TECNOLOGIA
Inovação e tecnologia ganham protagonismo na 27ª Marcha dos Prefeitos para transformar a gestão municipal
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A aplicação da ciência, da tecnologia e da inovação nos serviços oferecidos ao cidadão assumiu o centro das discussões sobre o futuro das cidades durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O encontro de gestores públicos de todo o País ocorre na capital federal até esta quinta-feira (21), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).
Representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) acompanham a programação e atendem diretamente prefeitos, secretários e vereadores. O objetivo é dar tratamento às demandas locais e orientar as prefeituras sobre como conectar a infraestrutura científica nacional aos desafios de saúde, segurança e adaptação climática.
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues, “o grande desafio da transformação digital no Brasil é fazer com que ela chegue efetivamente nos municípios, lá na ponta, na vida cotidiana das pessoas”.
Educação científica e ecossistema local
Durante o encontro, que se iniciou na segunda-feira (18), o ministério divulgou ações que podem ser levadas imediatamente às cidades. “Mostramos aos prefeitos que temos trabalhado de forma muito concreta com apoio à educação científica nas escolas, especialmente com os laboratórios maker, e também por meio do programa de popularização da ciência, o Pop Ciência, fortalecendo feiras científicas, planetários, museus e eventos da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia”, explicou Rodrigues.
Outro foco estratégico é a geração de oportunidades e a retenção de talentos nas próprias cidades. “O fortalecimento dos ambientes locais de inovação, como as incubadoras de base tecnológica, as salas de empreendedor e os parques tecnológicos, geram oportunidades e provocam maior densidade econômica nos municípios”, destacou o representante do MCTI. “Assim, os jovens continuam bem formados e trabalhando por lá”, concluiu.
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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia
Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.
“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.
A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas.
O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.
“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete.
De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga.
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