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Investimentos de R$ 10 bilhões mudam a realidade hídrica do Nordeste
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Brasília (DF) – O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, cumpriu, nesta quarta-feira (20), agenda nos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte para acompanhar o andamento de obras estratégicas que integram o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A programação faz parte da iniciativa Caminho das Águas, que percorre empreendimentos voltados à ampliação da segurança hídrica no Nordeste brasileiro.
Ao lado de equipes técnicas do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o ministro visitou as obras da Barragem do Redondo, na Paraíba; do Túnel Saco dos Bois, no Ramal do Salgado, no Ceará; e do Túnel Major Sales, no Rio Grande do Norte, que integra o Ramal do Apodi, uma das principais frentes de expansão do PISF.
As agendas refletem os investimentos do Novo PAC em infraestrutura hídrica e abastecimento de água nos três estados. Somados, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte recebem mais de R$ 10 bilhões em investimentos voltados à segurança hídrica, abastecimento humano e obras estruturantes.
Desenvolvimento para a Paraíba
Na Paraíba, a comitiva acompanhou as obras da Barragem do Redondo, estrutura integrante do Ramal do Apodi. O reservatório possui capacidade de armazenamento de 3,25 milhões de metros cúbicos e desempenha papel estratégico no controle e na distribuição das águas transportadas pelo sistema hídrico. A barragem conta com 11 metros de altura, mais de 272 metros de comprimento e está conectada ao canal principal por um percurso de 2,7 quilômetros.
Durante a visita, o ministro Waldez Góes destacou a dimensão transformadora das obras de segurança hídrica para o Nordeste. “Algumas pessoas não têm noção do tamanho dessa obra. Ela se junta com outras obras importantes e leva água, leva saúde, leva educação e estrutura. Quem mora no semiárido vai produzir no semiárido, vai ter emprego, vai ter renda, cuidar das suas famílias”.
Morador da região e trabalhador da obra, Edjalma Oliveira compartilha a alegria que é trabalhar em uma obra que também mudará a sua vida. “Essa barragem é de grande importância aqui para todas as cidades, todos os municípios, já que ela interliga três estados: Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Eu moro aqui próximo e é uma alegria ver isso aqui acontecendo”, comentou.
A presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Larissa Rêgo, também destacou o impacto da obra para o desenvolvimento regional. “O ministro tem um olhar sensível para trazer água para a nossa região, para o nosso Nordeste. Garantir segurança hídrica é garantir desenvolvimento, produção de alimentos e abastecimento humano”, comemorou.
Esperança concreta de melhorias para o Ceará
Já no Ceará, o ministro visitou as obras do Túnel Saco dos Bois, no Ramal do Salgado. Com 320 metros de extensão, essa estrutura estratégica permitirá que as águas do Rio São Francisco sigam por gravidade, garantindo segurança hídrica para 5 milhões de pessoas sem gasto de energia com bombeamento.
O secretário adjunto de Recursos Hídricos da Casa Civil, Irani Braga, presente na agenda, explicou que o empreendimento faz parte do Novo PAC, e é uma prioridade do governo do presidente Lula. “O Ramal do Salgado conecta o PISF ao rio Jaguaribe e permite levar água até Fortaleza. É uma obra fundamental para o Ceará e está entre as prioridades do Novo PAC, que reúne os investimentos essenciais para a população brasileira”, ressaltou.
O prefeito de Ipaumirim (CE), Wilson Alves de Freitas, celebrou os benefícios diretos para os municípios da região. “Nós vamos ter água garantida para Ipaumirim, Baixio e Umari. Isso é uma alegria que não consigo dimensionar. Foram anos de dificuldade hídrica e hoje temos esperança concreta de mudança”.
O Ramal do Salgado, empreendimento executado pelo MIDR, vai beneficiar cerca de 4,7 milhões de pessoas em 54 municípios cearenses. Com extensão total de 36 quilômetros e capacidade de vazão de 20 metros cúbicos por segundo, a estrutura é considerada um dos principais ramais associados ao PISF. Atualmente, a obra apresenta avanço físico de 49,88% e tem previsão de operacionalidade no primeiro semestre de 2027.

