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Governo Federal avança em plano para fortalecer desenvolvimento no Vale do Jequitinhonha

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Brasília (DF) – O Governo Federal avançou, nesta quinta-feira (21), na construção de uma estratégia integrada para o desenvolvimento sustentável do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais. Durante a sétima e última reunião do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) do Vale do Jequitinhonha foram apresentadas as diretrizes que irão orientar a consolidação da agenda estratégica para o território, na forma de um plano de desenvolvimento.

Coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o GTI reúne representantes de 21 ministérios e oito órgãos federais com o objetivo de construir políticas públicas articuladas e territorializadas para o Vale do Jequitinhonha.

Durante o encontro, foram retomados os principais avanços alcançados desde a criação do grupo, incluindo a definição dos eixos estratégicos que orientarão o plano de desenvolvimento regional. Entre as prioridades estabelecidas estão a coordenação da cadeia produtiva minerária; a diversificação produtiva e o acesso à terra; a garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais; a infraestrutura e o fortalecimento da rede de cidades; além do desenvolvimento social.

O diretor de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIDR, João Mendes, destacou que o encerramento desta etapa representa um avanço importante na consolidação de uma agenda integrada para a região.

“Estamos estruturando uma proposta construída de forma interministerial e alinhada às necessidades do território. O objetivo é garantir que o desenvolvimento econômico da região esteja associado à redução das desigualdades sociais, à inclusão produtiva e à melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou.

Segundo o diretor, o relatório apresentado durante a reunião reforça a importância da continuidade das ações articuladas entre os órgãos federais. “Ao longo dos trabalhos, conseguimos reunir diagnósticos, identificar desafios prioritários e alinhar estratégias de atuação conjunta. Agora avançamos para uma nova fase, voltada à consolidação do plano e ao diálogo institucional para viabilizar sua implementação”, completou.

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Durante a reunião, Guta Torres, coordenadora-geral da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria Geral da Presidência da República, destacou ainda que as ações realizadas foram provenientes de um pedido da sociedade civil e atendida pelo Governo Federal. “O GTI nasceu da escuta das comunidades impactadas e esse compromisso permanece. Vamos continuar fortalecendo a participação social, acompanhando a execução das ações e mantendo canais permanentes de diálogo com o território, porque é a partir dessa escuta que conseguimos aperfeiçoar as políticas públicas e ampliar seus resultados para a população”, ressaltou Guta.

Potencial econômico e inclusão social

O Vale do Jequitinhonha abriga a maior reserva de lítio do Brasil e uma das maiores do mundo, fator que vem ampliando o interesse de investimentos na região. A exploração do mineral, impulsionada pela demanda global por tecnologias de energia limpa e veículos elétricos, representa uma oportunidade de dinamização econômica, mas também exige atenção aos impactos sociais e ambientais sobre as comunidades locais.

Nesse contexto, o plano em elaboração busca garantir que os investimentos contribuam efetivamente para a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional sustentável, fortalecendo cadeias produtivas locais e ampliando oportunidades para a população.

Flávia Pedrosa Pereira, subsecretária de Programas de Infraestrutura e Planejamento Territorial do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), destacou a relevância da agenda para o desenvolvimento da região mineira. “A agenda de desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha é resultado de um intenso trabalho de articulação e escuta nos territórios, envolvendo diversos órgãos do Governo Federal e parceiros locais. As equipes realizaram visitas à região para identificar os principais gargalos e oportunidades, consolidando mais de 60 projetos voltados ao desenvolvimento regional. O relatório apresentado hoje demonstra que essa pactuação já está gerando resultados concretos, com obras e ações concluídas, iniciativas em execução e novos projetos previstos para os próximos anos”, afirmou.

