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Documentário apoiado por edital da TV Brasil vence festival internacional e amplia projeção do audiovisual brasileiro

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O documentário Sagrado, dirigido por Alice Riff e selecionado por meio do edital Seleção TV Brasil, foi o grande vencedor da categoria de Melhor Longa ou Média-Metragem Brasileiro no 31º Festival Internacional É Tudo Verdade, um dos principais eventos dedicados ao cinema documental no mundo. A diretora também recebeu o prêmio de Melhor Direção pela Associação Paulista de Cineastas.

Com 90 minutos de duração, o filme acompanha o cotidiano de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema (SP), revelando, a partir de uma abordagem sensível e observacional, histórias que atravessam educação, desigualdade social e luta por direitos.

A conquista reforça não apenas a força do cinema documental brasileiro, mas também o impacto de políticas públicas voltadas ao fomento, produção e difusão do audiovisual.

Para Alice Riff, o reconhecimento internacional amplia o alcance de uma narrativa profundamente conectada à realidade do país. “É um filme muito próximo de nós, brasileiros. A escola é um espaço fundamental de preservação de direitos, e os problemas que ela enfrenta são locais, mas também universais”, enfatiza.

Um dos aspectos mais destacados pelo júri foi a forma como o documentário constrói sua narrativa a partir da escuta atenta dos personagens. Segundo a diretora, esse método está no centro do processo criativo.

“Tenho uma hipótese e coloco a câmera em situações em que sei que há conflito, mas me mantenho aberta para ser conduzida pelos personagens. É nesse processo que vou encontrando as histórias”, explica.

A realização do filme contou com cerca de 60 diárias de gravação, o que permitiu uma imersão prolongada no ambiente escolar e a construção de relações de confiança com a comunidade retratada.

“Com recursos de produção, conseguimos estar na escola sem pressa, colher bastante material e potencializar o trabalho da equipe”, destaca Alice.

O cuidado ético também foi central ao longo do processo. A equipe dialogou constantemente com os participantes sobre os limites da exposição e as decisões narrativas, garantindo que o filme fosse construído em conjunto com a comunidade.

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Ao voltar o olhar para os profissionais da educação, Sagrado propõe uma inversão de perspectiva pouco comum no audiovisual. Em vez de centralizar os alunos, o filme evidencia o trabalho cotidiano — muitas vezes invisibilizado — de quem sustenta a escola pública.

“Dedico o filme aos profissionais da educação pública. Eles desempenham um trabalho essencial e precisam ser reconhecidos”, frisa a diretora.

A obra também evidencia como o espaço escolar se torna um território de disputa por direitos, cidadania e dignidade, dialogando com questões estruturais da sociedade brasileira.

Apesar do reconhecimento em festivais, a circulação de documentários brasileiros ainda enfrenta desafios estruturais, especialmente no circuito comercial.

Para Daniel Queiroz, diretor da Embaúba Filmes, distribuidora responsável pelo lançamento do longa nos cinemas, o cenário exige estratégias alternativas. “O espaço para documentários autorais nas salas de cinema é cada vez mais limitado. Por outro lado, Sagrado tem um potencial imenso para circular em escolas, universidades e cineclubes, além de ter uma vida longa em mostras e festivais”, avalia.

Segundo ele, premiações como a do É Tudo Verdade ajudam a abrir portas e ampliar a visibilidade, mas não resolvem os desafios estruturais da distribuição no país.

“O problema é maior que um filme. É uma questão de acesso e de espaço para o cinema brasileiro mais plural”, completa.

A realização de Sagrado também evidencia a importância das parcerias no audiovisual. Coproduzido pela Estúdio Giz, o longa integra uma lógica colaborativa fundamental para o desenvolvimento do cinema brasileiro.

“Coproduções permitem ampliar o alcance das obras, reunir diferentes expertises e fortalecer o financiamento dos projetos”, afirma Matheus Peçanha, sócio-fundador do estúdio.

