VICE? NÃO!
Max condiciona apoio do Podemos à Janaina ao Senado
Presidente estadual da sigla afirma que não participa das negociações para eventual chapa entre MDB e Republicanos ao Governo
POLÍTICA
O presidente da Assembleia Legislativa e do Podemos em Mato Grosso, deputado Max Russi, afirmou que uma eventual aliança entre o partido e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) está condicionada à manutenção de sua pré-candidatura ao Senado. Segundo ele, a legenda não participa das negociações envolvendo uma possível composição majoritária entre MDB e Republicanos para a disputa pelo Governo do Estado em 2026.
Russi explicou que as conversas mantidas com Janaina ocorreram exclusivamente em torno do projeto para o Senado e descartou ter sido procurado para apoiar uma eventual candidatura da emedebista a vice-governadora na chapa encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
“A Janaína me procurou para ser candidata ao Senado. Ela pediu para a gente caminhar junto nesse projeto. Se ela decidir disputar a vice, essa é uma conversa que será conduzida entre o MDB e o Republicanos. O Podemos não participa dessa discussão”, afirmou.
O deputado ressaltou que, até o momento, o Podemos não assumiu compromisso com nenhuma candidatura majoritária e que a definição ocorrerá apenas durante a convenção partidária. Segundo ele, a sigla mantém diálogo com diferentes grupos políticos e pretende avaliar os projetos apresentados antes de definir qual caminho seguirá na eleição.
“O Podemos não tem nenhuma amarração com ninguém. Estamos conversando com todos. Vamos analisar quem apresentar o melhor projeto para Mato Grosso, com continuidade do desenvolvimento, investimentos e também um olhar mais social”, declarou.
Max também negou qualquer afastamento do grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e pelo governador Otaviano Pivetta. Segundo ele, embora permaneça próximo do grupo, sua responsabilidade como presidente estadual do Podemos é construir a melhor estratégia para a legenda e seus filiados.
“Continuo ligado ao grupo, mas tenho a obrigação de defender os interesses do partido e buscar o melhor encaminhamento para o Podemos”, concluiu.
POLÍTICA
Flávia atribui crise de VG à lei do ICMS sancionada por Mauro
Prefeita afirma que mudança na distribuição do imposto agravou as finanças do município e dificultou o pagamento de precatórios e da folha
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), passou a atribuir parte da crise financeira enfrentada pelo município à Lei Complementar nº 746/2022, sancionada pelo então governador Mauro Mendes (União), que alterou os critérios de distribuição do ICMS entre os municípios mato-grossenses. A declaração foi feita nesta terça-feira (28), durante a instalação da mesa técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), criada para buscar alternativas diante do bloqueio das contas da prefeitura por falta de pagamento de precatórios.
Depois de responsabilizar a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) pelo desequilíbrio das contas públicas, Flávia afirmou que a redução na participação de Várzea Grande no Índice de Participação dos Municípios (IPM) agravou a situação financeira justamente em um momento de aumento das despesas obrigatórias.
“Eu sou a segunda maior arrecadadora. Eu arrecado R$ 1,5 bilhão para o Estado e a gente recebe por mês, de volta, R$ 13 milhões no máximo. Essa lei de 2022, do Governo do Estado, somada à regra dos precatórios, colocou o município em uma condição de negativação”, afirmou.
Segundo a prefeita, o impacto da redução dos repasses se soma ao aumento da obrigação mensal com precatórios. Ela afirmou que, enquanto a administração anterior desembolsava entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês, a atual gestão assumiu o compromisso de pagar cerca de R$ 6,4 milhões mensais após acordo firmado com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante a reunião, Flávia afirmou que o cenário compromete até mesmo o pagamento da folha de servidores. “Hoje eu não tenho dinheiro para pagar o pessoal da Saúde, que trabalhou um mês. Do jeito que está, eu entrego a chave para o Tribunal. Se eu deixar de pagar salário, vai ter gente morrendo no pronto-socorro”, declarou.
Ao comentar a situação, o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que a Corte pretende sugerir ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa uma revisão da legislação que alterou a distribuição do ICMS. Segundo ele, Várzea Grande arrecada aproximadamente R$ 1,5 bilhão em ICMS por ano, mas recebe cerca de R$ 400 milhões em retorno, situação que, na avaliação do conselheiro, merece reavaliação.
Apesar das críticas à legislação estadual, o desembargador Agamenon Alcântara Moreno Júnior esclareceu que o bloqueio das contas municipais decorreu do descumprimento de um acordo firmado pela própria Prefeitura com o TJMT para quitar os precatórios. Segundo ele, o plano de pagamento foi apresentado pelo município, homologado pela Justiça e deixou de ser cumprido, o que motivou o sequestro judicial de recursos.
Entre os encaminhamentos da mesa técnica, o TCE definiu como prioridades a aprovação da Lei do Acordo Direto de Precatórios pela Câmara Municipal, a discussão sobre uma possível revisão da lei estadual de distribuição do ICMS e a vinculação de futuras receitas do Departamento de Água e Esgoto (DAE) ao pagamento dos precatórios da autarquia.
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