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Ações do MIDR na região

Além da construção da agenda de desenvolvimento, o MIDR já executa ações estruturantes no Vale do Jequitinhonha. Entre elas está a Rota do Mel, iniciativa das Rotas de Integração Nacional voltada ao fortalecimento da apicultura e da meliponicultura na região. Neste ano, produtores locais realizaram a primeira exportação de 20 toneladas de mel silvestre para a Bélgica, resultado do fortalecimento da cadeia produtiva regional.

Outro destaque é o Programa Cidades Intermediadoras, estratégia que busca promover maior equilíbrio territorial e interiorização do desenvolvimento, fortalecendo municípios estratégicos e ampliando o acesso da população a serviços e oportunidades econômicas.

A coordenadora-geral de Desenvolvimento Regional do MIDR, Lara Amorelli, também participou da reunião e reforçou a importância da integração entre as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável do Vale do Jequitinhonha respeitando a cultura e riqueza do território.

“O desenvolvimento não nasce de soluções impostas de fora, mas do fortalecimento das potencialidades que já existem no território. Ao mesmo tempo, é fundamental considerar os impactos provocados pela expansão da mineração, especialmente do lítio, que traz novos desafios para comunidades tradicionais e povos originários”, concluiu.

Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

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6ª Teia inicia articulação para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas

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A construção coletiva do Plano Nacional das Culturas Indígenas foi um dos destaques da programação desta quarta-feira (21), na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura pela Justiça Climática, em Aracruz, no Espírito Santo. Representantes de povos originários, organizações indígenas, instituições públicas e diferentes áreas do governo federal participaram da primeira reunião de articulação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar diretrizes para a proteção, promoção e fortalecimento das culturas indígenas no país.

As discussões sobre o plano seguem nos demais dias da 6ª Teia, com novas reuniões e encontros de elaboração de propostas previstos na programação até domingo (24). A proposta é consolidar um processo de escuta ativa e qualificada, com protagonismo indígena, para construir uma política pública capaz de reconhecer a diversidade dos povos, territórios, línguas, saberes, modos de vida, memórias e expressões culturais dos povos originários.

Em Aracruz, território Tupiniquim e Guarani, a primeira reunião do GT marcou o início de uma etapa presencial de articulação e construção coletiva que continuará após o fim da 6ª TEIA dos Pontos de Cultura. A iniciativa reúne representantes de organizações indígenas, instituições públicas e órgãos federais que atuam em pautas relacionadas aos direitos, territórios, patrimônios e saberes dos povos indígenas. O objetivo é formular um plano nacional que responda às especificidades das culturas indígenas e dialogue com temas como justiça climática, bem viver, território, cultura alimentar, rituais sagrados, patrimônio material e imaterial, línguas vivas e propriedade intelectual.

A reunião contou com a presença de organizações e articulações indígenas de atuação nacional e regional, entre elas a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a FENEI, o TEKÓ, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a UMAB e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). 

A participação dessas representações reforça o caráter coletivo, diverso e territorializado do processo, reunindo vozes de diferentes povos, biomas, gerações e experiências de luta pela proteção dos territórios, dos saberes tradicionais, das línguas, da memória e dos modos de vida indígenas.

Para a diretora de Promoção da Diversidade Cultural do MinC, Karina Miranda da Gama, a reunião inaugura um processo de “escuta ativa e qualificada”. Segundo ela, o GT é composto por organizações, instituições e associações indígenas de diferentes regiões do país, incluindo representações de mulheres indígenas e organizações da Amazônia. “Esse grupo de trabalho tem essa importante missão de começar a desenhar propostas para um plano”, afirmou Karina.

A diretora explicou que o processo parte de uma minuta elaborada em parceria com a Unesco e que o grupo irá trabalhar os eixos de ação propostos em diálogo com temas como justiça climática, bem viver, cultura alimentar, território, rituais sagrados e impactos da crise climática sobre os saberes e fazeres dos povos indígenas.