Ele ressalta ainda que o filme se diferencia por valorizar o trabalho dos profissionais da educação e por construir uma presença discreta da câmera, que favorece a espontaneidade das cenas. “Ao focar em quem mantém a escola viva, o filme faz uma ode à educação pública e ao trabalho cotidiano que forma os cidadãos do futuro”, complementa Matheus.

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Política pública e acesso ao audiovisual

Selecionado pelo edital Seleção TV Brasil, o documentário integra um conjunto articulado de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, que envolvem diferentes instrumentos de financiamento, produção e difusão.

O desenvolvimento e a realização de Sagrado também foram viabilizados por diferentes mecanismos de fomento ao audiovisual. Na Agência Nacional do Cinema (Ancine), o projeto — intitulado originalmente Sala dos Professores — recebeu R$ 335.421,89 por meio do edital de Desempenho Artístico 2024 do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), além de R$ 300 mil via edital da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A produção contou ainda com R$ 500 mil provenientes da Lei Paulo Gustavo, por meio do estado de São Paulo.

Para a diretora, o papel da TV pública é decisivo na ampliação do acesso às obras brasileiras:

“A TV Brasil é uma janela essencial, com grande alcance nas casas brasileiras. É uma forma de financiar e, ao mesmo tempo, garantir que esses filmes cheguem ao público”.

A exibição do filme na programação da emissora deve ampliar ainda mais sua circulação, democratizando o acesso a uma produção que já se projeta também no cenário internacional.

Com a vitória no É Tudo Verdade — festival reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas — Sagrado torna-se elegível para concorrer ao Oscar, consolidando sua trajetória e reafirmando a potência do audiovisual brasileiro.

Mais do que um retrato do cotidiano escolar, o documentário se firma como uma narrativa sobre o Brasil — suas contradições, resistências e a centralidade da educação na construção de um futuro mais justo.

Fonte: Ministério da Cultura

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Rota do Mel conta com melhoramento genético de abelhas no Paraná

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Brasília (DF) – Conectar inovação, ciência e políticas públicas para fortalecer as cadeias produtivas regionais e promover um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo em todo o território nacional. Com esse objetivo, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), apoia a implantação do Programa Piloto de Melhoramento Genético de Abelhas (PMGA), uma iniciativa estratégica vinculada às Rotas de Integração Nacional, com destaque para a Rota do Mel.

O projeto é desenvolvido na Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Apicultura (UNEPE-Apicultura) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), localizada no campus de Dois Vizinhos, no Sudoeste do Paraná. A iniciativa é viabilizada por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o MIDR e a instituição, prevendo a ampliação e modernização da estrutura da unidade, bem como a implementação de um projeto piloto voltado ao desenvolvimento e à validação de técnicas de melhoramento genético de abelhas no Brasil.

A iniciativa integra os esforços da Rota do Mel, uma das estratégias das Rotas de Integração Nacional, que busca fortalecer cadeias produtivas estratégicas e promover o desenvolvimento regional sustentável. Nesse contexto, o melhoramento genético de abelhas surge como ferramenta essencial para aumentar a produtividade, a resistência das colônias e a qualidade do mel produzido no país.

Inovação e desenvolvimento 

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Programa piloto de melhoramento genético de abelhas

O PMGA envolve etapas técnicas que vão desde a definição de critérios de seleção até o controle de consanguinidade, passando pela coleta e análise de dados e o planejamento de ganhos genéticos. Por se tratar de uma área ainda em estruturação no Brasil, o projeto piloto tem papel fundamental na geração de conhecimento e na validação de metodologias adaptadas à realidade nacional.

