentos turísticos. O trabalho inclui a verificação de documentos, visitas técnicas e apuração de denúncias sobre possíveis irregularidades.
Durante a operação, as equipes irão verificar registros no Cadastur, licenças municipais, autorizações do Corpo de Bombeiros, licenças sanitárias, documentação técnica e demais exigências aplicáveis a cada atividade.
A orientação da Sedec é para que turistas consultem previamente a situação dos empreendimentos antes de contratar serviços de aventura ou visitar atrativos turísticos.
“Quando o empreendimento está regular no Cadastur, ele demonstra que atende aos requisitos exigidos pela legislação. É uma forma de o turista buscar mais segurança na contratação dos serviços”, ressaltou Maria José.
As denúncias sobre possíveis irregularidades podem ser encaminhadas pelos canais oficiais da Sedec, por meio da Ouvidoria e do WhatsApp institucional da secretaria.
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