- Túnel Saco dos Bois, no Ramal do Salgado permitirá que as águas cheguem a 5 milhões de pessoas
Mais água para o Rio Grande do Norte
O percurso foi encerrado no Rio Grande do Norte, com visita ao Túnel Major Sales, estrutura integrante do Ramal do Apodi localizada na divisa entre os municípios de Uiraúna (PB) e Luís Gomes (RN). O túnel já alcançou 100% de escavação, totalizando 6.577 metros concluídos, e encontra-se em fase final de acabamento. A previsão é que a estrutura esteja operacional em junho de 2026, com início da passagem de água previsto para julho do mesmo ano.
Ao lado da governadora do estado, Fátima Bezerra, o ministro Waldez viu de perto o impacto do empreendimento para a região. “Para ser transformador é preciso decisão política e compromisso. Essas obras levam água para consumo humano, produção de alimentos, e garantia de segurança hídrica. É um esforço que precisa ser celebrado e compartilhado com a população”.
A governadora, por sua vez, reforçou que o túnel vai ser essencial para levar a água do Rio São Francisco para mais regiões potiguares. “O Ramal do Apodi significa dar funcionalidade para que a água do São Francisco, que chegou ao nosso Estado ano passado, chegue agora no chão do Alto Oeste. Nós vamos ter água para atender às necessidades do nosso povo, não só do ponto de vista do abastecimento humano, mas no que diz respeito também ao desenvolvimento da pesca, da irrigação, da agricultura e do turismo. Isso é desenvolvimento na veia”, afirmou Bezerra.
O prefeito de Luís Gomes, Carlos Augusto, celebrou a mudança histórica para o município. “Nós passamos anos sendo abastecidos por carro-pipa. Essa transposição representa dignidade. Ver a água chegando nas torneiras é algo que não tem preço para o nosso povo”.
O Túnel Major Sales integra o Trecho IV do Ramal do Apodi, responsável por conectar o Reservatório Caiçara, na Paraíba, ao Reservatório Angicos, no Rio Grande do Norte. Com capacidade de transporte de até 20 metros cúbicos de água por segundo, a estrutura beneficiará aproximadamente 750 mil pessoas em 54 municípios dos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

- Waldez Góes e a governadora Fátima Bezerra comemoraram o avanço da obra do Túnel Major Sales
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Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
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Jovens Agentes Cultura Viva conectam corpo, território e futuro político na Teia 2026
O segundo dia do 1º Encontro Nacional de Agentes Jovens Cultura Viva: pulsando com os territórios para o bem viver, que acontece na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, foi marcado por uma pergunta central: qual é a relação entre corpo e território? A partir dessa provocação, mais de 170 jovens agentes culturais se reuniram, na manhã desta quarta-feira (20), em uma dinâmica coletiva voltada à escuta, à partilha de vivências e à construção de sentidos sobre pertencimento, identidade e atuação política nos territórios.
A atividade começou de forma lúdica, em uma roda no gramado, com mediação dos cinco integrantes do Consórcio Universitário Cultura Viva: Manuel Alcausa e Gustavo Torquato, da Universidade Federal Fluminense (UFF); e Cecilia Favero, Ana Carolina Casaril e Larissa Olivares Heredia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A proposta era criar um ambiente de troca direta entre juventudes, em que o jovem falasse para o jovem, de forma mais fluida e próxima. A primeira imersão foi conduzida por Manuel, com exercícios de respiração, meditação e consciência corporal.
“Temos que entender onde o nosso corpo está”, provocou Manuel durante a atividade. A reflexão serviu como ponto de partida para pensar o corpo não apenas como presença física, mas como extensão da memória, da cultura, da ancestralidade e das lutas que atravessam cada território.
Em seguida, os agentes foram divididos em grupos de até dez pessoas para uma atividade de cartografia. A partir das perguntas “qual a relação do corpo com o território?” e “qual a relação do território com o corpo?”, os jovens produziram desenhos coletivos que reuniram elementos simbólicos de suas origens, experiências e pertencimentos. Ao final, cada grupo apresentou sua cartografia, revelando uma composição formada por múltiplos sotaques, paisagens, identidades e formas de viver a Cultura Viva.
