DESVIO DE R$ 308 MILHÕES
PF vasculha casa de Mauro, PGE e escritório de desembargador
Operação Heritage investiga suposto desvio de recursos em acordo do Estado com a Oi e determinou bloqueio de até R$ 316 milhões
POLÍTICA
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil), na sede da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) e em um escritório de advocacia ligado ao desembargador Ricardo Gomes de Almeida. As diligências ocorreram na manhã desta quinta-feira (6), durante a Operação Heritage.
Ao todo, 25 mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) são cumpridos em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A decisão também determinou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal, o bloqueio e a indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, o recolhimento de passaportes, a proibição de saída do país e o impedimento de contato entre investigados.
A PF não divulgou oficialmente a relação completa dos alvos nem informou o que foi apreendido em cada endereço. A operação investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada.
A investigação teve origem na análise de um acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi para a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a transação tenha sido utilizada para desviar mais de R$ 308 milhões dos cofres públicos.
O pagamento de R$ 308.123.595,50 foi realizado pelo Tesouro estadual após o acordo firmado em 10 de abril de 2024. Conforme a investigação, o dinheiro teria sido movimentado por meio de fundos de investimento em cascata e empresas interpostas para ocultar a origem, a circulação e a destinação dos recursos.
Antes de assumir uma cadeira no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Ricardo Almeida atuou como advogado na negociação. Em 2022, o escritório ligado a ele adquiriu por aproximadamente R$ 80 milhões os direitos creditórios que a Oi possuía contra o Estado e, posteriormente, participou da formalização do acordo com a PGE-MT.
Os recursos pagos pelo Estado não teriam sido destinados diretamente à operadora, mas aos fundos Lotte World e Royal Capital, criados pouco antes da assinatura do acordo. A relação entre os fundos, as empresas beneficiadas e os responsáveis pela negociação está entre os pontos analisados pela Polícia Federal.
Ricardo Almeida foi nomeado desembargador do TJMT por Mauro Mendes em novembro de 2025, após integrar a lista tríplice formada pelo Tribunal Pleno para a vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia. Antes da nomeação, ele também exerceu a função de juiz-membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso e ocupou cargos na OAB-MT.
Mauro Mendes já havia defendido publicamente a legalidade da negociação e sustentado que o acordo foi vantajoso para o Estado, com economia estimada em R$ 390 milhões. A PGE-MT também afirmou anteriormente que a transação foi homologada pela Justiça e submetida aos órgãos de controle.
As defesas de Mauro Mendes e Ricardo Almeida, a PGE-MT e a Oi foram procuradas para comentar as buscas e a nova fase da investigação. O espaço permanece aberto para manifestação.
POLÍTICA
MDB implode chapa federal e concentra recursos em Janaina
Partido abandona disputa pela Câmara, prioriza candidatura ao Senado e deixa Kalil Baracat e Rosana Martinelli fora das eleições
O MDB de Mato Grosso implodiu a chapa de candidatos a deputado federal e decidiu não disputar nenhuma das oito vagas do Estado na Câmara dos Deputados. A legenda concentrará sua estrutura política e financeira na candidatura de Janaina Riva ao Senado e na tentativa de ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa.
A mudança foi oficializada depois de meses de articulações para formar uma nominata federal e ocorreu após uma avaliação conjunta das executivas estadual e nacional. A composição protocolada na Justiça Eleitoral já incorpora as alterações definidas pela cúpula partidária.
Com o recuo, ficaram fora da disputa eleitoral o ex-prefeito de Várzea Grande Kalil Baracat e a ex-prefeita de Sinop Rosana Martinelli, dois dos principais nomes anunciados anteriormente para concorrer à Câmara. Kalil chegou a avaliar uma candidatura à Assembleia Legislativa, mas também não apareceu na lista estadual apresentada pelo partido. Rosana igualmente não foi incluída na nova composição.
A desistência da chapa federal representa uma mudança brusca no planejamento eleitoral do MDB. Durante a preparação para as convenções, a legenda trabalhou para reunir lideranças de diferentes regiões e chegou a apresentar nomes para a disputa, mas concluiu que a nominata não reunia condições suficientes para conquistar uma cadeira.
Em nota, a direção estadual informou que a atual representação do MDB no Congresso Nacional interfere diretamente no volume de recursos recebidos pelo partido. Diante da limitação financeira, a cúpula decidiu evitar a dispersão dos investimentos e direcionar o fundo partidário para projetos considerados mais competitivos.
A candidatura de Janaina Riva ao Senado passa, assim, a ser a principal aposta do MDB em Mato Grosso. Ela integra a coligação liderada pelo candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) e divide a disputa pelas duas vagas ao Senado com José Medeiros (PL).
Na eleição proporcional, o partido manterá apenas a chapa para deputado estadual, formada por parlamentares que buscam a reeleição e lideranças de diferentes municípios. A estratégia é ampliar a presença do MDB na Assembleia e garantir sustentação política à legenda nos próximos quatro anos.
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