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Karina destacou ainda que a elaboração do plano não será conduzida apenas pelo MinC. A construção envolve também o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Museu Nacional dos Povos Indígenas e outros órgãos federais que dialogam com a pauta. Órgãos do Sistema MinC, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), também estiveram presentes representados por quadros técnicos.

“É uma construção junto com o Ministério dos Povos Indígenas, junto com a própria Funai, junto com o Museu Nacional dos Povos Indígenas. Então, a gente está chamando todas as organizações federais que dialogam no campo dos povos indígenas”, explicou a Diretora do MinC. Também participou da atividade a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, que escutou as contribuições dos participantes do encontro.

A presença do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi destacada por Giovana Mandulão, secretária de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas da pasta. Para ela, o momento representa parte de um processo histórico de reconstrução das políticas públicas e de fortalecimento da presença indígena no Estado brasileiro. “Por muitos anos, a nossa pauta da cultura foi deixada de lado. Agora é o momento da retomada”, afirmou a gestora do MPI.

Giovana ressaltou que o Ministério dos Povos Indígenas acompanha a elaboração desde o início para contribuir também com a futura implementação do plano. Segundo ela, o desafio é construir uma política que reconheça as peculiaridades dos mais de 300 povos indígenas e das mais de 270 línguas faladas no país.

“É importante a presença do Ministério dos Povos Indígenas para estar junto com os povos também, para a gente pensar nesse fortalecimento da cultura, do reconhecimento. Que seja um plano com a cara e com as vozes dos povos indígenas”, destacou.

Representante dos povos indígenas no Conselho Nacional de Política Cultural, Daiara Tukano afirmou que o plano precisa responder à complexidade das demandas de proteção e promoção das culturas indígenas no Brasil. Para ela, falar de culturas indígenas significa falar também de reparação histórica.

“Quando nós falamos de culturas indígenas, estamos falando da necessidade de políticas de reparação para o dano histórico cometido contra nossos povos e nossos territórios de saber ao longo de todo o processo de formação do Brasil”, afirmou.

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Daiara defendeu que o plano considere dimensões como a continuidade das línguas vivas, os saberes guardados por pajés, a ciência indígena, o patrimônio material e imaterial, a repatriação de bens e a autoridade dos povos indígenas sobre sua propriedade intelectual.

“Estamos falando da continuidade de línguas vivas, da continuidade dos saberes guardados por nossos pajés, da nossa ciência, do nosso patrimônio material e imaterial, do retorno daquilo que nos foi retirado, da repatriação, da devolução dos nossos bens e da nossa autoridade sobre a nossa propriedade intelectual”, destacou.

Para Daiara, o Plano Nacional das Culturas Indígenas deve ser uma proposta transversal, capaz de aprimorar o diálogo entre diferentes áreas do governo. Ela citou a necessidade de articulação com o Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Ministério da Justiça e Ministério do Meio Ambiente, entre outros órgãos que atuam em pautas relacionadas aos territórios, patrimônios, saberes e direitos dos povos indígenas.

Exposição reforça escuta da terra

A programação da Teia também contou com a abertura da exposição “Você Já Escutou a Terra?”, com curadoria de Ailton Krenak e Karen Worcman. Realizada pelo Museu da Pessoa em parceria com o Sesc Espírito Santo, a mostra integra a programação da 6ª Teia Nacional Cultura Viva e foi alvo de visita guiada nesta quarta-feira (21), no Sesc Praia Formosa.

Gratuita e aberta ao público, a exposição dialoga com o tema desta edição da Teia— “Pontos de Cultura pela Justiça Climática” — e propõe uma experiência sensorial sobre memória, território, natureza e justiça climática.

Com instalações visuais, ambientes sonoros, registros audiovisuais e relatos de vida coletados nos seis biomas brasileiros entre 2024 e 2025, a exposição convida o público a refletir sobre a relação entre humanidade, natureza, memória e território. No contexto da construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas, a mostra amplia o sentido da escuta como prática política, cultural e ambiental.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.

 

Fonte: Ministério da Cultura

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