A construção dessa agenda parte de uma demanda coletiva dos territórios envolvidos na Rota do Mel, reforçando o caráter colaborativo da iniciativa, como destaca a responsável pelo projeto, professora Fabiana Costa. “A iniciativa surgiu a partir das demandas identificadas nos polos da Rota do Mel, especialmente relacionadas ao melhoramento genético. Trata-se de uma pauta que não pertence a um polo específico, mas à rota como um todo, sendo incorporada ao seu planejamento estratégico”, explicou a professora.

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Embora o trabalho com estratégias de melhoramento genético já venha sendo desenvolvido desde 2010, foi em 2023, durante uma apresentação no Zootec, que o tema ganhou maior projeção. Na ocasião, representantes do MIDR demonstraram interesse em compreender como essa iniciativa poderia ser estruturada em nível nacional. 

Desde então, foram realizadas reuniões técnicas que evidenciaram que o melhoramento genético vai muito além da simples produção e distribuição de rainhas. Trata-se de um processo complexo, que exige planejamento estruturado antes da execução, sobretudo devido ao alto custo envolvido. Isso porque o projeto demanda coleta de dados em diferentes regiões do país, além de investimentos em equipes técnicas, deslocamento, veículos e laboratórios. “Essa base é essencial para viabilizar avaliações genéticas consistentes e, assim, identificar e desenvolver animais com características realmente relevantes para a produção”, explica a professora Fabiana Costa, responsável pela iniciativa.

Demanda histórica

O coordenador de Projetos Inovadores do MIDR e consultor da Rota do Mel, Samuel de Castro, ressalta que a iniciativa responde a uma demanda histórica dos produtores. “A proposta de melhoramento genético de rainhas surgiu a partir de uma parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com a implementação de um projeto piloto no Sudoeste do Paraná. A ideia é avaliar os custos, a viabilidade e os resultados da iniciativa, para que ela possa ser replicada em outras regiões do país”, comenta.

Segundo Samuel, o programa amplia as possibilidades produtivas da apicultura brasileira. “O objetivo é desenvolver rainhas com maior potencial produtivo, não apenas para o aumento da produção de mel, mas também de apitoxina, própolis e pólen. Além disso, o melhoramento genético pode contribuir para a sanidade apícola, com abelhas mais resistentes a doenças e com comportamento mais manso”, observa Castro.

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O coordenador também destaca o impacto estrutural da proposta para o setor. “A partir dos resultados desse projeto piloto, a expectativa é estruturar um programa nacional de melhoramento genético, fortalecendo a cadeia produtiva e ampliando o número de produtores de rainhas no Brasil. A renovação frequente das rainhas é um fator determinante para manter a produtividade dos apiários”, conclui.

Além do avanço científico, o programa aposta na construção coletiva das estratégias, com a participação ativa de apicultores, técnicos, pesquisadores, cooperativas e gestores públicos. A proposta é estabelecer metas de curto, médio e longo prazo que possam orientar a consolidação de um programa nacional de melhoramento genético de abelhas.

Transparência e fortalecimento institucional

Como parte das ações vinculadas ao TED, o projeto também contempla iniciativas de comunicação institucional para dar visibilidade aos resultados e garantir transparência na aplicação dos recursos públicos. Estão previstas a produção de vídeo institucional, materiais informativos e conteúdos para divulgação em diferentes plataformas.

A estratégia busca traduzir a complexidade técnica do projeto em linguagem acessível, ampliando o entendimento da sociedade sobre a importância do melhoramento genético na apicultura e seus impactos para o desenvolvimento regional.

Com duração estimada de dois anos, o projeto piloto deverá apresentar resultados que subsidiem a expansão do modelo para outras regiões do país. A expectativa é contribuir para o aumento da produção de mel, a melhoria na sobrevivência das colônias e a geração de renda para pequenos e médios produtores, especialmente da agricultura familiar.

Os benefícios também se estendem à formação de estudantes, ao fortalecimento de instituições de pesquisa e à dinamização de cooperativas e indústrias do setor, consolidando a apicultura como vetor de inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável.

 


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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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