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MANOBRA FATAL

Motociclista que matou jovem em “grau” é denunciado

Segundo o Ministério Público, condutor estava a 88 km/h em avenida com limite de 40 km/h e fugiu após o atropelamento

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JURÍDICO

Denunciado teria consumido bebidas alcoólicas em uma tabacaria antes de sair pilotando pela avenida

Um jovem de 22 anos morreu ao ser atropelado por uma motocicleta que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), trafegava em alta velocidade e sobre apenas uma roda, na manobra conhecida como “grau”. O caso ocorreu na madrugada de 13 de setembro, na Avenida Marechal Rondon, no centro de Pontes e Lacerda. O condutor, Igor Pinheiro da Silva, de 19 anos, foi denunciado nesta quarta-feira (7) por homicídio qualificado e por fugir do local.

A vítima atravessava a avenida quando foi atingida e arremessada a cerca de 50 metros. Conforme o laudo pericial citado na denúncia, a motocicleta de alta cilindrada estava a aproximadamente 88 km/h, mais que o dobro do limite de 40 km/h permitido no trecho.

As investigações apontam que Igor teria consumido bebidas alcoólicas em uma tabacaria antes de sair pilotando pela avenida. Além da velocidade excessiva, ele teria realizado manobras perigosas durante o percurso.

Na denúncia, a promotora Clarisse Moraes de Ávila sustenta que o atropelamento ocorreu de forma repentina, sem possibilidade de reação do pedestre. O MP também afirma que a condução da motocicleta colocou em risco outras pessoas que passavam pela região. Esses dois pontos fundamentam as qualificadoras atribuídas ao homicídio: recurso que dificultou a defesa da vítima e meio que resultou em perigo comum.

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Após o atropelamento, Igor teria abandonado a motocicleta e fugido. Dias depois, foi localizado em Espigão D’Oeste, em Rondônia, e preso por ordem judicial.

O denunciado permanece na Unidade Prisional de Pimenta Bueno, também em Rondônia, aguardando transferência para o Centro de Detenção Provisória de Pontes e Lacerda.

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JURÍDICO

MPF cobra turismo ordenado ou acesso ao atrativo será suspenso

Recomendação prevê ordenar a visitação ou suspender temporariamente o acesso diante de danos ambientais e riscos aos banhistas

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A cachoeira recebe até 2 mil visitantes por fim de semana, sem estrutura suficiente para controlar os impactos dessa movimentação

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou medidas emergenciais para conter a degradação ambiental e os riscos aos visitantes da Cachoeira do Prata, em Juscimeira. Entre as providências estão o controle da visitação ou a suspensão temporária do acesso de turistas. O órgão alerta que poderá recorrer à Justiça se as recomendações não forem atendidas ou se os responsáveis adotarem medidas contrárias às orientações.

Assinado pelo procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, o documento é datado de 29 de setembro e estabelece prazo de sete dias para as medidas emergenciais. Os destinatários também deverão responder, em até 15 dias corridos após o recebimento, se acatam a recomendação, apresentar comprovação das providências ou justificar eventual recusa.

A cobrança envolve a Prefeitura de Juscimeira, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), as secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema) e de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Corpo de Bombeiros.

“O não acatamento desta Recomendação e/ou a realização de medidas administrativas em sentido contrário ensejará a deflagração das medidas judiciais pertinentes”, afirma o procurador.

A apuração começou após uma representação encaminhada pela Defensoria Pública da União a pedido de moradores do assentamento Egídio Brunetto, onde vivem 72 famílias. Segundo o documento, a cachoeira recebe até 2 mil visitantes por fim de semana, incluindo caravanas e ônibus, sem estrutura suficiente para controlar os impactos dessa movimentação.

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Os problemas incluem lixo próximo ao rio, fogueiras sobre raízes e troncos, retirada de vegetação, som automotivo em volume elevado e circulação de veículos na Área de Preservação Permanente (APP) e no leito rochoso. Imagens de satélite de setembro também identificaram a abertura recente de vias dentro da área protegida.

A segurança dos banhistas é outro ponto de preocupação. O Corpo de Bombeiros informou quatro mortes por afogamento entre 2021 e 2025, além de um salvamento aquático em 2026 e dois incêndios florestais de grande porte em 2025. O diagnóstico aponta ausência de guarda-vidas e de sinalização sobre profundidade e correnteza, risco de ferimentos em saltos nas pedras e presença de vidro quebrado debaixo d’água.

O MPF ressalta que não é necessário esperar novos acidentes ou mortes para agir. A recomendação pede sinalização de áreas perigosas, estrutura mínima de apoio e fiscalização para impedir veículos no rio e na APP, poluição sonora e comércio sem licenciamento.

A coleta de lixo também deverá ser restabelecida caso a visitação seja mantida. Conforme relato da comunidade registrado no documento, a prefeitura retirou quatro caçambas em janeiro, alegando que a área pertence à União.

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Desde então, moradores passaram a recolher resíduos em mutirões, sem equipamentos de proteção. O MPF sustenta que o domínio federal do imóvel não afasta as responsabilidades municipais pelos serviços de interesse local.

Além da possibilidade de medidas judiciais, a recomendação aponta que a omissão na fiscalização pode levar o poder público a responder pela reparação dos danos ambientais. O documento não estabelece multa automática nem determina, por si só, o fechamento da cachoeira: cobra dos órgãos responsáveis ações para interromper os danos e tornar o uso do espaço seguro.

Para organizar uma solução permanente, o Incra deverá coordenar um grupo de trabalho com os demais órgãos e a comunidade. A proposta inclui definir regras de visitação, estudar um limite diário de visitantes e viabilizar o turismo de base comunitária.

A proteção também alcança o patrimônio cultural. A cachoeira e um trecho de 63 quilômetros do Rio do Prata são tombados pelo Estado. A cerca de três quilômetros da queda d’água, um sítio com pinturas e gravuras rupestres apresenta registros de pichações e danos às rochas, cuja avaliação e proteção foram recomendadas ao Iphan.

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