RACHA INTERNO
Aliança com MDB revolta prefeitos e provoca reação de Medeiros
Abilio Brunini e Cláudio Ferreira rejeitam apoio a Janaina Riva, enquanto candidato ao Senado tenta reverter decisão da direção nacional
POLÍTICA
A aliança entre PL e MDB abriu uma crise no partido em Mato Grosso e colocou importantes lideranças da sigla em confronto com a direção nacional. Os prefeitos de Cuiabá, Abilio Brunini, e de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, rejeitaram publicamente o acordo que incluiu Janaina Riva (MDB) na chapa ao Senado, enquanto o deputado federal José Medeiros (PL), candidato à outra vaga, tenta reverter a decisão junto à cúpula partidária.
O acordo foi fechado neste domingo (2) pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e altera a composição que vinha sendo defendida pela ala bolsonarista da legenda no estado. Pelo novo desenho, Janaina disputará o Senado ao lado de Medeiros no palanque do candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL).
Presidente estadual do PL, Ananias Filho afirmou que a determinação partiu diretamente da Executiva Nacional e será cumprida pelo diretório mato-grossense. Ele também confirmou que Medeiros pretende procurar Valdemar para discutir a composição, após meses de resistência à entrada do MDB no grupo.
“Eu recebo determinação. A Nacional determinou e eu vou acatar. O acordo foi de sexta para domingo. Não foi surpresa. Mas foi a Nacional que tratou e eu só vou obedecer”, declarou Ananias.
A reação mais dura partiu de Abilio, que afirmou não aceitar dividir o palanque com o MDB e admitiu até deixar o PL caso seja obrigado a fazer campanha para Janaina. O prefeito já iniciou uma conversa com Valdemar, e o impasse deverá ser tratado diretamente pela direção nacional, sem decisão do comando estadual.
Abilio sustenta que a aliança contraria a realidade política construída nas eleições municipais de 2024, quando candidatos do MDB enfrentaram o PL nas principais cidades do estado.
“Não posso ser incoerente. Não esperem isso de mim. Ou me libera, ou tolera ou me expulsa. Com PT e MDB eu não vou”, afirmou o prefeito de Cuiabá.
Cláudio Ferreira também desafiou a decisão nacional e classificou a aproximação como incoerente. O prefeito relembrou que venceu, em Rondonópolis, um grupo formado por lideranças emedebistas e declarou que não pretende apoiar o projeto político do partido no estado.
A posição de Ferreira amplia o distanciamento entre os prefeitos do PL e o projeto conduzido por Wellington. Antes mesmo do acordo com o MDB, o gestor de Rondonópolis já havia declarado apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo. Para o Senado, no entanto, reafirmou que continuará ao lado de Medeiros.
A resistência também atinge diretamente a chapa majoritária. Medeiros vinha se posicionando contra a entrada do MDB e demonstrava desconforto com a insistência de Wellington em incorporar Janaina ao grupo. Agora, deverá buscar uma conversa com Valdemar na tentativa de modificar o acordo ou esclarecer como ficará sua participação na campanha.
Apesar da reação interna, a direção nacional pretende manter a aliança para ampliar o grupo de oposição a Pivetta. Wellington também afirma contar com o apoio do senador Jayme Campos e busca atrair o Podemos, comandado em Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi.
POLÍTICA
“Os bolsonaristas mereciam ser ouvidos”, dispara Zé Medeiros
O parlamentar afirmou que a escolha foi imposta sem diálogo com a base bolsonarista do estado e defendeu que deveria ser ouvidos
O deputado federal Zé Medeiros (PL) criticou, nesta segunda (3), a decisão da direção nacional do Partido Liberal de definir a composição da chapa ao Senado em Mato Grosso em aliança com o MDB. O parlamentar afirmou que a escolha foi imposta sem diálogo com a base bolsonarista do estado e defendeu que os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro deveriam ter sido ouvidos antes da definição.
Medeiros advertiu que a defesa da liberdade e a eleição de representantes comprometidos com as pautas do ex-presidente deveria ser a prioridade do PL e garantiu que não recuar do seu compromisso com Bolsonaro.
“Nossa obrigação como bolsonarista é eleger quem tenha compromisso real e inabalável com a liberdade das pessoas. Quem tenha coragem de enfrentar o sistema e não abaixar a cabeça. Quero deixar claro que a minha linha continua sendo a linha do presidente Jair Bolsonaro. Sem desvio, sem rodeios e sem meias palavras”, afirmou.
O deputado disse que não concorda com a forma como a decisão foi conduzida e afirmou que a falta de diálogo pode enfraquecer a unidade do grupo político.
“Nós merecíamos ser ouvidos. Os bolsonaristas mereciam ser ouvidos. No fim, o voto que levou toda essa grandeza ao PL foi o voto do bolsonarista. Quando a decisão vem de cima para baixo, sem diálogo, a gente corre o risco de enfraquecer exatamente o que mais precisa: a unidade verdadeira”, declarou.
Apesar das críticas, Medeiros afirmou que permanecerá no Partido Liberal e seguirá defendendo as mesmas bandeiras.
“Eu continuo no PL, continuo bolsonarista e continuo na luta. Mas não vou fingir que está tudo bem ou que concordo com tudo só para agradar. Vamos continuar firmes, de cabeça erguida, com o objetivo de lutar pela liberdade do presidente Jair Bolsonaro e dos presos políticos”, concluiu.
-
Cuiabá6 dias atrásBalsa do Show das Águas passa por manutenção preventiva e apresentações poderão sofrer alterações temporárias
-
Geral6 dias atrásConselho Curador aprova distribuição de R$ 13 bilhões do lucro do FGTS para 138,2 milhões de trabalhadores
-
BRASIL & MUNDO7 dias atrásMDA lança programa para fortalecer o desenvolvimento sustentável e a conservação dos biomas brasileiros
-
AGRO6 dias atrásSafra 26/27 deve começar sob excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Oeste