Corpo-território: juventudes desenham pertencimentos e caminhos coletivos
Para Klekheeniso Ekuná de Matos, 23 anos, do povo Kamayurá, no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, a atividade permitiu traduzir em imagem aquilo que muitas vezes é vivido no corpo. Agente Cultura Viva do Pontão de Culturas Indígenas, ela atua com comunicação e acessibilidade para que as políticas públicas de cultura cheguem de forma mais clara às comunidades indígenas.
“Nosso trabalho principal é trazer acessibilidade para que as pessoas entendam o que é o fomento à cultura, quais são as políticas públicas que precisam melhorar e o que precisamos fazer para ter melhor acesso aos espaços da cultura, das artes e da música”, explicou.
Na cartografia, Klekheeniso destacou o grafismo como marca de identidade e pertencimento. Para ela, o corpo carrega o território mesmo quando não está fisicamente nele. “O grafismo é a nossa identidade. Mesmo que a gente não use, quando vê um grafismo específico, a gente sabe que aquilo é nosso. Representatividade é isso: bater o olho, ver uma coisa e saber que aquilo me representa”, afirmou.
A jovem Alice Carvalho, 21 anos, agente Cultura Viva do Pontão Temático Pátria Grande da América Latina, também encontrou na atividade uma forma de traduzir sua trajetória. Catingueira, da comunidade de Curral de Varas, em Guanambi, no sertão produtivo da Bahia, Alice contou que participar da Teia tem sido uma oportunidade de conhecer outras realidades e, ao mesmo tempo, posicionar o próprio território dentro da Cultura Viva.
“É extremamente importante conhecer pessoas de outros lugares e compreender o trabalho da Cultura Viva. Para mim, foi um desafio envolver o sertão com a latinidade, sem estar em um território de fronteira”, relatou.
Durante a dinâmica de cartografia, o grupo de Alice precisou transformar experiências muito diferentes em uma imagem comum. A solução veio de um símbolo simples e potente: uma panela. “A gente vinha de lugares diferentes, do Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste, e precisava entender como tudo isso podia virar um corpo. Então, a gente fez uma panela. O que une a gente é a força de continuar lutando por aquilo que acredita e por aquilo que é”, disse.
Da escuta à proposta: jovens constroem carta política
À tarde, os Agentes Jovens Cultura Viva deram continuidade ao processo iniciado pela manhã, agora com foco na construção de propostas para o futuro da ação nos territórios. A partir das vivências compartilhadas e das problematizações trazidas pelos grupos, os participantes passaram a debater o que ainda falta, quais são os desafios enfrentados pelas juventudes e o que desejam para o futuro da Cultura Viva.
As discussões foram organizadas em três eixos: trabalho e sustentabilidade na Política Nacional Cultura Viva; gestão compartilhada e sustentabilidade da ação Agente Cultura Viva; e sustentabilidade e justiça climática nos territórios. O objetivo é sistematizar propostas construídas coletivamente para compor a carta final do 1º Encontro Nacional de Agentes Jovens Cultura Viva, prevista para ser apresentada na plenária do dia 21 de maio.
A metodologia buscou fortalecer a ideia de coletivo, com o corpo representado como uma construção comum. Mais do que reunir experiências individuais, o encontro propôs transformar relatos, desafios e desejos em uma posição política das juventudes da Cultura Viva, a ser entregue à Comissão Nacional de Pontos de Cultura.
Toda a programação foi mediada pelos cinco integrantes do Consórcio Universitário Cultura Viva, uma ação colaborativa de pesquisa e extensão sobre a Política Nacional Cultura Viva, formada por universidades federais de diferentes regiões do país.
Ao colocar corpo e território no centro da discussão, o segundo dia do encontro reafirmou o protagonismo das juventudes na construção de políticas culturais de base comunitária. Entre grafismos, sertões, aldeias, periferias, fronteiras simbólicas e experiências compartilhadas, os agentes jovens transformaram a escuta em desenho, o desenho em proposta e a proposta em caminho coletivo para o bem viver.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura
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