COMBATE DIGITAL
Polícia Civil e PF combatem pornografia infantil em Juína
Nona fase da Operação CESIN cumpre quatro ordens judiciais contra dois investigados por armazenar imagens de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes
POLÍCIA
A Polícia Civil de Mato Grosso, em conjunto com a Polícia Federal, deflagrou na manhã desta quarta-feira (2.9) a nona fase da Operação CESIN, voltada ao combate à pornografia infantil na internet. Em Mato Grosso, a ação cumpre quatro ordens judiciais contra dois investigados.
A operação também faz parte da Operação Nacional Proteção Integral V, coordenada pela Polícia Federal e realizada simultaneamente em diferentes estados brasileiros. A iniciativa busca localizar e responsabilizar suspeitos de crimes relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes.
No estado, são cumpridos dois mandados de busca e apreensão e duas ordens para quebra de sigilo telemático. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias e têm como base investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI).
Os alvos são dois moradores de Juína, investigados por armazenar material contendo violência sexual contra crianças e adolescentes. A conduta é enquadrada no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
As diligências ocorrem em Juína e contam com o suporte de policiais da Delegacia Regional do município.
Denúncias deram início à investigação
As apurações começaram depois que a equipe da DRCI recebeu denúncias envolvendo os dois moradores da cidade. Conforme as informações encaminhadas à polícia, eles estariam armazenando imagens de abuso sexual infantojuvenil, principalmente envolvendo crianças.
A partir das diligências, os investigadores conseguiram identificar os suspeitos e localizar os endereços relacionados à investigação. Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou as medidas judiciais, posteriormente autorizadas pela Justiça.
Durante o cumprimento dos mandados, o objetivo é localizar e apreender equipamentos eletrônicos que possam ter sido utilizados pelos investigados. O material apreendido deverá auxiliar no aprofundamento das apurações e também poderá contribuir para a identificação de eventuais outros envolvidos.
Operação CESIN
O nome da operação é formado pela sigla CESIN, que significa Combate à Exploração Sexual Infantil. A denominação faz referência ao trabalho permanente desenvolvido pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos no enfrentamento a esse tipo de crime.
Ação nacional
A Operação Nacional Proteção Integral V dá sequência a outras quatro edições da iniciativa, realizadas em 2025 e 2026, além da Operação Nacional Guardião Digital, deflagrada em março deste ano.
A ofensiva nacional tem como foco combater crimes envolvendo o armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de material de abuso sexual infantojuvenil. As ações são realizadas de maneira integrada entre as forças de segurança.
Além da Polícia Federal, participam da operação as Polícias Civis de Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
POLÍCIA
Quatro são condenados por homicídio em Sorriso
Réus foram sentenciados pelo homicídio triplamente qualificado de Maurício dos Santos Silva de Araújo, além de ocultação de cadáver e corrupção de menores
O Tribunal do Júri de Sorriso condenou, nesta terça-feira (1º), quatro homens pelo assassinato de Maurício dos Santos Silva de Araújo, ocorrido em janeiro de 2024. Somadas, as penas impostas a Alison Antônio Silva Vieira, Max Matos de Sousa, Eduardo Vieira da Conceição e Willian da Silva Soares chegam a 110 anos de prisão.
Os quatro réus foram condenados por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Alison, Max e Eduardo também receberam condenação pelo crime de organização criminosa.
Conforme as investigações, o assassinato ocorreu no contexto de atuação do Comando Vermelho (CV) e teria sido motivado pela suspeita de que Maurício integrasse o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção rival. A desconfiança teria surgido após os envolvidos interpretarem uma tatuagem no peito da vítima como possível sinal de ligação com o grupo adversário.
Vítima foi interrogada e agredida
A partir da suspeita, Max, Willian e um adolescente levaram Maurício contra a vontade dele até uma quitinete. No imóvel, a vítima foi dominada, amarrada e submetida a interrogatórios e agressões.
Eduardo também foi até o local e questionou Maurício sobre uma suposta ligação com a facção rival, além de participar das agressões.
Posteriormente, o grupo levou a vítima para um terreno baldio. Alison se juntou aos demais e realizou uma chamada de vídeo com outros integrantes da organização criminosa, enquanto Maurício continuava sendo questionado sobre uma possível relação com o PCC.
Ainda amarrado, Maurício foi atingido na cabeça com um pedaço de madeira. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu. O exame pericial apontou traumatismo craniano causado por ação contundente como causa da morte.
Corpo foi jogado no Rio Lira
Depois do homicídio, os envolvidos transportaram o corpo e o lançaram no Rio Lira, em Sorriso, numa tentativa de escondê-lo. Na manhã seguinte, o cadáver foi encontrado preso em galhadas.
Maurício estava amordaçado e permanecia com os pés amarrados.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o assassinato foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
O motivo torpe foi relacionado à disputa entre organizações criminosas e à suspeita de que Maurício pertencesse a uma facção rival. O meio cruel foi reconhecido em razão da sequência de interrogatórios, submissão e agressões sofridas pela vítima antes de ser morta.
Já a qualificadora relacionada à dificuldade de defesa foi considerada em razão de Maurício ter permanecido amarrado, dominado e em situação de inferioridade diante dos criminosos.
Os jurados também reconheceram a prática de ocultação de cadáver, devido ao lançamento do corpo no Rio Lira, e de corrupção de menores, pela participação do adolescente na ação.
Penas
Alison Antônio Silva Vieira recebeu a maior pena, de 36 anos de prisão, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, organização criminosa e corrupção de menores.
Max Matos de Sousa e Eduardo Vieira da Conceição foram condenados pelos mesmos crimes e receberam, cada um, 25 anos e 10 meses de prisão.
Já Willian da Silva Soares foi sentenciado a 22 anos e quatro meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Após o julgamento, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino destacou a necessidade de atuação das instituições contra organizações criminosas.
“Não vamos admitir que organizações criminosas imponham suas próprias leis, promovam julgamentos clandestinos e decidam quem pode viver ou morrer. O Estado não pode recuar diante das facções. O enfrentamento ao crime organizado será firme, permanente e dentro da lei”, afirmou.
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